quarta-feira, 25 de julho de 2007

Com que voz chorarei meu triste fado

Com que voz chorarei meu triste fado,
que em tão dura prisão me sepultou,
que mor não seja a dor que me deixou
o tempo, de meu bem desenganado?

Mas chorar não se estima neste estado,
onde suspirar nunca aproveitou;
triste quero viver, pois se mudou
em tristeza a alegria do passado.

Assim a vida passo descontente,
ao som nesta prisão do grilhão duro
que lastima ao pé que o sofre e sente!

De tanto mal a causa é amor puro,
devido a quem de mim tenho ausente,
por quem a vida e bens dela aventuro.

Nota: «Conta-nos o motivo da sua tristeza Está preso de amor, mas também por amor. É com tristeza que faz uma evocação das alegrias passadas.»

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