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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Sô Santo

lá vai o sô santo…

bengala na mão
grande corrente de ouro, que sai da lapela
ao bolso… que não tem um tostão.

quando o sô santo passa
gente e mais gente vem à janela:
-"bom dia, padrinho…"
-"olá…"
-"beçá cumpadre…"
-"como está?..."
-"bom-om di-ia sô santo!..."
-"olá povo!..."

mas porque é saudado em coro?
porque tem muitos afilhados?
porque tem corrente de ouro
a enfeitar sua pobreza?...
não me responde, av`naxa?

-"sô santo teve riqueza…
dono de musseques e mais musseques…
padrinho de moleques e mais loleques…
macho de amantes e mais amantes,
beça-nganas bonitas
que cantam pelas rebitas:

"muari-ngata santo
dim-dom
ual'o banda ó calaçala
dim-dom
chaluto um muzombo
dim-dom…"

sô santo…

banquetes p'ra gentes desconhecidas
noivado da filha durando semanas
kikoto e batuque pró povo cá fora
champanha, 'ngaieta tocando lá dentro…
garganta cansando:
"coma e arrebenta
e o que sobrar vai no mar…"

"hum-hum
mas deixa…
quando o sô santo morrer,
vamos chamar um kimbanda
para 'ngombo nos dizer
se a sua grande desgraça
foi desamparo de sandu
ou se é já própria da raça…"

lá vai…
descendo a calçada
a mesma calçada que outrora subia
cigarro apagado
bengala na mão…

… se ele é o símbolo da raça
ou vingança de sandu…

Fonte: via Angola: os poetas de kinaxixi em 08/09/09

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Dedicado à minha terra [Moçâmedes]

Moçâmedes onde nasci
E lá fiz o meu baptismo
Moçâmedes onde estudei
E aprendi o catecismo.

Ó minha terra natal
Onde aprendi oração
Na paróquia onde em criança
Fiz a minha comunhão.

Moçâmedes que me recordas
O dia do casamento,
Lá nasceram os meus filhos,
Não me sais do pensamento.

Moçâmedes tu serás sempre
Recordada com carinho
Desde o mar so teu deserto
Percorri o teu caminho.

No deserto do Namibe,
Ó minha querida terra
Viemos nós para tão longe
Porque Angola estava em guerra.

A tua praia tão linda
Onde apetecia estar,
Em Março que bom que era
termos as Festas do Mar.

Não falando nos mariscos,
Que me estão a apetecer,
Pois desde que aqui cheguei
Não mais voltei a comer.

Ó terra da azeitona
Onde não havia igual
Também é terra das misses
Que vinham para Portugal.

Acho que por hoje já chega
Falar desse meu torrão
Por muitos anos que viva
Não me sais do coração.


Blogue "Gente do meu Tempo" - post de 30Abr2008

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