Quando o descobridor chegou à primeira ilha
nem homens nus
nem mulheres nuas
espreitando
inocentes e medrosos
detrás da vegetação.
Nem setas venenosas vindas no ar
nem gritos de alarme e de guerra
ecoando pelos montes.
Havia somente
as aves de rapina
de garras afiadas
as aves marítimas
de voo largo
as aves canoras
assobiando inéditas melodias.
E a vegetação
cuja sementes vieram presas
nas asas dos pássaros
ao serem arrastadas para cá
pelas fúrias dos temporais.
Quando o descobridor chegou
e saltou da proa do escaler varado na praia
enterrando
o pé direito na areia molhada
e se persignou
receoso ainda e surpreso
pensando n'El-Rei
nessa hora então
nessa hora inicial
começou a cumprir-se
este destino ainda de todos nós.
("Cadernos de um ilhéu" 1956)
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quinta-feira, 26 de julho de 2007
Prelúdio
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CANÇÃO DE EMBALAR
"Dorme Maninho
pra não vir Ti Lobo..."
Maninho
volta-se e dorme
no colchão de saco vazio
sobre a terra batida.
Ao lado no chão dormindo também
o naviozinho de lata
que fez com suas mãos...
Apaga-se a luz.
Maninho acorda depois
por causa da voz falando baixinho
segredando
no meio escuro...
Não fala de mamãe...
Ti Lobo talvez...
Mas nhô Chico Polícia há dias contava:
"Ti Lobo não tem..."
Essa voz nocturna segredando...
O homem branco talvez
que lá vai de vez enquando...
"Dorme Maninho
pra não vir Ti Lobo..."
Volta-se e torna a dormir...
Amanhã cedo vai correr o naviozinho de lata
nas poças da Praia Negra...
(in "Ambiente", 1941)
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