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quinta-feira, 16 de abril de 2009

Nun`Álvares Pereira por Luís Vaz de Camões

via nonas de nonas em 13/04/09
Mas nunca foi que este erro se sentisse
No forte Dom aluerez; mas antes,
Posto que em seus irmãos tão claro o visse,
Reprovando as vontades incostantes,
Àquelas duvidosas gentes disse,
Com palavras mais duras que elegantes,
A mão na espada, irado e não facundo,
Ameaçando a terra, o mar e o mundo:
(Canto IV, est.ª 14)

«Como?! Da gente ilustre Portuguesa
Há-de haver quem refuse o pátrio Marte?
Como?! Desta província, que princesa
Foi das gentes na guerra em toda a parte,
Há-de sair quem negue ter defesa?
Quem negue a Fé, o amor, o esforço e arte
De Português, e por nenhum respeito,
O próprio Reino queira ver sujeito?
(Canto IV, est.ª 15)

Como?! Não sois vós inda os descendentes
Daqueles que, debaixo da bandeira
Do grande Henriques, feros e valentes,
Vencestes esta gente tão guerreira,
Quando tantas bandeiras, tantas gentes
Puseram em fugida, de maneira
Que sete ilustres Condes lhe trouxeram
Presos, afora a presa que tiveram?
(Canto IV, est.ª 16)

Com quem foram contino sopeados
Estes, de quem o estais agora vós,
Por Dinis e seu filho sublimados,
Senão cos vossos fortes pais e avós?
Pois se, com seus descuidos ou pecados,
Fernando em tal fraqueza assi vos pôs,
Torne-vos vossas forças o Rei novo,
Se é certo que co Rei se muda o povo.
(Canto IV, est.ª 17)

Rei tendes tal, que, se o valor tiverdes
Igual ao Rei que agora alevantastes,
Desbaratareis tudo o que quiserdes,
Quanto a mais quem já desbaratastes.
E, se com isto, enfim, vos não moverdes
Do penetrante medo que tomastes,
Atai as mãos a vosso vão receio,
Que, eu só, resistirei ao jugo alheio.
(Canto IV, est.ª 18)

Eu só, com meus vassalos e com esta
(E, dizendo isto, arranca meia espada),
Defenderei da força dura e infesta
A terra nunca de outrem sojugada.
Em virtude do Rei, da pátria mesta,
Da lealdade já por vós negada,
Vencerei não só estes adversários,
Mas quantos a meu Rei forem contrários.»
(Canto IV, est.ª 19)

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Sonetos de Camões

via Links Interessantes de noreply@blogger.com (Alberto Vale) em 07/02/09

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Os Lusíadas - última estrofe

Stefan Sweig e a sua segunda esposa suicidam-se a 22Few1942 em Petrópolis

No mar, tanta tormenta e tanto dano,
tantas vezes a morte apercebida;
Na Terra tanta guerra, tanto engano,
tanta necessidade aborrecida!
Onde pode acolher-se um fraco humano?
Onde terá segura a curta vida,
Que não se arme e se indigne o céu sereno
Contra um bicho-da-terra tão pequeno?

Nota: os quatro últimos versos - em caligrafia gótica e emoldurados – estavam pendurados na parede do quarto de dormir de Stefan Zweig na sua casa de Petrópolis).
Rui Moio

domingo, 5 de agosto de 2007

Todo es poco lo posible


MOTE ALHEIO


Todo es poco lo posible.


GLOSA PRÓPRIA


Ved que engaños señorea
nuestro juicio tan loco!
Que por mucho que se crea,
todo el bien que se desea,
alcanzado, queda poco.
Un bien de cualquiera grado,
si de haberse es imposible,
queda mucho deseado;
mas, para mucho alcanzado,
todo es poco lo posible.


OUTRA


Posible es a mi cuidado
poderme hacer satisfecho,
si fuera posible al hado
hacer no echo lo echo,
y futuro lo pasado.
Si olvido pudiera haber,
fuera remedio sufrible;
mas ya que no puede ser,
para contento me hacer,
todo es poco lo posible.


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Há um bem que chega e foge


MOTE ALHEIO


Há um bem que chega e foge;
e chama-se este bem tal
ter bem para sentir mal.


VOLTA


Quem viveu sempre num ser,
inda que seja em pobreza,
não viu o bem da riqueza
nem o mal de empobrecer.
Não ganhou para perder;
mas ganhou com vida igual
não ter bem nem sentir mal.


Redondilhas (Parte ?)


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Amor loco, amor loco


MOTE ALHEIO


Amor loco, amor loco,
yo por vos y vos por otro.


VOLTAS PRÓPRIAS


VOLTAS


Dióme Amor tormentos dos
para que pene doblado:
uno es verme desamado,
otro es mancilla de vos.
Ved que ordena Amor en nos:
porque me vos hacéis loeo,
que seáis loca por otro!


Tratáis Amor de manera
que porque así me tratáis
quiere que, pues no me amáis,
que améis otro que no os quiera.
Mas con todo, si no os viera
de todo loca por otro,
con mas razón fuera loco.


Y tan contrario viviendo,
alfin, alfin, conformamos,
pues ambos a dos buscamos
lo que más nos va huyendo.
Voy tras vos siempre siguiendo,
y vos huyendo por otro:
andáis loca, y me hacéis loco.


Redondilhas (Parte ?)


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Macho, sim, mas macho de andas


Macho, sim, mas macho de andas,
macho que anda com capacho
macho preso por varandas,
macho que parece macho
de homem que anda em demandas.


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Carta escrita de África em resposta à de um amigo


Mandastes-me pedir novas
e pois hei-de obedecer,
quero que seja em trovas
por vos dar em que entender;
e que esta arte de trovar
se vá desacostumando
a quem anda como eu ando,
tudo se há-de perdoar.


Leixando todo o embaraço
desde o dia que cá vim,
vos darei conta de mim
e da vida que cá faço.
E julga o que cá sento
do que lá sentiria,
se algum' hora ou algum dia
tive este tal pensamento.


Acho-me mui enganado
dum engano que trazia;
não cuidei que num cuidado
tantos cuidados havia.
Cuidei que vida mudada
mudasse também ventura;
mas a má sempre é segura
e da boa não sei nada.


E pois que já comecei,
dar-vos-ei conta comprida
de como passo a vida
nesta vida que tomei.
Vou-me ao longo da praia
sem outros ricos petrechos:
una adarga ate pechos
y en la mano una azagaia.


Faço no meu pensamento
mais torres que as de Almeirim.
Mas, enfim, leva-as o vento,
porque são ventos em fim.
Vou-me trás isto em que ando
quando a tormenta mais arde,
suspirando a menudo,
hablando de tarde en tarde.


Fujo da conversação,
anoja-me companhia;
e trago os olhos no chão
e mui alta a fantesia.
Des que vou alongando
que me não podem ouvir,
las bozes que iva dando
al cielo quieren subir.


Vejo desfeitas em vão
todolos meus contentamentos;
porém as meus pensamentos
não cansam nem cansarão.
Se alma mais que a vida,
mais que a vida há-de durar,
maldita seas, ventura,
que assi me hazes andar.


Cuido no que é já passado
e no que está por passar;
porém nunca o meu cuidado
se muda de um só lugar .
Quando em mim tomo, cuidando
que de mi mesmo me velo,
los ojos puestos nel cielo,
jurando iva hechando.


Vejo o mar embravecer,
vejo que depois melhora;
mil cousas vejo cada hora,
uma só não posso ver...
Assim vou passando o dia
nesta saudade tamanha,
mirando la mar d'España
como menguava e crecia.


Quem disser que a saudade
é vida para gabar,
se o disser de verdade,
di-lo-á p'ra me enojar.
Vida que a alma entristece,
em que toda a dor consiste,
el dia que hade ser triste
para mim solo amañece.


Crede-me quanto mais falo,
pois vos falo como amigo;
e crede que o que calo
é muito mais que o que digo.
Ando com alma cansada,
suspirando cada hora.
Por el tu amor sen ti ora
passé yo la mar salada.


Andando só, como digo,
apartado da manada,
fazendo contas comigo
que enfim não fundem nada,
querendo buscar atalho
para vir ao que desejo,
vi venir pendon bremejo
con tresientos de caballo.


Vinham d'esporas douradas
e vestidos de alegria,
com adargas e braçadas
la flor de la Berberia;
com gritos e altas vozes
vinham a rédeas tendidas,
ricas aljubas vestidas,
en cima sus albernozes.


Gente de muitas maneiras
e diversas nações
corriam a estas tranqueiras,
como a ganhar perdões.
Mas por que vos não engane
cousas que outros vos escrevem,
los bordones que ellos llevan
lanças vos pareceranne.


Tudo anda de levanto;
era o campo todo cheio.
Em tudo punham espanto,
de nada tinham receio.
Com grandes vozes e festas
vinham bradando de lá:
«Cavalleros de Alcalá,
no os allabareis daquesta».


Comigo mesmo falando,
como s'a outrem falasse
dizia: Quem me lembrasse
do em que andava cuidando!
E, porque tamanho dote
não se alcança por cuidar,
a las armas, Mouriscote,
s'in ellas quereis entrar.


Contar feitos esquecidos
é muito contra minh'arte:
houve mortos e feridos,
houve mal de parte a parte;
houve homem que dizia
na força do mor receio:
Donde estás que no te veo,
que es de ti, esperança mia?


Pois falo em tão fraca guerra,
sinal é de vosso amigo,
visto como estais em terra,
que há outras de mor perigo.
E pois por vós mais fizera
quem faz isto que aqui vedes,
y que nuevas me traedes
del mi amor que allá era?


Quisera-vos dizer mais,
e pois vos não digo tudo,
farei conta que sou mudo
e entendei-me por sinais.
que, se fosse tão ousado
que inda mais que isto dissesse,
a que muerte condenado
pude ser que grave fuesse!


Cartas


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Em tudo vejo mudanças


MOTE


Em tudo vejo mudanças,
senão onde as ver quisera;
passa a vida em esperanças,
nunca chega a que se espera.


VOLTA


E posto que chegue o bem
- o que duvido de ser - ,
que gasto se pode ter
na que firmeza não tem?
Vida cheia de mudanças,
tudo em ti cansa e altera;
porque dás mil esperanças
e não dás o que se espera.


O mal é que te conheço
já por falsa e sem firmeza;
e, com ter esta certeza,
inda te não aborreço.
De tuas vãs esperanças
ver-me já livre quisera,
por me rir das mudanças
do que espera e desespera.


Redondilhas apócrifas


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Agora toma a espada, agora a pena


Agora toma a espada, agora a pena,
Estácio nosso, em ambas celebrado;
sendo ou no salso mar de Marte amado,
ou na água amante da Camena.


Cisne sonoro por ribeira amena
de mi, para cantar-te, é cobiçado;
porque não podes tu ser bem cantado
de ruda frauta nem de a agreste avena.


Se eu, que a pena tomei, tomei a espada
para poder jogar, licença tenho
desta alta influição de dous planetas.


Com üa e outra luz, deles lograda,
tu com pujante braço, ardente engenho,
serás Faró a soldados e a poetas.


Sonetos


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Ilustre e dino ramo dos Meneses


Ilustre e dino ramo dos Meneses,
aos quais o prudente e largo Céu
(que errar não sabe), em dote concedeu
rompesse os maométicos arneses;


desprezando a Fortuna e seus revezes,
ide para onde o Fado vos moveu;
erguei flamas no mar alto Eritreu,
e sereis nova luz aos Portugueses.


Oprimi com tão firme e forte peito
o Pirata insolente, que se espante
e trema Taprobana e Gedrosia.


Dai nova causa à cor do árabo estreito:
assi que o roxo mar, daqui em diante,
o seja só co sangue de Turquia.


Sonetos


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Como fizeste, Pórcia, tal ferida?


«Como fizeste, Pórcia, tal ferida?
Foi voluntária, ou foi por inocência?»
«Mas foi fazer Amor experiência
se podia sofrer tirar-me a vida».


«E com teu próprio sangue te convida
a não pores à vida resistência?»
«Ando-me acostumando à paciência,
por que o temor a morte não impida».


«Pois porque comes, logo, fogo ardente,
se a ferro te costumas?» «Porque ordena
Amor que morra e pene juntamente».


«E tens a dor do ferro por pequena?»
«Si; que a dor costumada não se sente.
E eu não quero a morte sem a pena».


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Com que voz chorarei meu triste fado


Com que voz chorarei meu triste fado,
que em tão dura prisão me sepultou,
que mor não seja a dor que me deixou
o tempo, de meu bem desenganado?


Mas chorar não se estima neste estado,
onde suspirar nunca aproveitou;
triste quero viver, pois se mudou
em tristeza a alegria do passado.


Assi a vida passo descontente,
ao som nesta prisão do grilhão duro
que lastima o pé que o sofre e sente!


De tanto mal a causa é amor puro,
devido a quem de mi tenho ausente
por quem a vida, e bens dela, aventuro.


Sonetos


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Aqueles claros olhos que chorando


Aqueles claros olhos que chorando
ficavam, quando deles me partia,
agora que farão? Quem mo diria?
Se porventura estarão em mim cuidando?


Se terão na memória, como ou quando
deles me vim tão longe de alegria?
Ou se estarão aquele alegre dia,
que torne a vê-los, na alma figurando?


Se contarão as horas e os momentos?
Se acharão num momento muitos anos?
Se falarão co as aves e cos ventos?


Oh! bem-aventurados fingimentos
que, nesta ausência, tão doces enganos
sabeis fazer aos tristes pensamentos!


Sonetos


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Aquela triste e leda madrugada

Aquela triste e leda madrugada,
Cheia toda de mágoa e de piedade,
Enquanto houver no mundo saudade,
Quero que seja sempre celebrada.


Ela só, quando amena e marchetada
Saía, dando ao mundo claridade,
Viu apartar-se dúa outra vontade,
Que nunca poderá ver-se apartada.


Ela só viu as lágrimas em fio,
Que de uns e de outros olhos derivadas
Se acrescentaram em grande e largo rio.


Ela ouviu as palavras magoadas
Que puderam tornar o fogo frio
E dar descanso às almas condenadas.


Lírica - Sonetos


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Aquela que, de pura castidade


Aquela que, de pura castidade,
de si mesma tomou cruel vingança
por üa breve e súbita mudança
contrária à sua honra e qualidade,


venceu à fermosura a honestidade,
venceu no fim da vida a esperança,
por que ficasse viva tal lembrança,
tal amor, tanta fé, tanta verdade.


De si, da gente e do mundo esquecida,
feriu com duro ferro o brando peito,
banhando em sangue a força do tirano.


Estranha ousadia! estranho feito!
Que, dando breve morte ao corpo humano,
tenha sua memória larga vida!


Sonetos



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Alegres campos, verdes arvoredos


Alegres campos, verdes arvoredos,
Claras e frescas águas de cristal,
Que em vós os debuxais ao natural,
Discorrendo da altura dos rochedos;


Silvestres montes, ásperos penedos,
Compostos em concerto desigual,
Sabei que, sem licença de meu mal,
Já não podeis fazer meus olhos ledos.


E, pois me já não vedes como vistes,
Não me alegrem verduras deleitosas,
Nem águas que correndo alegres vêm.


Semearei em vós lembranças tristes,
Regando-vos com lágrimas saudosas,
E nascerão saudades de meu bem.


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Ah, minha Dinamene assi deixaste


Ah, minha Dinamene assi deixaste
Quem não deixara nunca de querer-te!
Ah, Ninfa minha, já não posso ver-te,
Tão asinha esta vida desprezaste!


Como já para sempre te apartaste
De quem tão longe estava de perder-te?
Puderam estas ondas defender-te
Que não visses quem tanto magoaste?


Nem falar-te somente a dura Morte
Me deixou, que tão cedo o negro manto
Em teus olhos deitado consentiste!


Ó mar! Ó céu! Ó minha escura sorte!
Qual pena sentirei, que valha tanto,
Que ainda tenho por pouco o viver triste?


Sonetos


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À romana Populónia perguntava


À romana Populónia perguntava
um certo curioso e não prudente
porque a alimária comummente
em tempo certo do ano se juntava;


a qual, como discreta e que cuidava
em repostas ser suma e eminente,
com üa só palavra, claramente,
respondeu, e mostrou com quem folgava:


«Bestas são». Dá a entender que não entendem
quão grande suavidade se encerra
na cópula himeneia e ajuntamento.


Mas mores bestas são os que pretendem
buscar contentamento à carne e à terra,
deixando a alma prestes ao tormento.


Sonetos


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Todo es poco lo posible


MOTE ALHEIO


Todo es poco lo posible


GLOSA PRÓPRIA


Ved que engaños señorea
nuestro juicio tan loco!
Que por mucho que se crea,
todo el bien que se desea,
alcanzado, queda poco.
Un bien de cualquiera grado,
si de haberse es imposible,
queda mucho deseado;
mas, para mucho alcanzado,
todo es poco lo posible.


OUTRA


Posible es a mi cuidado
poderme hacer satisfecho,
si fuera posible al hado
hacer no echo lo echo,
y futuro lo pasado.
Si olvido pudiera haber,
fuera remedio sufrible;
mas ya que no puede ser,
para contento me hacer,
todo es poco lo posible.


Redondilhas (Parte II)


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