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quarta-feira, 19 de abril de 2017

Mamãe Eu Quero (Carmen Miranda)



Nota

- Carmen Miranda a portuguesa que se fez cantora no Brasil, aqui a cantar a célebre canção "Mamãe Eu Quero".

- Dedico este vídeo à minha mãe que anteontem e ontem cantou esta canção para mim.  Os doentes, as funcionárias e as enfermeiras que passavam no corredor da casa de saúde onde nos encontrávamos pararam para a ouvir e divertiram-se muito. Foi uma festa à moda da ILDA, da ILDA minha mãe e da ILDA a autora da Marcha de Cangamba.
Rui Moio

Fonte. Youtube.com

Mamãe eu quero

Mamãe eu quero, mamãe eu quero
Mamãe eu quero mamar!
Dá a chupeta, dá a chupeta, ai, dá a chupeta
Dá a chupeta pro bebê não chorar!

Dorme filhinho do meu coração
Pega a mamadeira em vem entra no meu cordão
Eu tenho uma irmã que se chama Ana
De piscar o olho já ficou sem a pestana

Eu olho as pequenas, mas daquele jeito
E tenho muita pena não ser criança de peito
Eu tenho uma irmã que é fenomenal
Ela é da bossa e o marido é um boçal

Fonte da letra: Vagalume

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Poema de Luto Pesado II - [Homenagem de Rodrigo Emílio ao Comandante Francisco Daniel Roxo]

Nota
O Comandante Daniel Roxo faleceu heroicamente em combate e ao serviço da Portugalidade no sul de Angola a 23 de Agosto de 1976. Faz hoje 37 anos.
O grande poeta nacionalista Rodrigo Emílio prestou-lhe esta homenagem que foi publicada no seu livro "Reunião de Ruínas", 1976.
Rui Moio


O teu habitat há-de sempre ser à prova de devassa.
Está nesse mato
Mulato
Em que assentaste praça,
E que já hoje, de raiz, te abraça
- Viriato
Do Niassa!

Ao peso da verde capa de capim, que te revista,
Ou sob o tórrido tampão de terra que assista
À tua ausência
- É de pé, e bem a prumo, que o teu corpo agora jaz!

E, ao terrorista
Sem rumo,
Ainda hoje impões tenência
E passo atrás!

Tu cuidaste apenas de arriscar a pele…
Até ao fim, fizeste a guerra
Por amor de um país chocho,
E frouxo,
Hoje por hoje entregue à cobardia.

(ouves-me aí, Daniel,
DANIEL ROXO?...

- Esta pobre terra não te merecia!)

Mas, lá do regaço – ingrato –
Desse mato tropical,
Em que tu, afinal, ficaste intacto
- Já nem a própria morte te rechassa,
Viriato
Do Niassa!

E daí que eu cante
E que te conte,
Comandante,
No horizonte d´este instante
Sem horizontes defronte;
E que daqui em diante
Não me cale –
Em recado encomendado
Para o solo, sacral
E tão sagrado,
Ao colo do qual Já tu estás soldado.
Vivo horas d´um Outro Horto
Mortal,
Meu herói morto…

Irado,
Absorto e reclinado
Sobre a sombra do teu corpo
Ou aos pés da tua alma
Ajoelhado,
Eu sei que estou, afinal,
Perante o desconforto,
Sem igual,
De ver baixar ao teu coval,
Portugal amortalhado!

Acolhe-te, agora à sombra lisa d´uma lousa.
E, na sempre abrasadora asa da brisa,
Em paz repousa
De todo o esforço quinto-imperial,
Que tens levado.

Dá longas tréguas de sono
A esse teu corpo moço
- De colono
E de colosso;
De soldado
Ao solo dado!...

Fonte: Blogue "Dos Veteranos da Guerra do Ultramar  (1959 a 1975)"

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Sorriso Audível das Folhas

A Teca, proprietária do blogue "Sedimentos", mais uma vez nos surpreende com uma harmoniosa combinação de poesia e imagem: o poema "Sorriso Audível das Folhas" de Fernando Pessoa e o campo vermelho de papoilas. 
Um dia, também eu me surpreendi com um campo vermelho de papoilas e também tirei uma fotografia; e isso foi em Vendas Novas num terreno baldio pegado a uma antiga vivenda perto da estação dos caminhos de ferro onde por décadas viveu e criou família um meu tio-avô.
Rui Moio

foto: amapolas - presente do amigo ANTONIO CAMPILLO

Não és mais que a brisa ali
Se eu te olho e tu me olhas,
Quem primeiro é que sorri?
O primeiro a sorrir ri.

Ri e olha de repente
Para fins de não olhar
Para onde nas folhas sente
O som do vento a passar
Tudo é vento e disfarçar.

Mas o olhar, de estar olhando 
Onde não olha, voltou 
E estamos os dois falando 
O que se não conversou 
Isto acaba ou começou? 

quinta-feira, 10 de junho de 2010

António Manuel Couto Viana (1923-2010)

Nota
António Manuel Couto Viana, um homem que comecei a admirar pela sua poesia patriótica e nacionalista quando eu tinha apenas uns 14 ou 15 anos. Após o 25 de Abril de 1974 admirei-o ainda mais por se manter integro e coerente perante todas as campanhas que lhe moveram para o silenciarem.
Há menos de três anos tive o privilégio e a suprema honra de o conhecer pessoalmente. Então, apercebi-me da sua grande humanidade e simplicidade. De admirador, tornei-me amigo e amigo para sempre.

O que resta da nossa nação acaba de perder um dos maiores vultos nacionais de todos os tempos. A nossa Pátria está muito mais pobre com a perda deste homem de letras e de virtudes. Perdeu-se também um homem que, nestes tempos de cobardia e negação da Pátria, se manteve como um homem de "H" grande.
Obrigado meu poeta e meu mestre.
Rui Moio

via Comunidades - RTP by Irene Maria F. Blayer on 6/9/10

"O escritor António Manuel Couto Viana morreu esta tarde aos 87 anos no Hospital de Santa Maria, em Lisboa."(via Público 8-6-2010).



As nossas condolências à família de António Manuel Couto Viana.


Este é um momento de forte emoção, e em homenagem a este grande poeta, escritor, dramaturgo, ensaísta, encenador e tradutor, deixamos o leitor com estes links do Público, e da Associação Portuguesa de Poetas (http://appoetas.blogs.sapo.pt/) onde se destaca referência à sua obra.
Da sua poesia saliento e transcrevo aqui este poema que António Manuel Couto Viana dedicou ao seu querido Amigo, Eduíno de Jesus. É natural que os seus amigos se sintam com os mesmos sentimentos de quem está de luto.

Ilha de São Miguel
Para Eduíno de Jesus

António Manuel Couto Viana


Vejo os romeiros da Semana Santa
Atravessando os campos plo sol-posto:
O cajado na mão; ao ombro, a manta,
E a fé em cada rosto.

Na alba do domingo, assisto
(Ainda luzem estrelas)
À missa cantada ao Senhor Santo Cristo,
Entre a pompa dos oiros, flores e velas.

À porta do Convento da Esperança,
Rezo ao banco de Antero.
A sua alma, em paz, ali descansa,
Depois do tiro do desespero.

E a paisagem bucólica,
Com lagoas de névoas e frescuras,
Melancólica,
Escorre das alturas.

Até onde o olhar se perde,
Vacas pretas e brancas
Mancham o pasto verde,
De úberes túmidos, de pesadas ancas.

Tão alvas e tão azuis, nas bermas das estradas,
As hortenses floriram os fuzis liberais,
Por serem dessas cores as bandeiras ousadas
Que iriam invadir as areias e os cais.

Enfeitam-na, também, as rosas do Japão
(Vai-lhe bem o cetim!).
E respira da boca do extinto vulcão
Hálitos de jardim.

Nas Furnas,
Arde o coração da terra.
E, das caldeiras soturnas,
Um fumo sobe, ondula e erra.

Fui ao Nordeste, um dia,
Comer cracas, beber vinho de cheiro,
Enquanto a Ilha bebia
Nevoeiro.
E porque não beber chá
(Chá chinês da Gorreana):
O Oriente que dá
Delicadeza à flora açoriana?

Beber, na estufa, até, um sumo de ananaz,
Como um sol ruivo, acre e tropical
Que ao severo da Ilha satisfaz
a sede sensual.

No sabor das bananas, que novos exotismos!
Verdes, se verdes, depois, doiradas,
Frente a espessuras, prados, abismos,
Fontes, levadas...

Ilha a emergir da espuma,
Sê sinal de salvação:
Traz-me, perdido na bruma,
El-Rei Dom Sebastião.

(20.2.08)

António Manuel Couto Viana "Sobre Eduíno de Jesus". Eduíno de Jesus: A ca(u)sa dos Açores em Lisboa - homenagem de amigos e admiradores. Eds. Onésimo T. Almeida e Leonor Simas-Almeida. Terceira: IAC, 2009. 32-33.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

SONS DE ANGOLA DENTRO DE MIM

Nota
Descobri encantado um homem interessante!... Bebeu a água do Kuanza e fez-se poeta. Falo de José Sousa. Para os exilados de África ou de Angola, ou de Moçambique, ou da Guiné, ou de Cabo Verde, ou de São Tomé e até de Timor ou de Macau... como caiem fundo estas palavras: "Sons de Angola dentro de mim"!...
Rui Moio

via Angola eu te amo by José Sousa on 5/26/10

Tenho os sons de Angola
Dentro de mim...

Quando a noite cai
Chegam-me ecos
de Katxa-Katxas
e Reco-Recos
Mpwitas e Tchingufos
E mãos voando
Sob a força de Marufos.
Chegam-me sons...
De Marimbas
Cruzando com Kissanges

Tenho os sons de Angola
Dentro de mim...

E quando
O Grande Tocador me chamar
Irei, de guizos nas mãos
De boca sorridente
Juntar-me... aos meus irmãos
Na Grande Festa
Na Angola mais Deserta.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Ler


Ler um livro
É sempre um bom amigo para se ter,
não há nada como isolar-nos e ler.
É um refúgio para se espairecer,
de problemas que queremos esquecer.
É uma fonte fresca de prazer,
palavras que são água para beber,
que refrescam o nosso ser.
Ler ajuda-nos a crescer,
muda, a nossa maneira de agir e ser,
de falar e escrever.
Uma saudável actividade de lazer,
que todos deveriam fazer...

OBS: Adaptação a formato em verso de Rui Moio
Fonte: Frederico Pereira in jonal Metro de 16Out2009, pág 8. (formato em prosa)

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Sentires Sentidos contemplado com o Prémio "Blog de Ouro"

O Sentires Sentidos recebeu do Blogue Angola: os poetas o Prémio "Blogue de Ouro" que muito agradece.

Eis as regras:

1. Exiba a imagem do selo “Blog de Ouro”;
2. Poste o link do blog de quem te indicou;
3. Indique 5 blogs de sua preferência;
4. Avise seus indicados;
5. Publique as regras;
6. Confira se os blogs indicados repassaram o selo.

Os blogues indicados são:

sábado, 8 de agosto de 2009

Carta de Um Contratado

Carta de um contratado - Poema de António Jacinto, música de Travadinha e declamação do saudoso e único José Ramos.
Rui Moio


via O Lupango da Jinha em 07/08/09
Eu queria escrever-te uma carta amor, uma carta que dissesse deste anseio de te ver deste receio de te perder deste mais bem querer que sinto deste mal indefinido que me persegue desta saudade a que vivo todo entregue... Eu queria escrever-te uma carta amor, uma carta de confidências íntimas, uma carta de lembranças de ti, de ti dos teus lábios vermelhos como tacula dos teus cabelos negros como dilôa dos teus olhos doces como maboque do teu andar de onça e dos teus carinhos que maiores não encontrei por aí... Eu queria escrever-te uma carta amor, que recordasse nossos tempos na capopa nossas noites perdidas no capim que recordasse a sombra que nos caía dos jambos o luar que se coava das palmeiras sem fim que recordasse a loucura da nossa paixão e a amargura da nossa separação... Eu queria escrever-te uma carta amor, que a não lesses sem suspirar que a escondesses de papai Bombo que a sonegasses a mamãe Kieza que a rel...

segunda-feira, 18 de maio de 2009

FESTA DA VIDA

Bonito poema da Arminda Branca. São palavras sentidas para alguém que tanto deu aos que tanto sofrem. E lá onde está continua presente entre os vivos pelo exemplo de força, de alegria, de estímulo, de dádiva... Obrigado Arminda Branca, obrigado Salvador.
Rui Moio

via Brancamar de Brancamar em 17/05/09
(Lembrando Salvador Vaz da Silva e o dia 18 de Maio de 2008)

Há uma saudade que trago
da entrega e da paz
com que em cada dia
caminhamos e crescemos
por caminhos de Luz…

Há uma saudade em mim
que neste dia me lembra sorrisos
vida, alegria, amizade
partilha dos sonhos vividos
caminhos de generosidade…

Há uma certeza que trago
nos dias por onde caminho,
de que na força que quero dar
há uma "Luz terna e suave",
que dá brilho ao meu olhar…

E é essa "LUZ" que permanece
e nos leva mais longe…

Arminda Branca M.V. Pinto
Gondomar, 18 de Maio de 2009

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Ich hab dich so lieb

Vamos lá a um exercício de tradução, traduzam para português este lindo poema!...
Rui Moio

Ich hab dich so lieb
Ich habe dich so lieb!
Ich würde dir ohne Bedenken
eine Kachel aus meinem Ofen
schenken.

Ich habe dir nichts getan.
Nun ist mir traurig zu Mut.
An den Hängen der Eisenbahn
leuchtet der Ginster so gut.

Vorbei - verjährt -
Doch nimmer vergessen.
Ich reise.
Alles was lange währt,
ist leise.

Die Zeit entstellt
alle Lebewesen.
Ein Hund bellt.
Er kann nicht lesen.
Er kann nicht schreiben.
Wir können nicht bleiben.

Ich lache.
Die Löcher sind die Hauptsache
an einem Sieb.

Ich hab dich so lieb.


terça-feira, 18 de novembro de 2008

CREDO IN UNUM DEUM

Senta-te aí, fecha os olhos, alerta os teus ouvidos e ora comigo esta oração: CREDO IN UNUM DEUM.
Irmana-te com os Apóstolos ouvindo e pronunciando as mesmas palavras, os mesmos sons!...Estou certo que isto te dará paz... e, se, na solidão da oração, uma lágrima te rolar pela face, verás que te fará bem!... Sentirás que DEUS está contigo.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Angola é Nossa

Senta-te aí camarada e ouve esta canção. E, leva-a aos teus filhos e aos teus netos e aos amigos novos que não sabem como era Portugal!
Imagina, camarada, que a nossa Pátria ainda existe... Tem esperança que um dia ainda vamos ter de novo o Nosso Portugal, o único que existe e que é o que vai do Minho a Timor.
Rui Moio

domingo, 20 de julho de 2008

MACONGÍADAS – Canto Quarto

Que Maravilha! Parabéns José Jorge Frade pela publicação deste bonito poema.
Rui Moio

via PoeMaconge by noreply@blogger.com (José Jorge Frade) on 7/15/08

I

Desde então muitos anos já rolaram
Sobre nós mil desgraças se abateram!
Nenhum dos maconginos as narraram,
Nem tão pouco nenhuns as descreveram;
Ninguém com tinta e génio as relataram
- Dores e lágrimas que sempre bem esconderam – !
Por isso, uma vez mais aqui estou eu
P'ra contar como tudo aconteceu!

II

Sobre o reino caíra a letargia
Bem como já um certo esquecimento
Que se ia acentuando dia a dia,
Imbuído de saudade e sofrimento!
Faltavam novo fôlego e energia!
Havia que trazer-lhe algum alento!
Em hora benfazeja ele apareceu
E logo, logo tudo renasceu!

III

O Carlos que é também Victória Pereira,
Por achar ser mais chique e de bom tom,
Mudou o nome da família inteira
P'ra ser antes, porém, Mac-Mahon!
Após alguns anitos de canseira
Resolvera voltar a porto bom,
Trazendo em vez da capa e da batina
Um canudo – doutor em Medicina!

IV

E numa jantarada de homenagem,
Co'o Saraiva, Fontoura e o Rogério
O Carlos preparou esta mensagem
(Logo, ali, acatada bem a sério,
Achando boa ideia tal critério):
Que os festins seriam repetidos
E, de vez para vez, mais concorridos!

V

A par de tudo, havia que lutar,
Num desejo par'cendo veleidade,
- E muitos se deixaram arrastar,
Varrendo lés a lés toda a cidade,
Como vento veloz, sempre a soprar,
Num crescendo de força e ansiedade –
P'lo que era desejado e lhe faltava:
O Ensino Superior que a Huíla esperava!

VI

O Rei fora forçado a abalar;
Sua função, até, diminuída,
Mas logo que os arautos foi escutar
Tratou de se empenhar e, de seguida,
Ceptro real tornou a empunhar!
A conselhos sagazes deu guarida
E com a "malta fixe" a aprovar,
Em 70 o Saraiva nomeou,
Vice-Rei que tão bem desempenhou!

VII

Este, então, de mãos livres, já liberto,
Tratou de dilatar o reino seu!
Como era muito fino e muito esperto
Com mestria e saber o engrandeceu!
Criou à sua volta e deu bem certo,
Com um ardor que nunca feneceu,
Sobas fiéis a quem deu mil sobados,
Novos Duques, Barões são nomeados

VIII

Que, pouco a pouco, ergueram a nação!
A côrte até às damas foi aberta
Dando ao reino, afinal, maior expressão!
Quando a trica, que vem de parte incerta,
Começa a semear a confusão,
O melhor a fazer é estar alerta!
Em Luanda qu'ria o Rei a capital,
Decisão que, por certo, caiu mal!

IX

Devido à efervescência assim criada,
D. Caio, o Vice-Rei quis demitir!
Tal atitude, por todos criticada
E que ninguém havia de aplaudir,
Tornou a Academia turba irada
Tal bomba preparada p'ra explodir!
Se do Rei o intento fosse além,
O reino ficaria sem ninguém!

X

Porém, tudo acalmou quando o bom senso
Se sobrepôs àquela confusão!
D. César retratou-se e se bem penso,
O Vice-Rei, agia com razão!
Depois deste período triste e tenso
De mágoas se limpou o coração!
Fez-se, depois, festejo bem bonito
Preparado p'lo Farrica, no Lobito!

XI

Como era de prever, já de antemão,
Os velhos Professor's foram partindo,
Depois, de geração em geração,
Novos valores se foram exibindo,
Como Mestres que deram sua mão,
Ao bom caminho a muitos conduzindo!
Maconge, assim, expandia sua glória,
Mais umas linhas de ouro em sua História!

XII

Quer minuto a minuto, dia a dia,
Tant'outras aventuras se viviam,
Soprando um frenesim na Academia
Que todos experimentavam e sentiam
Num culto de Amizade e de Alegria
- A regra porque todos se regiam –!
De lés a lés bramiam fortes ventos
Tornando os maconginos uns portentos!

XIII

A grandeza do Reino era exigente,
E forçava a criar a sua lei!
E foi assim que, quasi de repente,
O nosso amado Caio – grande Rei –,
Impulsivo quiçá, também prudente,
Movido por si próprio e pela Grei
Ordenou a feitura, co'atenção,
Da base de uma sã Constituição, (*)

XIV

Mas houve novo embate, desta feita,
Estando o Vice-Rei com toda a malta,
Pois a César tomara por desfeita
Que seu filho varão – tremenda falta –
Fosse afastado, longe da ribalta,
Se a morte, disfarçada de maleita,
Viesse p'ra cumprir o seu destino!
Mas seu filho nem era macongino!

XV

Depois de discussão e palratório
Achou-se que a D. Mário e a D. Silveira (**)
Só era permitido – obrigatório –
Concorrerem os dois, de igual maneira!
Acabou-se, por fim, o falatório,
Acabou-se, por fim, a chinfrineira!
Corrigiu-se, por isso, o que era mal,
Com decisão deveras curial!

XVI

Também nestes debates se assentou
Que além destes, tant'outros, se quisessem
O trono, que a celeuma levantou,
Podiam ocupar, desde que dessem
As provas que o passado alicerçou,
P'ra que, ali, as disputas logo cessem!
E, de novo, voltou a calmaria
Por todos recebida co'alegria!

XVII

Mas nem tudo era farra ou só Entrudo!
Havia muito mais do que aparência!
Forçoso era criar bolsas de estudo
Para os pobres de viva inteligência!
Ajudar sim, ajudar mesmo em tudo,
Suprindo, se possível, a carência!
Um lema a que Maconge não fugiu,
Um lema que, aliás, sempre cumpriu!

XVIII

Varrida por lufadas de bom ar,
Já se divisa enorme sementeira
Que o reino teimará em alargar,
Cobrindo, pouco a pouco, a terra inteira!
Outros, por exemplo, o Arrimar,
Mudaram-se p'ra China, tão estrangeira
E arrostando até com o que era mau,
São bem Maconge em solo de Macau!

XIX

O futuro, porém, fero e cruel,
Preparava p'ra nós, – oh quem diria –,
Disfarçado de sonhos e de mel,
Arrotando à mais vã democracia,
A partida tão vil que conteria
O travo bem amargo que há no fel,
Roubando (que tragédia que isto encerra!)
Angola Portuguesa – a Nossa Terra! –

XX

Depois o caos, a guerra, o desvario
Caíram sobre o povo macongino!
P'ra muitos, um caixão soturno e frio;
Mas outros, bafejados p'lo destino,
Apesar do tremendo desatino,
Puderam afastar o negro trio,
Talvez por ser diferente a sua sorte:
A Fome, a Peste, sem faltar a Morte!

XXI

A trágica diáspora nasceu,
Embora em todo o mundo, mais aqui!
Mas Maconge, porém, não esmoreceu,
Por tudo o que já sei e p'lo que vi!
Mais desgraça nos ombros se abateu
Dando tristeza que também senti:
Morreu o Rei, de dor e de revolta!
Mas paira a sua sombra à nossa volta!

XXII

A dor, a pouco e pouco mais esbatida
Parecia como um sonho de mau sono;
Era preciso prosseguir na vida
E encontrar quem ocupasse o trono!
E nas Côrtes de Coimbra é decidida
Escolha dum rei activo e não um mono!
Como uma só voz se levantasse
Pediram ao Saraiva que aceitasse
Todos queriam, num coro bem perfeito,
Que Saraiva, monarca fosse eleito!

XXIII

Este, porém, num gesto de humildade,
Não aceitou tamanha distinção!
Provou ser bem modesto e sem vaidade
Quando tomou tão sábia decisão:
Vice-Rei só, enquanto a sanidade
Da sua alma e corpo tem na mão!
P'ra governar o mundo macongino
Era capaz, sagaz, de muito tino!

XXIV

D. Roberto, talvez como excepção,
O trono de seu pai não quis tomar,
Declinando – que boa solução
Por tudo resolver, facilitar –
No outro candidato, a votação
Que a seguir se viria a efectuar!
Por isso, D, Saraiva volta à liça,
Figura alta, esguia e inteiriça!

XXV

Haveria um só Rei e mais nenhum!
Vice-Reis sim, assim ficou assente!
D. Caio era sempre o número um,
A figura de proa, o eminente!

Não existe acto algum, mas mesmo algum,
Que, em retrato, não esteja ali presente,
Parecendo que escutamos sua alma,
A todos transmitindo a sua calma!


(*) Nas Côrtes Gerais, de 1971, fez-se a aprovação da Lei Fundamental do Reino.
(**) D. Roberto Silveira já julgado e considerado Macongino Honoris Causa é, nas mesmas Côrtes, elevado à categoria de Príncipe Real.
Obs.: O Rei faleceu em 1977 e as Côrtes reuniram-se, em Coimbra, em 1978.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Os Lusíadas - última estrofe

Stefan Sweig e a sua segunda esposa suicidam-se a 22Few1942 em Petrópolis

No mar, tanta tormenta e tanto dano,
tantas vezes a morte apercebida;
Na Terra tanta guerra, tanto engano,
tanta necessidade aborrecida!
Onde pode acolher-se um fraco humano?
Onde terá segura a curta vida,
Que não se arme e se indigne o céu sereno
Contra um bicho-da-terra tão pequeno?

Nota: os quatro últimos versos - em caligrafia gótica e emoldurados – estavam pendurados na parede do quarto de dormir de Stefan Zweig na sua casa de Petrópolis).
Rui Moio

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Con te partirò

Não me digam que nestas vozes. nestas expressões de carinho, nestes corpos esbeltos, na letra desta música não se ilumina perante nós a face de DEUS!?
Rui Moio



Con te partirò

con te partirò
paesi che non ho mai
veduto e vissuto con te
adesso sì li vivrò
con te partirò
su navi per mari
che io lo so
no no non esistono più
con te io li vivrò

quando sei lontana
sogno all'orizzonte
e mancan le parole
e io sì lo so che sei con me, con me
tu mia luna tu sei qui con me
mio sole tu sei qui con me, con me, con me, con me

Quando sono solo
sogno all'orizzonte
e mancan le parole
sì lo so che non c'è luce
in una stanza quando manca il sole
se non ci sei tu con me, con me

su le finestre
mostra a tutti il mio cuore
che hai acceso
chiudi dentro me
la luce che
hai incontrato per strada

Autores: Francesco Sartori e Lucio Quarantoto, 1995.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Sentires Sentidos - actividade no período de 01 a 31 de Março de 2008


Fonte: Google Analityc

Nota Pessoal
Ordem descrescente de visitantes:
1. Portugal
2. Brasil
3. Estados Unidos da América
Rui Moio

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

NUNCA DESISTAS

Quando a vida vai mal, como acontece às vezes,
Quando a estrada que trilhas tem mágoas e revezes,
Quando o dinheiro é pouco e as dívidas são altas,
Quando tu queres sorrir e em dor te sobressaltas,
Quando o medo te oprime e a esperança mal avistas,
Então descansa um pouco, sim, mas não desistas.


Que o sucesso ou fracasso não te iludam jamais!
Quando em vez de te abrir te fechas ainda mais,'
E o cinzento doentio das nuvens te amargura,
Se nos olhos não vez amor nem ternura,
E tudo o que tens perto te parece afastado,
Então, enfrenta a luta, mesmo triste e magoado,
E se alguém te disser com pena: "Não resistas"
Outra voz gritará, mais forte: "Não desistas"


Fonte: Blogue "Blog do Quinze de 75" - Post de 20Jan2007


Nota Pessoal

Hoje, à tardinha, tive a sorte e a alegria de conhecer uma pessoa extraordinária, um patriota, um herói nacional, um comando, um militar em todo o sentido da palavra, um homem de letras e um poeta. Alguém que pensa que um militar escolheu um modo de morte e não um modo de vida.

Pouco depois, pesquisei na net pelo seu nome e pela sua obra e, entre outras coisas, encontrei este poema maravilhoso. Bem Haja coronel Roberto Durão. Obrigado pelo exemplo de vida e de amor pátrio que nos dá.

Rui Moio

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

El Albaicín

Solo
camina el solitario
pisa las piedras
del Albaicín
la noche es dulce
es fresca
es quieta la brisa
de otra noche
sonada
la silenciosa música
no suena
pero suena
el corazón
es un tambor
en el desierto
solo
el solitario te recuerda
toca
tu lejano cielo
con manos de sonámbulo
pulsa
el olvidado plectro
tane
tus pectos cervatillos
tu esplendor nocturno
pero solar
el hijo de la música
se desliza
lleva la brisa trae
recuerdos
la suave flor pequena
tres flores
iluminam
el solitario paso
la pisada
las piedras del Albaicín
acá y allá
la llama
de un amor y otro y otro
la llama dulce
que no quema
oh sueno sueno sueno
oh vida oh muerte
una vez y otra vez
te afrima la palabra
pisas las piedras
resplandor de la luz

Fonte: Dn volumul / Du volume En al-Andalus de Miguel Ángel Fernández Arguello - poeta do Paraguay in Ars Amandi - Poèmes - Festival Internacional de Poésie du monde latin.


Nota Pessoal
Poema de um poeta paraguaio que, como eu e tantos outros, sentiu fascínio e magia quando pisou as velhas pedras das calles do bairro Albaicín de Granada.
Rui Moio

Postado por Moio no Alma Viva às 1/13/2007 04:33:00 PM

Marcadores: Literatura

Homo Fortis

Nunca la duda
penetrará su piel
(tan dura como el hierro
de sus garrotes,
tan sucia
como el agua pútrida
de sus "bombas
contra incendios),
nunca vacilará
en esculpir la orden
ejemplar,
el vómito de mando
contra la subversión
(el caos que amenaza
su "paz",
su digestión,
sus privilegios),
esa palabra inquietante
con que justifica
la punición
(o sea la tortura,
la cárcel,
el destierro,
la muerta)
del culpable,
sonador execrable
de extranos mundos prohibidos;
el hombre libre.

Fonte: Poema do poeta paraguaio Miguel Ángel Fernández Arguello - Din Volumul / Du volume El Fuego in ARS Amandi - Festival international de poésie du monde latin

Postado por Moio no Alma Viva à 1/13/2007 05:58:00 PM

Marcadores: Literatura

Matem, homens do Exército Vermelho, matem!

Matem, homens do Exército Vermelho, matem!
Nenhum fascista é inocente, quer esteja em vida quer
esteja por nascer. Matem!

Fonte: A batalha de Berlim de Andrew Tully, pág. 11.

Nota Pessoal
Supostamente, os soldados soviéticos teriam interiorizado estes versos do grande poeta soviético Ilya Ehrenburg, tão na moda ao tempo da ocupação de Berlim pelo Exército Vermelho.

Rui Moio



Da sua vasta obra destacam-se as suas memórias e a Queda de Paris.
Rui Moio

Postado por Moio no Alma Viva às 1/13/2007 06:54:00 PM

Marcadores: Literatura

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