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domingo, 27 de julho de 2008

Trecho de (...) Sertão em Flor

Vassuncês diga o que é

Vassuncês diga o que é
Um coração de home véio
Que quanto mais véio fica,
Mais aprecia uma muié!

Vassuncês ri? Falo sério.

O coração do home véio
é um burro véio trotando,
dáqui e dali trupicando
na derradeira viage,
que faz lá prô cimitério,
comendo pelos caminhos
um resto seco de espinho
que vae topando no chão ,
bebendo uns pingo de orváio
dos óios – as duas cacimbas
da fonte do coração! ....

Em riba dúma cangáia
duas muié carregando
cum o peso todo da idade:
uma, já morta: a Esperança,
outra, inda viva: a Saudade,...

Até cair cum a Esperança
e o cadáver da Saudade
e os frutos podre dos anos
que ele leva no jacá,
prá arrecebê, afiná,
o beijo de amô da boca
da namorada dos véios,
que toda mágua alivia,
que toda a pena consola!...
A Morte, patrão, a Morte!
essa cabloca fié!
Muda... Surda...Cega e fria,
que depois de uma viola,
é a mais mió das muié.

Fonte_ Grupo Yahoo Observatório Sociológico - post de Rui Mendes de 27Jul2008

domingo, 19 de agosto de 2007

A LAGOA

Tu não tá vendo a lagoa,
aquela lagoa mansa
que parece uma criança
que tá durmindo, a sonhá?

As água tá tão serena,
que a mode que a biririba
caiu do céu, lá de riba,
pra todo o céu espeiá.

Mas porém óia, arrepara,
que basta só um beijinho,
um leve suspirozinho
do vento que não se vê,
pra aquela lagoa mansa,
tão serena e assocegada
ficá toda arrepiada
com as água toda a tremê!...

Pode sê uma bestera
mas porém é uma verdade
aqueilo que eu vô dizê:
vai caminhando... caminha...
Quando tu chegá na bera
daquela mansa rebera
espia, que tu verá,
no fundo daquelas água
tão serena e tão quilara
a cara da tua cara
lá no fundo a te ispiá!
Ou seje bunita ou feia,
tua cara, que parece
a cara da lua cheia,
tá ali... num sai do lugá.
Fica ispiando pra cara,
que a cara fica a ti oiá!

Mas caminha, vai-te embora,
que eu juro pru São Jerome
que a tua cara se assome,
que nem fica sombra inté!
Aquilo que fez cuntigo
ispeiando o teu sembrante,
faz cum outro caminhante,
o primeiro que vinhé.
Apois, aquela lagoa
é o coração da muié...

...............................................

Esta história da lagoa
num tá dentro da verdade.
Apois, se o home ispiasse
somentes numa lagoa
e junto dela ficasse
dia e noite, noite e dia
de sentinela e de espia,
eu juro pru Jesu-Cristo
e a Santa Virge-Maria
que a cara do descarado
nunca mais de lá saía!...
Mas, se em todas as lagoa,
de água limpa ou chavascá,
o home qué vê a cara,
o home qué espiá...
Eu vô fechá minha boca
pruque vanceis tá bém vendo
adonde eu quero chegá...

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Luar do Sertão

Ó! que saudade
do luar da minha terra,
lá na serra,
branquejando folhas secas
pelo chão!
Este luar, cá da cidade,
tão escuro,
não tem aquela saudade
Do luar
lá do sertão

Estribilho
Não há (Bis)
Ó gente
Ó não
luar,
Como esse
Do sertão

Se a lua nasce
por detrás da verde mata
mais parece
um sol de prata,
prateando
a solidão!
E a gente pega na viola,
que ponteia,
e a canção
é a lua cheia,
a nos nascer
do coração!

Quando vermelha,
no sertão
desponta a lua,
dentro d’alma
onde flutua,
também
rubra.
nasce a dor!
E a lua sobe...
E o sangue muda
em claridade!...
E a nossa dor
muda
em saudade...
branca...
assim...
da mesma
cor!!!

Ai! Quem me dera
que eu morresse lá na serra,
abraçado à minha terra,
e dormindo de uma vez!
Ser enterrado
numa grota pequenina,
onde, à tarde,
a sururina
chora a sua viuvez!

Diz uma trova,
que o sertão todo conhece,
que, se à noite,
o céu floresce,
nos encanta,
e nos seduz,
é porque rouba dos sertões
as flores belas
com que faz essas estrelas
lá do seu jardim de luz!!!

Mas como é lindo ver,
depois,
por entre o mato,
deslizar,
calmo,
o regato,
transparente como um véu,
no leito azul das suas águas,
murmurando,
ir, por sua vez,
roubando
as estrelas
lá do céu!!!

A gente fria
desta terra,
sem poesia,
não se importa com esta lua,
nem faz caso do luar!
Enquanto a onça,
lá na verde capoeira,
leva uma hora
Inteira,
vendo a lua,
a meditar!

Coisa mais bela neste mundo
não existe,
do que ouvir
um galo triste,
no sertão,
se faz luar!!!
Parece até que a alma da lua
é que descanta,
escondida
na garganta
desse galo
a soluçar!

Se Deus me ouvisse
com amor
e caridade, me faria
esta vontade,
- o ideal do coração!
Era que a morte,
a descantar,
me surpreendesse,
e eu morresse,
numa noite de luar,
no meu sertão!

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