Já não ouso... já não coras...
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
QUIETUDE
Já não ouso... já não coras...
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
VERSOS A UMA ÁRVORE
- brota da terra, cresce, reverdece e enflora!
ontem,
- pequeno arbusto humilde e pequenino,
tronco a elevar-se altivo pelo espaço, -
agora...
Naquela árvore vejo a minha própria vida,
veio do mesmo pó de onde todos brotamos,
e no esforço da luta
e na ânsia da subida
desconjuntou seus galhos...
retorceu seus ramos! ...
Em mim,
o homem rasgou minha alma
e a encheu talvez de feridas mortais e eternas cicatrizes nela,
- o tronco marcou, quebrou seus ramos,
fez talhos por onde foge a seiva das raízes...
Naquela árvore humana um destino se encerra:
para viver: - lutou! ... para subir: - sofreu!...
E transformou em flor e em fruto o húmus da terra,
e indiferente, ao mundo, os ofertou como eu!
Se se cobriu de folhas,
de botões surgidos à flor da fronde assim como pingos de aurora,
- por dentro, os galhos tortos, rudes, retorcidos,
são as ânsias de dor que ninguém vê por fora...
Por consolo, - quem sabe?
- a Natureza deu ao peito de alguns homens coração de poeta,
assim como as ramagens do arvoredo,
encheu com a música das aves, gorjeante e inquieta...
Naquela árvore,
vejo a minha própria vida;
no ser: - a mesma seiva bruta e dolorida;
na face: - a fronde em flor sob a luz e os orvalhos...
E o seu consolo e o meu, e o consolo da gente,
são os pássaros a encher de sons alegremente as dores e as torturas íntimas dos galhos!
Fonte: Sedimentos, post de 27Jun2010
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Se...
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Tão simples este amor nasceu... Nós nem notamos
quinta-feira, 9 de abril de 2009
Ouve estes versos que te dou, eu
terça-feira, 31 de março de 2009
O verbo amar
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Gostaria
Queria compartilhar contigo os momentos mais simples
e sem importância.
Por exemplo:
sair contigo para passear, sentir-te apoiada em meu braço,
ver-te feliz ao meu lado
alheia a todo mundo que passasse.
Gostaria de sair contigo para ouvir música, ir ao cinema,
tomar sorvete, sentar num restaurante
diante do mar,
olhar as coisas, olhar a vida, olhar o mundo
despreocupadamente,
e conversar sobre "nós" – esse "nós" clandestino
que se divide em "tu e eu"
quando chega gente.
Encontrar alguém que perguntasse: "Então, como vão vocês?"
E me chamasse pelo nome, e te chamasse pelo nome
e juntasse assim nossos nomes, naturalmente,
na mesma preocupação.
Gostaria de poder de repente te dizer:
Vamos voltar pra casa...
( Como se felicidade pudesse ser uma coisa
a que tivéssemos direito como toda gente)
Queria partilhar contigo os momentos menores
da minha vida,
porque os grandes já são teus.
J. G. de Araújo Jorge - do livro – A Sós – 1958 )
Fonte: Site JG - J. G. de Araújo Jorge - Poesias seleccionadas
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Gosto de ti desesperadamente
Gosto de ti desesperadamente:dos teus cabelos de tarde onde mergulho o rosto,
dos teus olhos de remanso onde me morro e descanso;
dos teus seios de ambrosias, brancos manjares trementes
com dois vermelhos morangos para as minhas alegrias;
de teu ventre - uma enseada - porto sem cais e sem mar -
branca areia à espera da onda que em vaivém vai se espraiar;
de teu quadris, instrumento de tantas curvas, convexo,
de tuas coxas que lembram as brancas asas do sexo;
- do teu corpo só de alvuras - das infinitas ternuras
de tuas mãos, que são ninhos de aconchegos e carinhos,
mãos angorás, que parecem que só de carícias tecem
esses desejos da gente...
Gosto de ti desesperadamente;
gosto de ti, toda, inteira nua, nua, bela, bela,
dos teus cabelos de tarde aos teus pés de Cinderela,
(há dois pássaros inquietos em teus pequeninos pés)
- gosto de ti, feiticeira,
tal como tu és...
Fonte: Blogue AMORE - post de 01Nov2008




