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sexta-feira, 16 de novembro de 2012

QUIETUDE

foto: internet

E então ficamos os dois em silêncio,
tão quietos como dois pássaros na sombra,
recolhidos ao mesmo ninho,
como dois caminhos na noite,
dois caminhos que se juntam num mesmo caminho...
Já não ouso... já não coras...
E o silêncio é tão nosso,
e a quietude tamanha que qualquer palavra bateria estranha como um viajante,
altas horas...
Nada há mais a dizer,
depois que as próprias mãos silenciaram seus carinhos...
Estamos um no outro como se estivéssemos sozinhos...

Fonte: Blogue "Sedimentos", post de 03Jul2012.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

VERSOS A UMA ÁRVORE

foto: internet

Naquela árvore vejo o meu próprio destino: 
- brota da terra, cresce, reverdece e enflora! 

ontem, 

- pequeno arbusto humilde e pequenino, 
tronco a elevar-se altivo pelo espaço, - 

agora... 

Naquela árvore vejo a minha própria vida, 
veio do mesmo pó de onde todos brotamos, 
e no esforço da luta 
e na ânsia da subida 
desconjuntou seus galhos... 
retorceu seus ramos! ... 

Em mim, 
o homem rasgou minha alma 
e a encheu talvez de feridas mortais e eternas cicatrizes nela, 
- o tronco marcou, quebrou seus ramos, 
fez talhos por onde foge a seiva das raízes... 

Naquela árvore humana um destino se encerra: 
para viver: - lutou! ... para subir: - sofreu!... 
E transformou em flor e em fruto o húmus da terra, 
e indiferente, ao mundo, os ofertou como eu! 
Se se cobriu de folhas, 
de botões surgidos à flor da fronde assim como pingos de aurora, 
- por dentro, os galhos tortos, rudes, retorcidos, 
são as ânsias de dor que ninguém vê por fora... 

Por consolo, - quem sabe? 
- a Natureza deu ao peito de alguns homens coração de poeta, 
assim como as ramagens do arvoredo, 
encheu com a música das aves, gorjeante e inquieta... 

Naquela árvore, 
vejo a minha própria vida; 
no ser: - a mesma seiva bruta e dolorida; 
na face: - a fronde em flor sob a luz e os orvalhos... 
E o seu consolo e o meu, e o consolo da gente, 
são os pássaros a encher de sons alegremente as dores e as torturas íntimas dos galhos!

Fonte: Sedimentos, post de 27Jun2010

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Se...

Se perguntassem ao marinheiro
como gostaria que fosse o seu instante derradeiro
ele diria: o mar 

Se perguntassem ao aviador onde e como desejaria
o seu último dia,
por certo responderia:
no ar!

Para seus dias terminar
o marinheiro: quer o mar;
o aviador: os espaços

Eu... se pudesse escolher
uma forma de morrer,
queria morrer de amor
em teus braços...


quarta-feira, 13 de maio de 2009

Tão simples este amor nasceu... Nós nem notamos

Tão simples este amor nasceu... Nós nem notamos
que era amor e afeição que aos poucos nos prendia...
O amor, - é aquela flor que engrinalda dois ramos
aos esponsais de luz do sol de cada dia!

Dois ramos, - eu e tu, - e as horas desfolhamos
numa doce, irrequieta e impensada alegria,
- e assim vamos vivendo, e a viver, acenamos
sonhos verdes aos céus azuis da fantasia!

Tão simples este amor nasceu... Tal como nasce
um beijo em tua boca, um riso em tua face,
uma estrela no céu... ou uma flor de um botão.. .

Nem era necessário mesmo eu te falar,
se já o tens transformado em luz no teu olhar,
e eu, já o sinto a cantar, dentro do coração!


quinta-feira, 9 de abril de 2009

Ouve estes versos que te dou, eu

Ouve estes versos que te dou, eu
os fiz hoje que sinto o coração contente
enquanto teu amor for meu somente,
eu farei versos...e serei feliz...

E hei de fazê-los pela vida afora,
versos de sonho e de amor, e hei depois
relembrar o passado de nós dois...
esse passado que começa agora...

Estes versos repletos de ternura são
versos meus, mas que são teus, também...
Sozinha, hás de escutá-los sem ninguém que
possa perturbar vossa ventura...

Quando o tempo branquear os teus cabelos
hás de um dia mais tarde, revivê-los nas
lembranças que a vida não desfez...

E ao lê-los...com saudade em tua dor...
hás de rever, chorando, o nosso amor,
hás de lembrar, também, de quem os fez...

Se nesse tempo eu já tiver partido e
outros versos quiseres, teu pedido deixa
ao lado da cruz para onde eu vou...

Quando lá novamente, então tu fores,
pode colher do chão todas as flores, pois
são os versos de amor que ainda te dou.


terça-feira, 31 de março de 2009

O verbo amar

Te amei: era de longe que te olhava
e de longe me olhavas vagamente...
Ah, quanta coisa nesse tempo a gente sente,
que a alma da gente faz escrava.

Te amava: como inquieto adolescente,
tremendo ao te enlaçar, e te enlaçava
adivinhando esse mistério ardente
do mundo, em cada beijo que te dava.

Te amo: e ao te amar assim vou conjugando
os tempos todos desse amor, enquanto
segue a vida, vivendo, e eu, vou te amando...

Te amar: é mais que em verbo é a minha lei,
e é por ti que o repito no meu canto:
te amei, te amava, te amo e te amarei!


sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Gostaria

Queria compartilhar contigo os momentos mais simples
e sem importância.
Por exemplo:
sair contigo para passear, sentir-te apoiada em meu braço,
ver-te feliz ao meu lado
alheia a todo mundo que passasse.

Gostaria de sair contigo para ouvir música, ir ao cinema,
tomar sorvete, sentar num restaurante
diante do mar,
olhar as coisas, olhar a vida, olhar o mundo
despreocupadamente,
e conversar sobre "nós" – esse "nós" clandestino
que se divide em "tu e eu"
quando chega gente.

Encontrar alguém que perguntasse: "Então, como vão vocês?"
E me chamasse pelo nome, e te chamasse pelo nome
e juntasse assim nossos nomes, naturalmente,
na mesma preocupação.

Gostaria de poder de repente te dizer:
Vamos voltar pra casa...
( Como se felicidade pudesse ser uma coisa
a que tivéssemos direito como toda gente)
Queria partilhar contigo os momentos menores
da minha vida,
porque os grandes já são teus.

J. G. de Araújo Jorge - do livro – A Sós – 1958 )
Fonte: Site JG - J. G. de Araújo Jorge - Poesias seleccionadas

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Gosto de ti desesperadamente

Gosto de ti desesperadamente:
dos teus cabelos de tarde onde mergulho o rosto,
dos teus olhos de remanso onde me morro e descanso;
dos teus seios de ambrosias, brancos manjares trementes
com dois vermelhos morangos para as minhas alegrias;
de teu ventre - uma enseada - porto sem cais e sem mar -
branca areia à espera da onda que em vaivém vai se espraiar;
de teu quadris, instrumento de tantas curvas, convexo,
de tuas coxas que lembram as brancas asas do sexo;
- do teu corpo só de alvuras - das infinitas ternuras
de tuas mãos, que são ninhos de aconchegos e carinhos,
mãos angorás, que parecem que só de carícias tecem
esses desejos da gente...
Gosto de ti desesperadamente;
gosto de ti, toda, inteira nua, nua, bela, bela,
dos teus cabelos de tarde aos teus pés de Cinderela,
(há dois pássaros inquietos em teus pequeninos pés)
- gosto de ti, feiticeira,
tal como tu és...

Fonte: Blogue AMORE - post de 01Nov2008

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