Ó Portugal, ó terra do meu berço,
Do meu corpo e da minha sepultura,
Quisera-te cantar em alto verso!
Cantar novas proezas da Aventura
Grandes feitos de nova Tentação,
Que te elevem, ó Pátria, a imensa altura!
Chegue o instante da grande criação!
Volte a ser Viriato e Castro, o forte,
O fantástico rei Sebastião!
Acorda, Portugal, do teu desmaio!
Que o nevoeiro da Lenda matutina,
Escureça, ribombe e gere o raio!
Ó Deus da minha Pátria, olhai por ela!
Dai à sua bandeira nova glória,
Pregai, nas suas dobras, uma estrela!
Ó Templo dos Jerónimos, erguendo
Flechas de alma, no Azul, em ti murmura
Negro sermão de exéquias, descrevendo,
A derrota de Alcácer! Noite escura
Que sobre nós desceu e em nós ficou,
E é a nossa própria sombra de amargura.
Desânimo que assim nos transformou
Em falecidos vultos espectrais
Queimados num incêndio que passou...
Ó Deus de Ourique, ouvi meu pobre canto,
Embora numa voz que já perdeu
A unção divina, a graça, o etéreo encanto!
Portugal, esse grande mausoléu,
Deslumbrai-o, fazei-o estremecer,
Quebrai-lhe a fria tampa, à luz do céu!
Que à nossa pobre sombra a padecer,
Fantasma secular, enfim, regresse
O Dom Sebastião do nosso ser!
domingo, 22 de julho de 2007
AOS LUSÍADAS
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