quarta-feira, 25 de julho de 2007

Amigo Frei João, cuidas que é barro

Amigo Frei João, cuidas que é barro
O fumoso tabaco porque berro?
Um nigromante me transforme em perro,
Se há coisa para mim como o cigarro!

Ele me arranca pegajoso escarro,
Que nas fornalhas deste peito encerro:
O frio, as aflições de mim desterro,
Quando lhe lanço a mão, quando lhe agarro:

De vício tal, se é vício, não me corro;
E só tomo rapé, simonte, ou esturro,
Quando quero zangar algum cachorro.

Amigo Frei João, não sejas burro;
Dize bem do cigarro, se não morro:
Traze.me lume já, ou dou-te um murro!

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