terça-feira, 21 de abril de 2009

Prólogo - ao Velo d´Oiro

Fruto de um esfôrço como igual não há;
rosário de altos feitos e milagres
que começou a ser rezado em Sagres
e só Deus sabe quando acabará,
- a África lendária dos guerreiros
invencíveis e sobas portentosos,
sofre, ainda, do abandono dos medrosos
e das cartadas dos aventureiros.
Incompreendida - seja por maldade
ou porque a voz do povo é nisso esquiva - 
há uma vaga cegueira colectiva,  
que não a deixa ver na realidade...
É tempo de cuidarmos dêsse mal:
- A África, sem lenda nem mistério,
é apenas uma flor do nosso Império,
canteiro do jardim que é Portugal!
Se em Cazengo, tal qual como no Minho,
e no Planalto como em Trás-os-Montes,
nós ouvimos cantar as mesmas fontes
e sentimos por tudo igual carinho;
se lá no Selles, como no Alentejo,
o mesmo sol trespassa o nosso abrigo,
fecunda a terra, amadurece o trigo
e promete fartura de sobejo,
- por que teimar na idéia desumana
de distinguirmos sempre, em pensamento,
o que não é senão prolongamento
desta "pequena casa lusitana"?
Pois se o Futuro pode ser louvado
se trabalharmos essa terra ardente,
- por que não completarmos, no Presente,
a obra gigantesca do Passado?
Portugal é só um! O essencial,
para que êle progrida, é que se expanda!
Residir em Lisboa ou em Luanda
é tudo residir em Portugal!
Amemos essas terras de além-mar,
rosário de altos feitos e milagres,
que começou a ser rezado em sagres
e que ainda tem muito que rezar!...
 
Eis, em síntese, o espírito, a doutrina
da obra que vai ser representada.
Fantasia? De-certo. Mas pensada
com a verdade que a Verdade ensina.
Nossa primeira peça colonial,
os seus intuitos são, apenas, três:
- Amor à terra, culto a Portugal
e orgulho pelo Império Português!

Autores: Henrique Galvão e Silva Tavares
Fonte: O Velo d' Oiro - Fantasia colonial em 3 actos e 14 quadros, adaptado do romance do mesmo nome, original de Henrique Galvão, 1936

Sem comentários:

Related Posts with Thumbnails