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sábado, 18 de março de 2017

Campo de merendas

Sonhei silvos de cigarras
E cantares de passarinhos
E mesas com bancos de madeira tosca
Em sala de jantar do campo
Sombreada e boa

Fogão a carvão
cozinha de antigamente
Neste lugar distante
Tudo é novo
Há desconhecido
e há diferente

Alguém prepara o petisco
Outro põe a mesa
Em talheres de ocasião
Uns e outros vivem o lugar
em permanente comunhão

Rede de índio
Esticada ao alto
Em soneca balouçante
devagar se escoa o tempo

No calor da tarde
Música de grilos
Acompanha o batuque das verdes folhas
em acordes batidos pelo vento

Anoitece
Mais tarde a Lua nasce a leste
Brilham as estrelas
e bem ao alto
vai passando o carrocel celeste

Ao serão
Canta o ruído da bicharada
E o murmurar da fonte próxima
e há temor
e cresce a adrenalina

Por um dia
Este é o meu quarto
Com paredes de vento
Soalho de folhas secas
Telhado verde de folhagem vária

Sem sobressalto desfruto
neste templo da natura
um concerto de emoções e música
de toda uma noite

Gozo um diálogo incessante
de eu para outros "eus"
que nascem dentro de mim
e que sinto que também são meus


Rui Moio
"22Ago2007 - Pensado ontem e redigido à tardinha no centro comercial Twin Towers"

sexta-feira, 17 de março de 2017

CHUVA QUE CAI DE MANSINHO

CORREM AS ÁGUAS PELA ESTRADA
CHUVA QUE CAI DE MANSINHO
SÄO PASSOS QUE PASSAM, CAMARADA
JUNTO A PORTA DO MEU NINHO
DOR QUE SENTE A ALMA, DEVAGARINHO
MELANCÓLICA SE ABRE A LUA
REFLECTE COMO ESPELHO EM MINHA RUA
A IMAGEM SUBTIL DA MINHA AMADA.

TRISTE PELA LONGURA DISTANTE
TROPEL DA GUERRA QUE ME INCENDEIA
SÓ ME SINTO, NESTE INSTANTE
TÄO PERTO E TÄO LONGE DE TI, ADORADA
DA ALEGRIA VEM A DOR QUE DESPREZADA
IGNORO, COMO VAGABUNDO ANDANTE
BUSCA COISA BOA, AMOR GALANTE
VIDA QUE ALIMENTA ESTA CANDEIA.

11/DEZ/1973

sábado, 4 de março de 2017

Vidas inacabadas

Morrem soldados na flor da idade
Morrem mães que ainda não o foram
Morrem bébés que ainda não nasceram
Morrem operários a trabalhar
Morrem heróis e santos
Morrem adolescentes
Morrem condutores em acidentes loucos

Morrem velhos cheios de sabedoria
e com histórias para contar

Morrem doutores, psicólogos
dentistas, sacerdotes
enfermeiros, médicos, agricultores...

E tantos
com tanta coisa para dar

Morrem homens bons e de sabedoria
alguns com vidas ainda por começar
outros
com vidas por acabar.

Poucos
ou mesmo nenhuns

Com vidas já acabadas!!!

Rui Moio
31Ma2007
Concebido na Unidade dos Cuidados Intensivos do Hospital de Santa Marta em Lisboa alguns dias antes de uma operação urgente ao coração.

sexta-feira, 3 de março de 2017

" Hace-me lo que queiras "

Mi Hijo
Hace-me lo que queiras
Soy tuya, toda tuya

Beija-me, abraça-me toda
Aperta-me contra mim
Quero que sintas os meus peitos arquejando
meus lábios humedecidos

Vem, vem para o pé de mim
dá-me um abraço
conta-me uma das tuas histórias
Dá-me o que tens de melhor,
o teu carinho

Passa-me as mãos pelas cochas
Sente o arfar da minha vulva
passa a mão devagarinho
Sente o húmido dos partes escondidas

Vem, mi Hijo vien
Hace-me lo que queiras
Soy tuya, toda tuya

Vien, te quiero mucho
queda-te cerca de mi.

Hace-me lo que queiras
Soy tuya, toda tuya

Rui Moio, redigido a 10 de Novembro de 1998.
palavras 118

quinta-feira, 2 de março de 2017

25. MY YOUNG LIFE

Now, I remember
my young life
when I was a child

At some years ago
there was the war
in my Country

Many men dead
their bodies start there
on my Birth Land

But now, come at my mind
the names of my friends
which they met the dead

theyare always in my head
and for that
I will can never forget them.

The End

Rui Moio
25th May 1970

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Salamanca

Plaza Maior, enorme, quadrada
Das maiores de Espanha
Rodeada de edifícios rosados
Da pedra nativa
De arcarias enormes e antigas
Qual fortaleza, toda fechada
Em noites de verão iluminada
enchem-na estudantes em algazarra
de danças e guitarradas
Gente nativa e de outras terras
Cavaqueiam nas esplanadas
Deleitam-se com as gentes
Com o pensamento, com o sonho…
Ali está a Universidade antiga
Cidade de juventude, de Unamuno, de saber
Coimbra de Espanha
Em sala de respeito
Colombo enfrenta os Lentes de forte catadura
Os sábios do mundo
E Colombo perde
Mas não morre a esperança
De encontrar a Índia do outro lado do mar
Perto está o pueblo de Tordesilhas
E Simancas
Onde se guarda o manuscrito que divide o mundo
Entre Portugal e Espanha
Salamanca pequena, pequenina
Mas tão grande é
Esta Cidade
Que é de todo o mundo


Rui Moio 29Jan2007 – concebido à hora do almoço

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Os poemas do Rui

1º. Personagem

Os poemas do Rui
Não são poemas

Os poemas do Rui
Não são poemas, já disse,
Bolas!... Não têm rimação


2º. Personagem

Não são poemas?

Os poemas do Rui
Não são poemas ?
Porque falta a rimação?

1º. personagem

Não, não são
Definitivamente não

2º. personagem

Os poemas do Rui
São palavras soltas
Deitadas de qualquer jeito
Cantam ou "descantam",
As famílias divididas
Os amigos dispersos
As tribos destribalizadas
A Terra devastada
A História aldrabada
A alma
Os poemas do Rui
Os poemas do Rui
São palavras soltas
que "descantam", que "descantam"
Trinta anos de mentiras.

23Jun2005
Pensado e redigido ao final da tarde quando saboreava uma bica amarga e fria

sábado, 15 de dezembro de 2012

Serra dos Macópios

Serra dos Macópios,
Colina por mim chamada
Mistério no miradouro ao alto
Caminho ou descaminho
De pedras de granito ponteagudas
Com lagartos barulhentos
Mexidos e amedrontadores
De pescoços cheios e vermelhos
A gritarem zangados

Ao cimo uns pilares caiados de branca cal
Talvez uma coberta em esqueleto
Ar abandonado e só
Mistério na fundação

Ali fui em brincadeira
Várias vezes
Era uma aventura
Aqueles lagartos feios e barulhentos
Aqueles barulhos de mato…
Que apareciam de todos os cantos
Aqueles pedregulhos cinzentos
E, em volta, ninguém
Mato, uma sanzala do outro lado.

Ao nascente
Era a avenida das laranjeiras
A casa do velho Primo
Por trás da escola, o comboio
Que passa devagar
O jardim, o parque
Com as árvores grandes
Com o tanque da horta
Onde furtivamente se tomava banho

Mais além a mulola
De ruído tão forte
Que mais parecia uma tempestade
Que trazia do alto paredão da Chela
Pedregulhos, calhaus
E outros perigos imaginados.

Poema realizado às 11h00 no cadeirão preto localizado no hall de entrada para o grande auditório da Culturgest em Lisboa.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Meu Pai

Três de Setembro de 1918
No quilómetro cento e tal
Filho terceiro de um casal pobre
Cercado de mato
Sem queixas de incomodidades
Um bébé nascia

Órfão de mãe quase à partida
Mãe Josefa
Que nunca soubemos d’ onde viera
De Pernambuco, Talvez!
D´onde se apartara
Para que não se sentisse estrangeira
Em terra própria

Órfão de pai aos onze anos
Fez-se criança de pé descalço
Cresce com mamã negra e de panos
Nos anexos da casa do pai defundo

Seu pai, um número
Na estatística de Paiva Couceiro
Fora obreiro-construtor do Caminho de Ferro de Moçâmedes

Adolescente trabalhador
Carpinteiro e barbeiro
Estudante por vontade própria
Inicia carreira de sertanejo
Com 19 anos apenas

Casa com jovem
De família importante com palmarés de mato
Cria três filhos
Paga instrução a quase dois mil quilómetros de distância
E quinze dias de viagem
Por estradas do fim-do-mundo

De tipóia, a pé, a cavalo, de bicicleta…
Percorre caminhos gentílicos e novos

Fez carreira de tarimbeiro
Por todo o mato de Angola

Tornou-se pessoa importante
Discursava em reuniões
De pretos e de brancos
Continentava a bandeira da Pátria una
Este construtor de pontes e de estradas
Este que fez de ambulância
Este que foi empreendedor para outros
Do negócio da touqueia
Este “Pai de pretos” como o tratavam

O cidadão de segunda de província distante
Fazia Império
E dava sentido de vida ás populações
Serviu a Pátria una
E a Pátria africana
Com pioneira angolanidade
Orientou a defesa
Ajudou as populações
Contra a guerra que vinha de fora

Recebido em festa
Por multidões agradecidas
Que abriam alas
Com niquiches e batucadas
Cantares e palmas

êêiaaiô, êêiaaiô
amistadôl aiêtu uápossoca uápandula

e em coro frenético e ritmado
todos cantavam

amistadôl aiêtu uápossoca uápandula
amistadôl aiêtu uápossoca uápandula

O corpo cansou-se
De anos de esforço insano
E cedo tombou

No funeral
Na secular Igreja do Carmo
Houve missa com igreja cheia

No cemitério
Milhares de pretos e brancos o acompanharam
E dezenas de mamãs negras de preto o choraram.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Eu queria tanto


Eu queria tanto
Que o sonho que me atormenta
Fosse real, fosse verdadeiro

Eu queria voltar
A encontrar a paz que havia
A Pátria pluriracial
Honrar os heróis verdadeiros
Que lutaram e ganharam
A guerra que nos fizeram

Eu queria tanto
Voltar e encontrar
As picadas sem morte
As sanzalas escondidas
As jangadas e pontes de madeira
Os rios pacíficos e despoluídos
As igrejas com gente a cantar

Eu queria tanto
Voltar ás baías de Moçâmedes e de Benguela
Cheirar o mar de Luanda
E as flores das chanas das Terras do Fim do Mundo

Eu queria tanto
Voltar a ser um povo unido
Sem memória
Nem desonra do abandono e da derrota
Sem lembrança
Da cobarde descolonização

Eu queria tanto
Que o meu sonho de criança
Voltasse a ser tão forte e presente

Eu queria tanto
Voltar a ser a Pátria grande
Que não se interrompesse aquele sonho de criança
A Pátria de Moçamedes e de Benguela
Do Rovuma e do Maputo
De Bonomaro, das bolanhas da Guiné
Da cidade de Pemba
Da ilha de Moçambique

Eu queria tanto
Sentir orgulho nas caravelas
E nos cantos que nos embalaram
Em séculos de encontros

Eu queria tanto
Voltar a sentir a Pátria e o Império
Como coisa nossa
Como sentia em criança

Rui Moio. 11Abr2008. 

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Passo os dias cansado


Passo os dias cansado.
Para combater o cansaço
Canso-me.

Para que não me canse
Descanso
Mas ao descansar
Canso-me.

Como uma roda
Infinita…

Se durmo canso-me.
Para não me cansar tanto
Mais durmo.
E a um mais dormir
Mais me canso.

Como uma roda quadrada
Que anda e desanda
Desanda e anda...

Durmo acordado
E acordado durmo.

A um cansaço vem o descanso
E a um descanso vem o cansaço.

E não há tempo
Senão
Pró cansaço
E pró descanço.

Rui Moio
Realizado a 23Ago2012

sábado, 28 de julho de 2012

Quotidianos de um diabético

Um dia
Um mês
Um ano
Administração
Administração
Continuamente Administração
Controlos

Consultas. Exames, Rotinas,
Obrigações, Registos…

Rotinas, Exames, Obrigações,
Registos, Consultas…

Continuamente…
Continuamente…

                              SÃO QUOTIDIANOS

Penosamente cumpridos

Escrever e Ler
Palestras, Ouvir, Visitar, Conhecer,
Sonhar, Dormir Sossegadamente,
Poetar, Prosar, Analisar, Pensar…

                              SÃO DESEJOS

Vontades esforçadamente realizadas

Não poucas vezes
O cansaço
E o desânimo

Como um cavalo de elite
Que corre e salta
E segue feliz
O caminho que o destino traçou!

Rui Moio – 26Julho2012, 18h30.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Senti la Imperio - tradução para esperanto do poema "Sentir o Império"

Senti la Imperio
Flari la Imperio
ĉe Rossio
ĉe korto de la Palaco d' Almada (1)

Estis tiel en mia lando
Kaj en ĉiuj trans la maraj
Kie estis Portugalio

Flari la Imperio
En la centro de "Odivelas" (2)
Sur busoj, en la metroo
Vespere
Sabatoj, Dimanĉoj.
Sur iu ajn donita tago kaj horo
En la koloraj homoj
En miksitaj voĉoj
En ekzotaj vestoj

Flari la Imperio
ĉe "Restelo", ĉe "Anjos" (3)
En la nomoj de stratoj kaj placoj
En rigardante la Tajo
ĉe "Olivais"
Kaj en multaj aliaj kvartaloj

Flari la Imperio
En la verkoj por fari
Kaj en la monumentoj konstruitaj
Ekzistas multaj ŝtonoj ke informi nin pri tio
La "Jerónimos", la "Torre de Belém" (1)
Vojoj, pontoj, palacoj
La Kolonia Ĝardeno kaj multe aliaj pli

Flari la Imperio
ĉe la flughaveno
Kun ambaŭ vojaĝanto
De aliaj kontinentoj
Ke alvenante kaj forirante
ĉiutempe

Flari la Imperio
ĉe polico, armeo, mararmeo
En la sporto
En la "CP", en la aŭtoj elektraj
En la Justeco
En la Ĉambro de Lisbono

Sed,
La Imperio apartigis estas
Ne plu ekzistas
Antaŭ la nomo Portugalio
Estis ĉiuj
Nun,
En tiu malplena de malvenko
Estas specimeno
en la tuta Imperio
En eta Portugalio

Feliĉe, tia estas
Por ĉiuj
Por la lasta generacio de la Imperio
La ke ne tiom perfidis kaj estis oferita
Por la alia parto de ĝi
Kio mortigis la patrujon kaj la Nacio.

Rimarko: 

(1) - Monumentoj de Lisbono
(2) - Urbo de Portugalio
(3) - Kvartaloj de Lisbono
Rui Moio - aŭtoro de la poemo "Sentir o Império". Poemo gravedigxis en 03Maio2008.
Traduko al esperanto okazigita en 24Jul2012.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

La Reĝo D. Sebastiano - tradução para esperanto do poema El-Rei D. Sebastião

La Reĝo D. Sebastiano
Juna kaj bela
Kun lia eleganta akompanantaro
Venis al mi
En sia blanka ĉevalo
La Reĝo D. Sebastiano

Li vizitis min kiel lia sklavo
Eniris en mia malgranda angulo
Li sidis apud mi
Kaj li demandis:
Kiel estas Portugalio?

Mi ne pensis
Ke la reĝo diru min tiel.

Rekuperis de la ŝoko
Kvietigis la serena silento
Ĉi Dio-Reĝo
Mi murmuris rubo
Pensante ke li ne scias
Kiel volas nia lando
Sed la Reĝo trankviligis min:

- Mi venis tie por diri al vi
vi ne zorgu
Se vi povas alarmi nia popolo
Diras ilin ke mi ne mortis ankoraŭ.

Rememorigi ilin pri nia historio
Diru al ili de Alcazarquiviro
Kaj havas fidon, havas esperon
Ĉar kiam la tempo venas
Mi estos kun ili.

Rui Moio - 24Jan2008. Autor do poema. Tradução para esperanto realizada a 18Jul2012..

************************************
El-Rei D. Sebastião

El-Rei D. Sebastião
Jovem e belo
Com o seu séquito luzidio
Veio a mim
Em seu cavalo branco
El-Rei D. Sebastião

Visitou-me como súbdito
Entrou no meu cantinho
Sentou-se diante de mim
E perguntou:
Como vai Portugal?

Eu não contava
Que El-Rei me falasse assim.

Refeito do choque
Aquietado pela serena quietude
Deste Rei-Deus
Balbuciei palavras sem nexo
Pensando que ele não soubesse
Como vai o nosso País.
Mas, El-Rei serenou-me:

- Eu vim aqui dizer-te
Que não te amoles
Se puderes alerta o nosso povo
De que eu ainda não morri.

Lembra-lhes a nossa História
Fala-lhes de Alcácer-Quibir
E tenham fé, tenham esperança
Porque quando o tempo chegar
Eu vou estar convosco, aí.

Rui Moio – 24Jan2008.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

SINJORO ADMINISTRATORO - tradução para esperanto do poema O SENHOR ADMINISTRADOR


Balalaiko flava kun grandaj poŝoj,
Longaj manikoj butonumita,
Mallongaj pantalonoj aŭ pantalonoj de longa kruro
ĉapo kun klaraj insinio Nacio
Zonon larĝa kaj verdo, grandan bukon.
Nigraj botoj de la trupo malnova
Ĉiam poluris
Neniu gramo de polvo aŭ koto de la pikoj.

Kiu ĉiam kunvenas peto.
Kreinto de ŝoseoj kaj lignaj pontoj
Ĉu vi estas kuracisto, flegisto,
Li estas pastro, li estas leterportisto,
Li estas profesoro de legadoj, agrikulturo,
Li juĝas "makoj" (1)
Duko, markizo de granda teritorio
Tio estas la duono de la Puto, (2)
kapo de la Patrujo-revo
Kio kunigas ĉiujn.

Kun miksaĵo de nobelaro
Kiel granda sobo (3)
En la pozo de la Imperio
Li iras ĉiuj flava
SINJORO ADMINISTRATORO.

Notas:
(1) plural de mako - confusão, conflito, termo angolano "maka"
(2) Puto - Portugal continental
(3) sobo - soba, chefe gentílico em Angola

Rui Moio, skribita en 25Fev2011
*************************************************

O SENHOR ADMINISTRADOR

Balalaika amarela com bolsos largos,
Mangas compridas abotoadas,
Calção curto ou calça de perna longa,
Boné claro com emblema da Nação,
Cinturão largo e verde, fivela grande.
Botas pretas da tropa antiga
Sempre engraxadas
Sem grama de pó ou lama das picadas.

Atende sempre quem o procura.
Fazedor de estradas e de pontes de madeira
É médico, é enfermeiro,
É sacerdote, é correio,
É professor de leituras, de agricultura,
É juiz de makas
Conde, Marquês de um território
Que é metade do Puto,
Cabeça da Pátria-Sonho
Que a todos irmana.

Com um misto de realeza
Como um soba grande
Em pose de Império
Vai todo de amarelo
O SENHOR ADMINISTRADOR.

Rui Moio, realizado a 25Fev2011

quarta-feira, 2 de maio de 2012

O Topógrafo

Vida de Topógrafo é dura mesmo
Mas tem coisas bonitas para contar

São 5 da manhã!
Toca a levantar
Pega na umbrela, teodolito, tripé
Abana o porta-miras e o chofer
Vamos embora
É hora.

Chofer!... põe o jipe a trabalhar

Uns são engenheiros
Com canudo de faculdade
Outros tiram curso médio
em escola da especialidade
E um ou outro é de todo descartado

II

Para triângular
sobe ao penhasco mais alto
para escolher os pontos a levantar.
Se é preguiçoso
Escolhe os mais fáceis de alcançar.
Se gosta de trabalho bem feito
Tem muito que andar.
Se é burro
Não descobre os pontos
Para o teodotito estacionar

Mede ângulos e distâncias
E de igual jeito
Limita as terras dos quitandeiros,
faz plantas
Constrói estradas, pontes e canais.

III

Vida de Topógrafo é dura mesmo
Mas tem coisas bonitas para contar

Ah, ah, ah, ah
Se tem!!!
Ah, ah, ah,ah

Nos ermos isolados
É poço de muitas atenções:

- Bom dia senhor engenheiro
- Seja bem-vindo senhor engenheiro
- Bom trabalho senhor engenheiro
- experimente esta aguardentezinha senhor engenheiro
que é cá do nosso lugar.

- está convidado senhor engenheiro
para o churrasco do jantar

- Não posso, tenho de calcular

- Ora, ora, senhor engenheiro
- Temos lá meninas para dançar

e quantas vezes
sem querer, sem desejar
é engatado
pelas solteiras e divorciadas do lugar

25Agosto06

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Minha Terra Longe

Infinitamente
Observo o Sul
e imagino-me na Minha Terra Longe

A minha Terra Longe
Está para além do mar
E de todo um continente

Imagino-me nela, penetro nela mas...
não encontro a escola que frequentei
as ruas que percorri
as casas que habitei
as cidades onde brinquei

não vejo os amigos
não encontro os vizinhos

Reconheço os lugares
pelos espectros do que a minha Terra foi

Há lá uma outra gente, uma outra humanidade
Gente que nada me diz

A minha terra Longe
Já não a reconheço
Não tenho chão, apagam-se as raízes
Resta a saudade da Pátria que foi
E a mágoa e a dor da Pátria que perdi


Rui Moio - 28Set2004

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Sentir o Império

Cheira a Império
No Rossio
No terreiro do Palácio de Almada


Era assim na minha Terra
E em todo além-mar
Onde havia Portugal


Cheira a Império
No centro de Odivelas
Nos autocarros, no metro 
À noite
Aos Sábados, aos Domingos.
A qualquer dia e hora
No colorido das pessoas
No vozear misturado
Nas roupagens exóticas...


Cheira a Império
No Restelo, nos Anjos
Nos nomes das ruas e praças
No olhar o Tejo
Nos Olivais
E em tantos outros bairros


Cheira a Império
Nas obras a fazer
E nos monumentos construídos
Há tantas pedras que nos falam dele
As dos Jerónimos, as da Torre de Belém
As estradas, as pontes, os palácios
O Jardim Colonial e tanta outra coisa mais


Cheira a Império
no aeroporto
Com tanto viajante
De outros continentes
que chegam e partem
a todo o momento


Cheira a Império
Na polícia, no exército, na marinha
No desporto
Na CP, nos eléctricos
Na Justiça
Na Câmara de Lisboa


Mas,
O Império descasou-se
Já não existe mais
Dantes o nome Portugal
Era em todo o mundo
Agora,
Neste vazio de derrota
há uma amostra
do Império todo
No pequenino Portugal


Ainda bem que assim é
Para todos
Para a última geração do Império
A que não traíu e foi tão sacrificada
pela outra parte dela
Que matou a Pátria e a Nação.

Nota. Poema concebido a 03Maio2008.

sábado, 2 de julho de 2011

Sentires Sentidos - visitas por países de Mai2009 a Jul2011

Clica na Imagem para a ampliar

Nota:
1 - O Brasil é 100 vezes maior que a ex-metrópole, ou seja, é 100 vezes maior que o Portugal actual. Assim, não admira que dali venha o maior parte das visitas. As visitas oriundas do Brasil são em dobro das que vieram de Portugal continental e ilhas adjacentes - 14 823 do Brasil e 7 672 de Portugal.

2 - Por ordem decrescente os visitantes do Sentires Sentidos são oriundos do Brasil, Portugal, Estados Unidos, Suécia, Alemanha, Angola... 
Curioso o posicionamento dos Estados Unidos. Julgo que isto se deve à grande comunidade de língua portuguesa que vive na América.
A Suécia aparece em 4º. lugar, depois dos Estados Unidos. Ora, na Suécia não há uma grande comunidade de portugueses nem há tradição histórica de relações próximas entre a Suécia e  Portugal. Este posicionamento não será devido a, eventualmente, haver naquele país uma grande comunidade de falantes de português e isto devido ao incremento das trocas comerciais entre a Suécia e os novos países da CPLP?

3 - Angola aparece em 6º. lugar, bem à frente de qualquer outro país da comunidade lusófona, à excepção do Brasil e do Portugal actual.

Rui Moio
Fonte: estatistica do Blogger.com

quarta-feira, 29 de junho de 2011

As visitas ao Sentires Sentidos por mês de Mai2009 a 28Jun2011


Clique na imagem para a ampliar

Nota: O gráfico desenha o número de visitas realizadas ao Sentires Sentidos por mês desde Mai2009 a 28Jun2011. Abaixo indico alguns dados numéricos referentes a dois meses:

Jul2010         -  3036
1-28Jun2011 -  3281

Os países que mais visitaram o Sentires Sentidos foram o Brasil, seguido de Portugal Continental. Em menor número o Sentires Sentidos recebeu as visitas dos Estados Unidos da América, Angola, Rússia...
Rui Moio
Fonte: estatisticas do Blogger.com

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