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terça-feira, 22 de julho de 2008

Aqueles Que Por Obras Valerosas Se Vão Da Lei Da Morte Libertando

via PoeMaconge by noreply@blogger.com (José Jorge Frade) on 7/21/08
Doutor Diogo Mourão Garcez Palha
Médico, amigo, cirurgião
Perdoem-me se a memória falha
Tinha voz sonante, como um trovão
Não morreu, diz comigo a maralha
Está vivo com o bisturi na mão
Lá em cima, no Céu, onde trabalha
Outros é que estão mortos cá no chão.

Esse Céu que para nós quer dizer
Algures em parte incerta sempre estar
É forma de Maconge responder
E o mistério da vida eternizar
Perdoem-me os que não querem crer
Partir é continuar a viajar
Pois se isto não estivesse a escrever
Como é que vos iria explicar?

O César da Silveira abriu caminho
E o Mendonça das Forças se seguiu
O Saraiva foi quem mostrou o ninho
Que do Mucúfi e Mapunda surgiu:
O garboso rio Tchimpumpunhino
Que pró Ruacaná se dirigiu
Recordo também o Doutor Higino
Que aos seus alunos as portas abriu.

E são estas memórias gloriosas
Dos amigos que vamos recordando
Cujas actividades engenhosas
Vão a nossa memória dilatando
Em hospitais e escolas tão briosas
Onde nós, candengues, fomos andando
"Aqueles que por obras valerosas
Se vão da lei da Morte libertando".

domingo, 20 de julho de 2008

Adenda às Macongíadas

via PoeMaconge by noreply@blogger.com (José Jorge Frade) on 7/14/08
(Poema na Ceia de Maconge,
Em Alte, no Algarve, a 29/30 de Janeiro de 2005.)

CANTO Km 16
Aquele Canto a Caminho da Huíla e da Chibia

XVI
Havíamos de escrever tão pasmados
Contos de nossas casas e cabanas,
Porque um dia fomos escorraçados
Daquelas nossas roças e choupanas,
Em perigos e guerras entalados
Muito para lá da razão humana,
E entre os amigos edificaram,
O Reino de Maconge que fundaram;

XVII
Como a Fénix renasce o Liceu.
Após anos e anos infindáveis,
Recebo um convite com nome meu
Que me faz recordar que lá andáveis
Dias lindos em que brilhava o Céu
Qual escola de sonhos intermináveis
Porque neste papiro aconteceu
Encontrar amigos tão memoráveis.

XVIII
É hoje o Velho Higino que escolho
Para nos dar aulas de Português
Camões não era cego, mas zarolho
Tantos e geniais poemas fez
E via muito mais por um só olho
Que todos os demais vêem por três
E de tantas iguarias com molho
Bota gindungo nelas que já vez.

XIX
Depois, à beira do rio Mapunda,
Em Alte, Algarve, a 30 de Janeiro,
O Rocha com a guitarra à cacunda
Qual mistura pura de sanzaleiro
Dom Giraldinho, que é quem fecunda
Todas as bênçãos dos vinhos matreiros
Libertos dos valores de quem funda
Esses reinos outrora tão porreiros

XX (DEZAVINTE)
E cantámos o Hino do Liceu
E lá em Cima Está o Tiro Liro
E a Morte Que Matou Lira nos deu
Um sentimento antigo de Retiro
Nenhuma lágrima então correu
Nem sequer se ouviu um único tiro
E lembrei-me dum grande amigo meu
Da Escola Industrial e Tchivinguiro.

XXI
Recordámos ainda e com mistério
Porque também eram da Academia
As lindas alunas do Magistério
Pelas quais muito bravo então gemia
Corações que não eram de minério
Mas da mais pura e bela fantasia
Ainda havemos de falar a sério
Desse belo tempo que então corria.

XXII
E não pensem que vamos esquecer
Quem desta história também parte fez
Os do Instituto, está bom de ver
E os putos fixes da Escola Marquês
Candengues das escolas a correr
Por esses lugares onde uma vez
Que em Alte fizemos reviver
E onde havemos de voltar, talvez.

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