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domingo, 10 de janeiro de 2010

Senhor Alferes

Senhor Alferes,
p'ra que serve
esta espingarda?
Eu não tenho ódio
não me obriguem
a matar.

Senhor Alferes
mas que mata tão cerrada?
è ainda bem de dia
e não consigo enxergar.

Senhor Alferes
p'ra que serve
esta granada?
O meu braço é forte
mas não a quero
lançar.

Fonte: Livro "O Salazar nunca mais morre - Cartas de África em tempos de guerra e amor" de Manuel Beça Múrias, Pág. 60

Aqueceram ao fogo a pele dos tambores

Aqueceram ao fogo a pele dos tambores
E puseram-se a dançar em volta,
Seminus, colados, ondulantes.
A própria terra de África
Tão acostumada
Estremeceu de prazer.
As mulheres receosas sentaram-se longe
Passando de boca em boca o cachimbo de cabaça.
O pretinho veio a chorar
Para os dois braços enormes que se abriram e
Fecharam sobre ele.
Olhou, olhou, sorriu, adormeceu.

A mãe sacudiu-o, admirada,
"Acorda menino, é a voz da nossa raça."

Fonte: Livro "O Salazar nunca mais morre - Cartas de África em tempos de guerra e amor" de Manuel Beça Múrias, Pág. 106

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