Saúda, por mim, Abû Bakr,
os queridos lugares de Silves
e diz-me se deles a saudade
é tão grande quanto a minha.
saúda o Palácio dos Balcões,
da parte de quem nunca o esqueceu,
morada de leões e de gazelas
salas e sombras onde eu
doce refúgio encontrava
entre ancas opulentas
e tão estreitas cinturas.
moças níveas e morenas
atravessavam-me a alma
como brancas espadas
como lanças escuras.
ai quantas noites fiquei,
lá no remanso do rio,
preso nos jogos do amor
com a da pulseira curva,
igual aos meandros da água,
enquanto o tempo passava...
ela me servia vinho:
o vinho do seu olhar,
às vezes o do seu copo,
e outras vezes o da boca.
tangia-me o alaúde
e eis que eu estremecia
como se estivesse ouvindo
tendões de colos cortados.
mas se retirava as vestes
grácil detalhe mostrando,
era ramo de salgueiro
que me abria o seu botão
para ostentar a flor.
ALVES, Adalberto - Al-Mu'tamid - Poeta do Destino
Assírio & Alvim, Lisboa 1996
Fonte: BLogue "AMORE" - Post de 28Nov2008
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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Evocação de Silves
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Quem excederá a tua bondade
Quem excederá a tua bondade
Ao dares-me aquilo que te não pedi,
Um colar de pérolas para a minha vaidade.
Como hei-de expressar gratidão por ti?
Por este dom eu fico orgulhosa
E sou, entre todas, a mais leda.
Ó esplêndida alma generosa
Torrente de rio e frágil fio de seda.
Nota:
1. - Adalberto Alves - O meu coração é árabe - Assírio & Alvim, Lisboa 1987
2. - Maryam al-Ansari, uma mulher nascida em Silves - Maryam Al-Ansari (sécs. X-XI) - que se tornou famosa pela sua poesia e pelo ensino de literatura a outras mulheres.
Fonte: Blogue "Lupango da Jinha" - post de 28Nov2008
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