Se um grão produzisse um pão a fome estaria em extinção?
Talvez não!…
Mas, se a cada vontade se juntasse reciprocidade seria viável uma solução.
O pobre ajuda o pobre, enquanto o rico prefere dar ao mundo;
A esmola do pobre é de ouro; já a do rico sumiu-se, num saco sem fundo.
A fome já vem de longe!… velha e doente, resiste…
Gerou muitos filhos, repartiu a dor, mas o seu horror persiste.
O Homem não é inocente porque promove a guerra;
A agricultura rural recolheu-se no seio da terra;
As políticas, raramente consensuais, agravam a crise;
E o povo pacientemente espera, porque é humano e vive.
Como se tudo isto não bastasse, surgem calamidades…
Meu Deus! Como é possível sobreviver a tantas realidades?
O pobre pergunta ao nobre: “Amigo, porquê te afastaste de mim?”
Com ironia, o nobre responde: “Ignorante!… porque sempre foi assim!”
Já nos dizia Pessoa: “…e o universo reconstruiu-se-me sem ideal…”.
Assim sendo, em contextos diferentes, o modelo é sempre igual.
Fonte: Blogue "Folhas de História" - post de 29Set2008
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Fome: Onde está a solução?
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
Lembranças de um amigo
Amigo porque te vais…
quem disse que esta era a tua hora?
Mesmo agora partiste e o meu pranto já te implora.
Eras diferente dos demais!…
Ainda oiço os teus passos pelas pedras da calçada.
Na estante, fechado, está o livro que te dei.
Se alguém me perguntar por ti, dir-lhe-ei:
Não sei! A vida já não é nada.
Sozinha, caminho, sem saber onde te encontrar.
Lanço ao mar e ao vento esta ânsia que acalento.
O meu estado de espírito oscila, em compasso lento:
Ora choro, ora rio, ora disperso o meu olhar.
Anoitece. À minha volta, paira um silêncio profundo.
Por toda a parte encontro vestígios do passado;
agora, os teus conselhos têm outro significado.
Indistinta, sobrevivo, neste recanto do mundo.
Partiste apressado, sem nada me dizer…
Revejo o teu retrato e procuro uma réstia de olhar.
Porém, um mistério ofusco, guardou-o noutro lugar.
É estranha, esta sensação de não te ter!
Relutante em aceitar a realidade, quero dizer-te:
Recordo com saudade a nossa leal dedicação.
Direi a todos que fomos amigos do coração
e que, num qualquer dia, estarei aí para ver-te.
Nazaré Cunha - (2008-08-02)
Fonte: Blogue "Folhas de História" - post de 02Ago2008
