Vim do leste
dimensionar a noite
em gestos largos
que inventei no sul
pastoreando mulolas e anharas
claras
como coxas recordadas em Maio.
Venho de um sul
medido claramente
em transparência de água fresca de amanhã.
De um tempo circular
liberto de estações.
De uma nação de corpos transumantes
confundidos
na cor da crosta acúlea
de um negro cha~o elaborado em brasa.
(Chão de oferta, 1972)
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quinta-feira, 26 de julho de 2007
VENHO DE UM SUL
DIOGO CÃO ÀS PORTAS DO ZAIRE
Deste lado da história
o rio morre aqui.
Do mar sabemos nós e aos capitães
a fama da conquista.
Faço-me ao Sul
porque pertenço ao Norte
e a costa só me serve p'ra cumprir
tarefas de abandono.
Meu fim é circular, ir mais além.
Por isso eu sei de estrelas
direcções
e nada sei de fruto
que se projecta e espera.
Cumpro tarefas, sim, porque viajo.
Assim nasci
sabendo o que me aguarda após a descoberta.
Fronteiras
só conheço as do meu lar
e sei amá-lo, só,
noutras distancias.
De Deus, empreendi que mora aqui no mar,
porque sou eu
quém lhe constrói a face.
Ao Rei e a Vós
apenas dou noticias do rumo horizontal.
Pois que sabeis da vertical sagueza?
(1972)
Nota:
(Santarém, Portugal 1941 Radicado em Angola desde 1963)
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