segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Ler


Ler um livro
É sempre um bom amigo para se ter,
não há nada como isolar-nos e ler.
É um refúgio para se espairecer,
de problemas que queremos esquecer.
É uma fonte fresca de prazer,
palavras que são água para beber,
que refrescam o nosso ser.
Ler ajuda-nos a crescer,
muda, a nossa maneira de agir e ser,
de falar e escrever.
Uma saudável actividade de lazer,
que todos deveriam fazer...

OBS: Adaptação a formato em verso de Rui Moio
Fonte: Frederico Pereira in jonal Metro de 16Out2009, pág 8. (formato em prosa)

domingo, 18 de outubro de 2009

REGRESSO

Não fugi à guerra, não fui para Paris
não fugi da terra, não traí o povo,
eu fui ao combate debaixo do Sol
e voltei de novo.
Posso aquecer-me com o Sol mais quente
que me enche as veias, vinho de raíz,
não se vai à guerra e volta de novo
sem se sentir dentro a voz do país.
Posso agora olhar, olhar descansado,
as belas moçoilas, bordando ao luar
sinais de conjuro para o namorado
um dia voltar
E posso falar, falar compassado,
com o homem velho que me disse um dia:
“se eu tivesse agora a tua idade
era eu quem ia”.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Negra!

via Angola: os poetas de kinaxixi em 08/10/09
I
negra! negra! como é a noite
d'uma horrível tempestade,
mas, linda, mimosa e bella,
como a mais gentil beldade!
negra! negra! Como a aza
do corvo mais negro e escuro,
mas tendo nos claros olhos,
o olhar mais límpido e puro!

negra! negra! como o ébano
sedutora como Phedra,
possuindo as celsas fórmulas,
em que a boa graça medra!
negra! negra!... mas tão linda
co'os seus dentes de marfim;
que quando os lábios entreabre,
não sei o que sinto em mim!...

II

só, negra, como te vejo,
eu sinto nos seios d'alma
ardêr-me forte desejo,
desejo que nada acalma.
se te roubou este clima
do homem a cor primeva;
branca que ao mundo viesses,
serias das filhas d'eva
em belleza, ó negra, a prima!...
gerou-te em agro torrão;
s'elevar-te ao sexo frágil
temeu o rei da criação;
é qu'és, ó negra creatura,
a deusa da formusura!...

Janelas de Lisboa

Tenho quarenta janelas
nas paredes do meu quarto.
Sem vidros nem bambinelas
posso ver através delas
o mundo em que me reparto.
Por uma entra a luz do Sol,
por outra a luz do luar,
por outra a luz das estrelas
que andam no céu a rolar.
Por esta entra a Via Láctea
como um vapor de algodão,
por aquela a luz dos homens,
pela outra a escuridão.
Pela maior entra o espanto,
pela menor a certeza,
pela da frente a beleza
que inunda de canto a canto.
Pela quadrada entra a esperança
de quatro lados iguais,
quatro arestas, quatro vértices,
quatro pontos cardeais.
Pela redonda entra o sonho,
que as vigias são redondas,
e o sonho afaga e embala
à semelhança das ondas.
Por além entra a tristeza,
por aquela entra a saudade,
e o desejo, e a humildade,
e o silêncio, e a surpresa,
e o amor dos homens, e o tédio,
e o medo, e a melancolia,
e essa fome sem remédio
a que se chama poesia,
e a inocência, e a bondade,
e a dor própria, e a dor alheia,
e a paixão que se incendeia,
e a viuvez, e a piedade,
e o grande pássaro branco,
e o grande pássaro negro
que se olham obliquamente,
arrepiados de medo,
todos os risos e choros,
todas as fomes e sedes,
tudo alonga a sua sombra
nas minhas quatro paredes.
Oh janelas do meu quarto,
quem vos pudesse rasgar !
Com tanta janela aberta
Falta-me a luz e o ar.

Fonte: Blogue
"Atrás da Lente" - post de 08Out2009

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

CORES & PALAVRAS: CARTA DE UM CONTRATADO

CORES & PALAVRAS: CARTA DE UM CONTRATADO

«Um dos maios belos poemas de António Jacinto, poeta angolano já falecido e neste video dito magistralmente por José Ramos acompanhado pela nao menos magistral música de Travadinha, músico caboverdiano.»

Cantar de Emigração

Este parte, aquele parte
e todos, todos se vão
Galiza
ficas sem homens
que possam cortar teu pão
Tens em troca
órfãos e órfãs
tens campos
de solidão
tens mães que não têm filhos
filhos que não
têm pai
Coração
que tens e sofre
longas
ausências mortais
viúvas de vivos mortos
que ninguém
consolará

Rosália de Castro (Galiza - Espanha)

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Partitura do Hino Monárquico Português

via Nacional-Cristianismo de NC em 05/10/09
Ouvir no Youtube o fabuloso Hino: http://www.youtube.com/watch?v=DzUc00_2c5s&feature=related

Letra do Hino da Carta - Hino Monárquico (1834-1911)

1.
Ó Pátria, Ó Rei, Ó Povo,
Ama a tua Religião
Observa e guarda sempre
Divinal Constituição
(Coro)
Viva, viva, viva ó Rei
Viva a Santa Religião
Vivam Lusos valorosos
A feliz Constituição
A feliz Constituição
2.
Ó com quanto desafogo
Na comum agitação
Dá vigor às almas todas
Divinal Constituição
(Coro)
Viva, viva, viva ó Rei
Viva a Santa Religião
Vivam Lusos valorosos
A feliz Constituição
A feliz Constituição
3.
Venturosos nós seremos
Em perfeita união
Tendo sempre em vista todos
Divinal Constituição
(Coro)
Viva, viva, viva ó Rei
Viva a Santa Religião
Vivam Lusos valorosos
A feliz Constituição
A feliz Constituição
4.
A verdade não se ofusca
O Rei não se engana, não,
Proclamemos Portugueses
Divinal Constituição
(Coro)
Viva, viva, viva ó Rei
Viva a Santa Religião
Vivam Lusos valorosos
A feliz Constituição
A feliz Constituição

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Imagens de Guerra [in Grito duma Luta Inglória]

De José Silva:
«Por ter estado em Lumbala e Caripande e conhecer o estado de todas as pontes, que nos ligavam a Teixeira de Sousa, escrevi em tempos: Imagens de Guerra»

Ainda retenho a imagem,
Depois de sair do porto;
Após uns dias de viagem,
No porão, Soldado morto!?
-
Ainda retenha a imagem,
De algo que me ilumina;
De ver dobrada ramagem,
Bem por cima duma mina!
-
Ainda retenho a imagem,
Desses amigos da picada;
Cuja franca camaradagem,
Fizeram a missão facilitada!
-
Ainda retenho a imagem,
De na chegada ao Grafanil;
Dum desfilar de coragem,
Na marcha que foi desfile!
-
Ainda retenho a imagem,
Ao comandar Companhia;
Dos Soldados de coragem,
E com a enorme valentia!
-
Ainda retenho a imagem,
E é com ela que eu vivo;
De muito fogo, barragem,
Lutando em tiro institivo!
-
Ainda retenho a imagem,
Dum Soldado dos Açores;
Quaresma era um pagem,
Furriel com seus amores!
-
Ainda retenho a imagem,
De ter refeição no barco;
E de a ver numa voragem:
A um crocodilo no charco!
-
Ainda retenho a imagem,
De ter perto a mim, horror;
De uma enorme barragem,
De mato a arder num calor!
-
Ainda retenho a imagem,
De um lugar tão atolador;
E do condutor, a coragem,
Com seu guincho salvador!
-
Ainda retenho a imagem,
Dos helicópteros a voar;
E duma doida aterragem,
Deles para o chão saltar!
-
Ainda retenho a imagem,
E essa ninguém ma tira;
Ao tentar sã camaradem,
Duma espingarda ser mira!
-
Ainda retenho a imagem,
De ter Santos a meu lado;
Desse pobre com coragem,
Ter seus miolos estoirado!
-
Todos nós temos memórias,
Eu ainda as posso contar;
Mas são tantas as histórias,
De quem morreu por lutar!
-
Esta última quadra é tampa,
E com ela eu desejo selar;
Meus segredos numa campa,
Para nunca mais os contar!

José Silva - In Grito duma Luta Inglória

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