Mãos que tocam.
Mãos que vêem.
Mãos que pensam.
Mãos que decidem.
Mãos que cortam.
Mãos que exterminam.
Mãos que falam.
Mãos que observam.
Mãos que prendem.
Mãos que afagam.
Mãos que enxugam.
Lagrimas secas fugidias.
Mãos que semeiam
Flores no ar
Mãos plenas de ser.
sábado, 6 de outubro de 2007
Mãos plenas de ser
Esperar
Quantas! Quantas horas lentas!
Passadas, vividas, perdidas,
Agarradas a uma esperança
Que continuam a esperar
A possiblidade duma partida
Esperada, adiada, arrastada.
Ali a equilibrar
Todo o peso dum dia,
Um dia de vazios,
Magoados, dilacerados
Na esprança de esperar
A possibilidade duma partida
Que não acaba de chegar.
Ao lado do asfalto,
Mesmo ali no empedrado,
No meio da multidão.
Na solidão das horas que passam,
Vi a vida passar
Num drama de esperar
De mais um dia que passa.
Desencontro com a vida
Numa só bonina perdi jardins,
Numa só centelha perdi sóis,
Num instante perdi o mundo,
Não encontrei nada errado,
Cheguei tarde? Cheguei cedo? Não sei,
Talvez me tenha desencontrado da vida.
Aqui, além, outrora,
Chego tarde,
Hoje, ontem, e sabe-se lá
Se amanhã também
Chegarei tarde.
Não encontrei nada errado,
Estava tudo certo,
Cheguei tarde? Cheguei cedo? Não sei,
Talvez me tenha desencontrado da vida.
Projectos de ser
Sete poemas
Sete dúvidas
Sete apostas
Na poesia.
Sete ceetezas
Sete esferas
Sete buracos
Nos céus.
Sete sentidos
Sete signos
Sete metáforas
Em mim.
Minha angústia
È não ser livre
Quando escolho
E sigo.
Minha rosa-dos-ventos
Indica paragens distantes,,
Minhas naus estão pesadas.
Serão projectos de ser?
Desejos de completude?
Pesa muito a liberdade
E o destino de ser livre
Minha morte não será ponto final.
As origens
Não sou do Norte,
Não sou do Sul,
Minhas raízes
Pu-las ao vento.
Eu sou do país
Para onde as caravelas
Partiram e não voltaram.
Para trás deixaram,
No cais, nuas as colunas
A olhar para o céu.
À luz da Lua desgrenhada,
As caravelas suas proas
Foram mergulhar
Nas ondas de ternura
De rainhas da noite.
O começo
O ventre da minha mãe
Houvera já arredondado
Por três vezes,
E dentro dele
Despontavam sóis,
Que iluminavam
A sua existência.
Depois em grito exangue,
Ardendo na tormenta,
Esvaziava a maré
Até à preguiça das autoras.
Mas para trás
Já ficava
O entusiasmo do querer.
Para diante,
Seria apenas
O estoicismo do dever.
E nestas marés baixas
Dos sonhos a partirem,
Deu à praia,
Despida de ternunra,
Esvaziada de carinho,
Mais uma existência.
A partir daí
A viver a vida
segunda-feira, 10 de setembro de 2007
Os meninos do Huambo
Com fios feitos de lágrimas passadas
Os meninos do Huambo fazem alegria
Constroem sonhos com os mais velhos de mãos dadas
E no céu descobrem estrelas de magia
Com os lábios de dizer nova poesia
Soletram as estrelas como letras
E vão juntando no céu como pedrinhas
Estrelas letras para fazer novas palavras
Os meninos à volta da fogueira
Vão aprender coisas de sonho e de verdade
Vão aprender como se ganha uma bandeira
Vão saber o que custou a liberdade
Com os sorrisos mais lindos do planalto
Fazem continhas engraçadas de somar
Somam beijos com flores e com suor
E subtraem manhã cedo por luar
Dividem a chuva miudinha pelo milho
Multiplicam o vento pelo mar
Soltam ao céu as estrelas já descritas
Constelações que brilham sempre sem parar
Os meninos à volta da fogueira
Vão aprender coisas de sonho e de verdade
Vão aprender como se ganha uma bandeira
Vão saber o que custou a liberdade
Palavras sempre novas, sempre novas
Palavras deste tempo sempre novo
Porque os meninos inventaram coisas novas
E até já dizem que as estrelas são do povo
Assim contentes à voltinha da fogueira
Juntam palavras deste tempo sempre novo
Porque os meninos inventaram coisas novas
E até já dizem que as estrelas são do povo
poema de Manuel Rui Monteiro
musicado por Paulo de Carvalho
domingo, 9 de setembro de 2007
A Salazar
In Blogue Orgulhosamente Só - post de 28Abr2007
