Quantas saudades eu sinto
sábado, 11 de março de 2017
HINO DA EICAP
sexta-feira, 10 de março de 2017
Namibe
Grande é o Namibe
Aquém e além Cunene
Vida em murmúrio a passar.
Grande é o Namibe
e a alma-poeta
uma grande Welwitschia Mirabilis
macho e fêmea
cio em flor
no deserto vida teimosa a rasgar.
Fonte: "Gente do meu tempo" - post de 28Abr2008
quinta-feira, 9 de março de 2017
Liberdade! Por Fernando Pessoa
Ai que prazerTer um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira.
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original,
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa…
Livros são papeis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quando é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças…
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca…
Muito se pode dizer acerca deste poema de Fernando Pessoa, mas para mim a ideia principal é chegar a um estado de liberdade através das coisas simples da vida… mas isso é simplesmente cada vez mais impossível nos dias que correm!
Fonte: via Salpicos by Pedro Correia Santos on 8/19/08
quarta-feira, 8 de março de 2017
E desde então, sou porque tu és
E desde então, sou porque tu és
E desde então és
sou e somos...
E por amor
Serei... Serás...Seremos...
Fonte: Blogue "AMORE" - post de 16Jan2009
terça-feira, 7 de março de 2017
As Bolas de Sabão
As Bolas de Sabão
As bolas de sabão que esta criança
Se entretém a largar de uma palhinha
São translucidamente uma filosofia toda.
Claras, inúteis e passageiras como a Natureza,
Amigas dos olhos como as cousas,
São aquilo que são
Com uma precisão redondinha e aérea,
E ninguém, nem mesmo a criança que as deixa,
Pretende que elas são mais do que parecem ser.
Algumas mal se vêem no ar lúcido.
São como a brisa que passa e mal toca nas flores
E que só sabemos que passa
Porque qualquer cousa se aligeira em nós
E aceita tudo mais nitidamente.
Fonte: via O Lupango da Jinha em 23/02/09
segunda-feira, 6 de março de 2017
Vou de comboio...
Vou
Mecanizado e duro como sou
Neste dia,
E mesmo assim tu vens, tu me visitas!
Tu ranges nestes ferros e palpitas
Dentro de mim, Poesia!
Vão homens a meu lado distraídos
Da sua condição de almas penadas;
Vão outros à janela, diluídos
Nas paisagens passadas...
E porque hei-de ter eu nos meus sentidos
As tuas formas brancas e aladas?
Os campos, imprecisos, nos meus olhos,
Vão de braços abertos às montanhas;
O mar protesta contra não sei quê;
E eu, movido por ti, por tuas manhas,
A sonhar um painel que se não vê!
Porque me tocas? Porque me destinas
Este cilício vivo de cantar?
Porque hei-de eu padecer e ter matinas
Sem sequer acordar?
Porque há-de a tua voz chamar a estrela
Onde descansa e dorme a minha lira?
Que razão te dei eu
Para que a um gesto teu
A harmonia me fira?
Poeta sou e a ti me escravizei,
Incapaz de fugir ao meu destino.
Mas, se todo me dei,
Porque não há-de haver na tua lei
O lugar do menino
Que a fazer versos e a crescer fiquei?
Tanto me apetecia agora ser
Alguém que não cantasse nem sentisse!
Alguém que visse padecer,
E não visse...
Alguém que fosse pelo dia fora
Neutro como um rapaz
Que come e bebe a cada hora
Sem saber o que faz...
Alguém que não tivesse sentimentos,
Pressentimentos,
E coisas de escrever e de exprimir...
Alguém que se deitasse
No banco mais comprido que vagasse,
E pudesse dormir...
Mas eu sei que não posso.
Sei que sou todo vosso,
Ritmos, imagens, emoções!
Sei que serve quem ama,
E que eu jurei amor à minha dama,
À mágica senhora das paixões.
Musa bela, terrível e sagrada,
Imaculada Deusa do condão:
Aqui vou de longada;
Mas aqui estou, e aqui serás louvada,
Se aqui mesmo me obriga a tua mão!
Miguel Torga
Fonte: Blogue "Ar da Guarda", post de 16Out2009.
domingo, 5 de março de 2017
Marcha do Centenário (da cidade de Moçâmedes - 4 de Agosto de 1949)
«No dia 04 de Agosto de 1949, dia do Centenário da Cidade de Moçâmedes, por toda a cidade se ouvia, transmitidos através dos microfones montados sobre uma carrinha do Radio Clube, que a percorria de lés a lés, esta bonita canção:»
Marcha do Centenário
I
Assim toda engalanada
Digo orgulhosa ao mar
Olha para mim
Como vou bela ao passar
II
Quero viver minha festa
Quero rir, quero folgar
O Mar imponente
Grita a toda a gente
Vai Moçâmedes a passar
III
Sou há um século nascida
Velhice inda não senti
Tive horas de glória
Enchi minha história
De rosas que então teci
IV
As minas lindas Miragens
Todos vão admirar
Sorrindo ao céu
Sinto o mundo meu
Quando ouço assim cantar
REFRÃO
Num areal doirado
Pelo sol beijado
Há já cem anos nasceu
Moçâmedes gentil
Bela e juvenil
Pertinho do mar cresceu
Hoje, embandeirada
Princesa encantada
Do Namibe o seu senhor
Sente mar confiante
Dizer radiante
Ai que linda vais amor.
Fonte: Blogue "Gente do meu Tempo" in parte do post de 20Mar2010
sábado, 4 de março de 2017
Vidas inacabadas
Morrem soldados na flor da idade
Morrem mães que ainda não o foram
Morrem bébés que ainda não nasceram
Morrem operários a trabalhar
Morrem heróis e santos
Morrem adolescentes
Morrem condutores em acidentes loucos
Morrem velhos cheios de sabedoria
e com histórias para contar
Morrem doutores, psicólogos
dentistas, sacerdotes
enfermeiros, médicos, agricultores...
E tantos
com tanta coisa para dar
Morrem homens bons e de sabedoria
alguns com vidas ainda por começar
outros
com vidas por acabar.
Poucos
ou mesmo nenhuns
Com vidas já acabadas!!!
Rui Moio
31Ma2007
Concebido na Unidade dos Cuidados Intensivos do Hospital de Santa Marta em Lisboa alguns dias antes de uma operação urgente ao coração.


