quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Lisboa à noite (cantada pela Milú)

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Vou-me embora pra Paságada

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que eu nunca tive

E como farei ginástica Andarei
de bicicleta Montarei
em burro brabo Subirei
no pau-de-sebo Tomarei banhos de mar!
E quando estiver
cansado Deito na beira
do rio Mando chamar a mãe-d´água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter
jeito Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.


Fonte: Mensagens com Amor
http://www.mensagenscomamor.com/poemas_e_poesias_de_manuel_bandeira.htm

Manuel Bandeira

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Poeira - canção cantada por BONGA

Bonga - Poeira

Era - A poeira do posto
Roeira na rua
Para nos kua tar
Vento - Era empoeirado
Ventava os cubicos
Nos empobrecer.

Poeira - Com impureza
Sempre levantou
E nos bofocou.

Roda - Sai do rodopio
Que o chefe do posto
Vai te zangular.
Lembro
Eu era kanuku
Fugia da cerca
Para Sal vaguardar
Me lembro
Toda essa desgraça
Negros transpirados
Da rusga fugir.

Fonte: Site http://www.letras.com.br/#!bonga/poeira. 
Canção cantada por Bonga

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Salamanca

Plaza Maior, enorme, quadrada
Das maiores de Espanha
Rodeada de edifícios rosados
Da pedra nativa
De arcarias enormes e antigas
Qual fortaleza, toda fechada
Em noites de verão iluminada
enchem-na estudantes em algazarra
de danças e guitarradas
Gente nativa e de outras terras
Cavaqueiam nas esplanadas
Deleitam-se com as gentes
Com o pensamento, com o sonho…
Ali está a Universidade antiga
Cidade de juventude, de Unamuno, de saber
Coimbra de Espanha
Em sala de respeito
Colombo enfrenta os Lentes de forte catadura
Os sábios do mundo
E Colombo perde
Mas não morre a esperança
De encontrar a Índia do outro lado do mar
Perto está o pueblo de Tordesilhas
E Simancas
Onde se guarda o manuscrito que divide o mundo
Entre Portugal e Espanha
Salamanca pequena, pequenina
Mas tão grande é
Esta Cidade
Que é de todo o mundo


Rui Moio 29Jan2007 – concebido à hora do almoço

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Os poemas do Rui

1º. Personagem

Os poemas do Rui
Não são poemas

Os poemas do Rui
Não são poemas, já disse,
Bolas!... Não têm rimação


2º. Personagem

Não são poemas?

Os poemas do Rui
Não são poemas ?
Porque falta a rimação?

1º. personagem

Não, não são
Definitivamente não

2º. personagem

Os poemas do Rui
São palavras soltas
Deitadas de qualquer jeito
Cantam ou "descantam",
As famílias divididas
Os amigos dispersos
As tribos destribalizadas
A Terra devastada
A História aldrabada
A alma
Os poemas do Rui
Os poemas do Rui
São palavras soltas
que "descantam", que "descantam"
Trinta anos de mentiras.

23Jun2005
Pensado e redigido ao final da tarde quando saboreava uma bica amarga e fria

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Causas perdidas

Causas perdidas
São as
que me dão vida.

Quero-te,
Ó minha pátria!

Aterro
a minha casa
construo outra
igual, parecida.

Fonte: Mostra na Biblioteca Nacional de 14Jan a 18Abril de 2015: Ruy Cinatti (1915-1986) uma figura multifacetada e Blogue "FRAGMENTÁRIA MENTE", post de 26Set2012

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Testamento

Sem lápides, sem chumbo, sem jazigo;
caixão de tábuas, derradeira casa,
onde repousarei, frágil abrigo,
até me libertar num golpe de asa.

Então, quando estiver a sós comigo,
que ninguém chore porque o choro atrasa,
mas que alguém, se quiser, num gesto amigo,
ponha roseiras sobre a campa rasa.

Será medo o que sinto? Não é medo.
Serei, não serei digna do Segredo?
Ah, meu Deus, para lá das nebulosas,

Mereça ou não a expiação, a dor,
entrego-Te a minha alma sem temor.
O que resta, o que sobrar, é para as rosas.

Fonte: Audioblogue de Luís Gaspar, post de 15Jan2012.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Ciclo do álcool

Ciclo do álcool
1

Quando seu Silva Costa
Chegou na ilha
Trouxe uma garrafa de aguardente
Para o primeiro comércio.

A terra era tão vasta
Havia tanto calor
Que a água
Parecia não ter potência
Para acalmar a sede da sua garganta.

Seu Silva Costa
Bebeu metade...

E sua garganta ganhou palavra
Para o primeiro comércio.

2

A lua batendo nos palmares
Tem carícias de sonho
Nos olhos de Sam Márinha.
Silêncio!
O mar batendo nas rochas
È o eco da ilha.
Silêncio!
Lá no longe
Soluçam as cubatas
Batidas dum luar sem sonho.
Silêncio!
No canto da rua
Os brancos estão fazendo negócio
A golpes de champagne!

3

Mãe Negra contou:
"eu disse:
filhinho
beba isso coisa não...
Filhinho riu tanto tanto!..."

Nhá Rita calou-se.
Só os olhos e as rugas
Estremeceram um sorriso longínquo.

- E depois Mãe-Negra?

"Oh!
Filhinho
Entrou no vinhateiro
Vinhateiro entrou nele..."

Os olhos de nhá Rita
Estão avermelhando de tristeza.

"Hum!
Filhinho
Ficou esquecendo sua mãe!.

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