terça-feira, 13 de novembro de 2012

Daddy


You do not do, you do not do Any more, black shoe In which I have lived like a foot For thirty years, poor and white, Barely daring to breathe or Achoo. Daddy, I have had to kill you. You died before I had time-- Marble-heavy, a bag full of God, Ghastly statue with one gray toe Big as a Frisco seal And a head in the freakish Atlantic Where it pours bean green over blue In the waters off beautiful Nauset. I used to pray to recover you. Ach, du. In the German tongue, in the Polish town Scraped flat by the roller Of wars, wars, wars. But the name of the town is common. My Polack friend Says there are a dozen or two. So I never could tell where you Put your foot, your root, I never could talk to you. The tongue stuck in my jaw. It stuck in a barb wire snare. Ich, ich, ich, ich, I could hardly speak. I thought every German was you. And the language obscene An engine, an engine Chuffing me off like a Jew. A Jew to Dachau, Auschwitz, Belsen. I began to talk like a Jew. I think I may well be a Jew. The snows of the Tyrol, the clear beer of Vienna Are not very pure or true. With my gipsy ancestress and my weird luck And my Taroc pack and my Taroc pack I may be a bit of a Jew. I have always been scared of you, With your Luftwaffe, your gobbledygoo. And your neat mustache And your Aryan eye, bright blue. Panzer-man, panzer-man, O You-- Not God but a swastika So black no sky could squeak through. Every woman adores a Fascist, The boot in the face, the brute Brute heart of a brute like you. You stand at the blackboard, daddy, In the picture I have of you, A cleft in your chin instead of your foot But no less a devil for that, no not Any less the black man who Bit my pretty red heart in two. I was ten when they buried you. At twenty I tried to die And get back, back, back to you. I thought even the bones would do. But they pulled me out of the sack, And they stuck me together with glue. And then I knew what to do. I made a model of you, A man in black with a Meinkampf look And a love of the rack and the screw. And I said I do, I do. So daddy, I'm finally through. The black telephone's off at the root, The voices just can't worm through. If I've killed one man, I've killed two-- The vampire who said he was you And drank my blood for a year, Seven years, if you want to know. Daddy, you can lie back now. There's a stake in your fat black heart And the villagers never liked you. They are dancing and stamping on you. They always knew it was you. Daddy, daddy, you bastard, I'm through.
Fonte. Site "Internal.org" poets/Sylvia_Path

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

VERSOS A UMA ÁRVORE

foto: internet

Naquela árvore vejo o meu próprio destino: 
- brota da terra, cresce, reverdece e enflora! 

ontem, 

- pequeno arbusto humilde e pequenino, 
tronco a elevar-se altivo pelo espaço, - 

agora... 

Naquela árvore vejo a minha própria vida, 
veio do mesmo pó de onde todos brotamos, 
e no esforço da luta 
e na ânsia da subida 
desconjuntou seus galhos... 
retorceu seus ramos! ... 

Em mim, 
o homem rasgou minha alma 
e a encheu talvez de feridas mortais e eternas cicatrizes nela, 
- o tronco marcou, quebrou seus ramos, 
fez talhos por onde foge a seiva das raízes... 

Naquela árvore humana um destino se encerra: 
para viver: - lutou! ... para subir: - sofreu!... 
E transformou em flor e em fruto o húmus da terra, 
e indiferente, ao mundo, os ofertou como eu! 
Se se cobriu de folhas, 
de botões surgidos à flor da fronde assim como pingos de aurora, 
- por dentro, os galhos tortos, rudes, retorcidos, 
são as ânsias de dor que ninguém vê por fora... 

Por consolo, - quem sabe? 
- a Natureza deu ao peito de alguns homens coração de poeta, 
assim como as ramagens do arvoredo, 
encheu com a música das aves, gorjeante e inquieta... 

Naquela árvore, 
vejo a minha própria vida; 
no ser: - a mesma seiva bruta e dolorida; 
na face: - a fronde em flor sob a luz e os orvalhos... 
E o seu consolo e o meu, e o consolo da gente, 
são os pássaros a encher de sons alegremente as dores e as torturas íntimas dos galhos!

Fonte: Sedimentos, post de 27Jun2010

terça-feira, 6 de novembro de 2012

O TEMPO PASSA? NÃO PASSA

foto: internet

O tempo passa? Não passa
no abismo do coração.
Lá dentro, perdura a graça
do amor, florindo em canção.

O tempo nos aproxima

cada vez mais, nos reduz
a um só verso e uma rima
de mãos e olhos, na luz.

Não há tempo consumido

nem tempo a economizar.
O tempo é todo vestido
de amor e tempo de amar.

O meu tempo e o teu, amada,

transcendem qualquer medida.
Além do amor, não há nada,
amar é o sumo da vida.

São mitos de calendário

tanto o ontem como o agora,
e o teu aniversário
é um nascer a toda hora.

E nosso amor, que brotou

do tempo, não tem idade,
pois só quem ama escutou
o apelo da eternidade.


Carlos Drummond de Andrade


Fonte: Sedimentos, post de 23Jul2012.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Bandeira

Somos um povo à parte
desprezado
incompreendido
um povo que lutou e foi vencido.

por isso em meu canto de fé,
clamo e proponho, negro,
que a nossa bandeira
seja um pano negro,
negro da cor da noite sem luar...

sobre essa escuridão de luto e de pesar,
da cor da nossa cor,
escreve, irmão,
com a tua mão rude e vacilante
- mas forte
a palavra-força:

                         união!

traça depois, teimosamente
estas palavras basilares,
edificantes:

                  trabalho, instrução, educação. 


e com letras de ouro,
esplêndidas,
(a mão, mais firme já)
escreve, negro,


                          civilização, progresso, riqueza.

em caracteres róseos
esboça comovido
a palavra-chave da vida:

                                    amor!

com letras brancas
desenha com amor
a palavra sublime:

                                      paz!

a seguir
a vermelho-vivo
a vermelho-sangue,
com tinta feita de negros corpos desfeitos,
em lutas que vamos travar,
a vermelho-vivo,
cor do nosso sangue amassado
e misturado com lágrimas de sangue,
lágrimas por escravos choradas,
escreve, negro, firme e confiante,
com letras todas maiúsculas,
a palavra suprema
(ideal eterno,
nobre ideal
da humanidade atribulada,
que por ela vem lutando
e por ela vem sofrendo)
escreve, negro,
escreve, irmão,
a palavra suprema:

                              LIBERDADE

à volta dessas palavras-alavancas
semeia estrelas às mãos cheias
todas rútilas
todas de primeira grandeza,
estrelas belas da nossa esperança
estrelas lindas da nossa fé
estrelas que serão certeza na nossa BANDEIRA.


terça-feira, 30 de outubro de 2012

Saudades de um valdevinos

Oh que saudade, Deus meu, que saudade
da minha juventude e dos amores que vivi,
que me abalam o coração se ainda penso em ti,
e em todas que amei. Deus meu, que saudade...

Que saudade dessa vida plena, alegre, e divertida,
dos Diabos do Rítmo, das serenatas, e churrascadas
em noites de luar... das capoeiras todas depenadas.
Ai que saudade, Deus meu, que belos tempos da vida...

Tempos, sem doenças, nem dores, que já vão longe,
entre parentes e malta amiga, louca e desavergonhada,
que nas ruas da Cidade mostrava uma alegria danada...

Tempos de férias de verão, sem Liceu nem Maconge,
só de suspiros e cantos d'amor até ao clarear da madrugada,
ao acordar na Praia com o calor do Sol e a pele queimada ...

NECO (Mangericão) - 
19.05.2009

Fonte: Blogue "Gente do meu tempo", post de 3/Abr/2010

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

He andado muchos caminos

He andado muchos caminos
he abierto muchas veredas;
he navegado en cien mares
y atracado en cien riberas.

En todas partes he visto
caravanas de tristeza,
soberbios y melancólicos
borrachos de sombra negra.

Y pedantones al paño
que miran, callan y piensan
que saben, porque no beben
el vino de las tabernas.

Mala gente que camina
y va apestando la tierra...

Y en todas partes he visto
gentes que danzan o juegan,
cuando pueden, y laboran
sus cuatro palmos de tierra.

Nunca, si llegan a un sitio
preguntan a donde llegan.
Cuando caminan, cabalgan
a lomos de mula vieja.

Y no conocen la prisa
ni aún en los días de fiesta.
Donde hay vino, beben vino,
donde no hay vino, agua fresca.

Son buenas gentes que viven,
laboran, pasan y sueñan,
y un día como tantos,
descansan bajo la tierra.

Fonte: Repórter das Coisas - post de29Fev2008

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Poema TIRADO DE UMA NOTÍCIA DE JORNAL

João Gostoso era carregador de feira-livre e morava no morro
da Babiblónia num barracão sem número
Uma noite ele chegou no bar  Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.

Fonte: Antologia Manuel Bandeira, Relóbio d'Água, Março de 2006, Pág. 114

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Canção da Primavera


Primavera, Ilustração Marie Cramer.-

Mário Quintana (Para Érico Veríssimo)
-
Primavera cruza o rio
Cruza o sonho que tu sonhas.
Na cidade adormecida
Primavera vem chegando.
 -
Catavento enloqueceu,
Ficou girando, girando.
Em torno do catavento
Dancemos todos em bando.
 -
Dancemos todos, dancemos,
Amadas, Mortos, Amigos,
Dancemos todos até
-
Não mais saber-se o motivo…
Até que as paineiras tenham
Por sobre os muros florido!
-
Em: Canções, de Mario Quintana, Rio de Janeiro, Globo: 1946
Fonte: Blogue "Peregrinacultural's Weblog", post de 07Out2012

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