domingo, 14 de outubro de 2012

Quadrinha do aluno confuso


-
Pergunta a mestra ao menino,

aluno meio confuso:
- a porca… tem masculino?
- tem, ‘fessora… o pafuso! Fonte

Fonte: Blogue "Peregrinacultural's weblog", post de 03Out2012

domingo, 7 de outubro de 2012

Balada ditirâmbica do pequeno e do grande filho-da-puta


O pequeno filho-da-puta
é sempre
um pequeno filho-da-puta;
mas não há filho-da-puta,
por pequeno que seja,
que não tenha
a sua própria
grandeza,
diz o pequeno filho-da-puta.

no entanto, há
filhos-da-puta que nascem
grandes e filhos-da-puta
que nascem pequenos,
diz o pequeno filho-da-puta.
de resto,
os filhos-da-puta
não se medem aos
palmos,diz ainda
o pequeno filho-da-puta.

o pequeno
filho-da-puta
tem uma pequena
visão das coisas
e mostra em
tudo quanto faz
e diz
que é mesmo
o pequeno
filho-da-puta.

no entanto,
o pequeno filho-da-puta
tem orgulho
em ser
o pequeno filho-da-puta.
todos os grandes
filhos-da-puta
são reproduções em
ponto grande
do pequeno
filho-da-puta,
diz o pequeno filho-da-puta.

dentro do
pequeno filho-da-puta
estão em ideia
todos os grandes filhos-da-puta,
diz o
pequeno filho-da-puta.
tudo o que é mau
para o pequeno
é mau
para o grande filho-da-puta,
diz o pequeno filho-da-puta.

o pequeno filho-da-puta
foi concebido
pelo pequeno senhor
à sua imagem
e semelhança,
diz o pequeno filho-da-puta.

é o pequeno filho-da-puta
que dá ao grande
tudo aquilo de que
ele precisa
para ser o grande filho-da-puta,
diz o
pequeno filho-da-puta.
de resto,
o pequeno filho-da-puta vê
com bons olhos
o engrandecimento
do grande filho-da-puta:
o pequeno filho-da-puta
o pequeno senhor
Sujeito Serviçal
Simples Sobejo
ou seja,
o pequeno filho-da-puta.

II
o grande filho-da-puta
também em certos casos começa
por ser
um pequeno filho-da-puta,
e não há filho-da-puta,
por pequeno que seja,
que não possa
vir a ser
um grande filho-da-puta,
diz o grande filho-da-puta.

no entanto,
há filhos-da-puta
que já nascem grandes
e filhos-da-puta
que nascem pequenos,
diz o grande filho-da-puta.

de resto,
os filhos-da-puta
não se medem aos
palmos, diz ainda
o grande filho-da-puta.

o grande filho-da-puta
tem uma grande
visão das coisas
e mostra em
tudo quanto faz
e diz
que é mesmo
o grande filho-da-puta.

por isso
o grande filho-da-puta
tem orgulho em ser
o grande filho-da-puta.

todos
os pequenos filhos-da-puta
são reproduções em
ponto pequeno
do grande filho-da-puta,
diz o grande filho-da-puta.
dentro do
grande filho-da-puta
estão em ideia
todos os
pequenos filhos-da-puta,
diz o
grande filho-da-puta.

tudo o que é bom
para o grande
não pode
deixar de ser igualmente bom
para os pequenos filhos-da-puta,
diz
o grande filho-da-puta.

o grande filho-da-puta
foi concebido
pelo grande senhor
à sua imagem e
semelhança,
diz o grande filho-da-puta.

é o grande filho-da-puta
que dá ao pequeno
tudo aquilo de que ele
precisa para ser
o pequeno filho-da-puta,
diz o
grande filho-da-puta.
de resto,
o grande filho-da-puta
vê com bons olhos
a multiplicação
do pequeno filho-da-puta:
o grande filho-da-puta
o grande senhor
Santo e Senha
Símbolo Supremo
ou seja,
o grande filho-da-puta.

Alberto Pimenta


Alberto Pimenta no Jardim Zoológico de Lisboa em 1977, durante uma performance/happening intitulada Homo Sapiens
Fonte. Blogue "A Matéria do Tempo", post de 06Out2012

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

VIETNAMITAS UM POEMA PARA CONTAR

VIETNAMITAS UM POEMA PARA CONTAR:


Diz-se que recordar é viver
e é certo que assim é
Alegrias e tristezas, tudo porém trás,
quem viu e assitiu
a essa onda de gente a Macau aportar
Seu coração se oprimiu
na esperança de os ajudar!...
Foi assim, que certa manhã
um telefonema recebi,
era o Padre Nicósia a comunicar
que perto da Leprosaria de Ká Ho
pessoas estavam a desembarcar
Sóinho para lá segui
e ao ver aquela gente
meu coração chorou!...
Homens, mulheres e crianças
acabados de chegar
num barco que ao mar os deitou,
eram vietnamitas e à costa vieram dar.
Foi o começo de um longo exôdo.
Pela primeira vez vietnamitas
a Macau vieram parar
um grupo de vinte e três
antigas patentes militares e famílias
O Governo de Macau ajudou,
para outros países enviar,
dezenas, centenas e até milhares
das embarcações
que a Macau vieram aportar
Era tanta, tanta gente,
que não havia mais lugar
para as alojar.
Ilha Verde estava cheia
S. Rafael a abarrotar,
em Ká Ho barracas cheias
sem espaço para as albergar
A tudo isto a ONU e seu Alto Comissário
em Macau, Padre Lancelote
tudo fazim para ajudar
Outros locais se procuraram
para vietnamitas alojar,
mas eram tantos, tantos, tantos
que no mar, junto à ponte cais  da Taipa
tiveram que ficar!...
Foram anos de auxílio,
a esse povo carente
e Macau económicamente se resentiu
visto ter que igualmente sua população ajudar,
que pagando suportava esse povo carente
sendo um auxílio exemplar.
Mas, um dia chegou,
que o Governo decretou
Esse auxílio terminar,
foi então que recusou
vietnamitas a ficar.
Novas levas vinham chegando
para em Macau tentar ficar,
porém, agora era diferente
e toda essa pobre gente
para o alto mar teria que rumar.
Tivemos que começar
essa triste missão
rebocando os barcos para o alto mar
com tristeza no coração
Tristes porém partiam,
vedetas que os acompanhavam
água, gasóleo e comida lhes davam
e, devagar os rebocando
as serenas águas iam sulcando
até às próximidades de Hong Kong chegar.
Barcos pequenos e grandes,
sampanas e alcofas tudo servia
para do Vietname sair
A fim de a liberdade encontrar
pagavam a peso de ouro
para as autoridades subornar
No alto mar eram roubados
e de tudo despojados,
muitos haviam de morrer,
nas costas da Malásia metralhados
Para chegarem ao destino,
muito tiveram que penar,
foram centenas de milhares
que conseguiram sobreviver
e a Macau aportar
Terra Santa acolhedora
que sempre os soube ajudar
Tragédias muitas houvera,
e muito teria que contar!...
mas, um dia tudo mudou
Não mais Vietnamitas em Macau
Hong Kong passou a ser
o cento principal
e anos passaram em campos de refugiados
aguardando seu retorno, para o Vietname
No Museu Marítimo de Macau
frageis embarcações podemos visionar
e muitas delas tem a sua história para contar.

Fonte: Blogue "O Mar do Poeta", post de 01Out2012.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Bailundos


por esses longos caminhos
os desertos povoando,
passam negras comitivas
de bailundos...

descalços como jesus,
e os seus corpos mal cobertos,
são negras sombras na sombra,
que se eleva escuramente,
sem um carinho de luz.

a noite é um borrão de tinta preta!

mas a triste comitiva
pisando bem o caminho,
- estreito por ser tão longo
como a vida dessas gentes,
vai seguindo o seu destino
cantarolando nocturnos,
de baladas inocentes.

e quando o sol acordar
em seu berço oriental
as comitivas andando,
por carpetes de capim,
que eu não sei onde vão dar,
que eu não sei se têm fim,
vencendo, altivamente, a luta forte
desta vida de ilusão
procuram inutilmente,
mais longe, sempre mais longe,
a terra da promissão.

... ó mensageiros tristes da saudade
que trago dentro de mim:
esse caminho é eterno
e a minha dor não tem fim!

haveis de caminhar, sempre caminhar
que nunca terá fim o vosso inferno!

- não existe humanidade
e o mundo foi sempre assim!

Fonte: Blogue "Angoa: os poetas", post de 07Set2012.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Saudação à Nespereira da Achada

Eu te saúdo, tecedeira de sombras,
Eu te saúdo, fazedora de caroço
De polpa pouca e casca rija
Eu te saúdo, folhagem de fuligem
Com muito nervo e nervura
Eu te saúdo espectadora
Ligeiramente curvada
Sobre as obras dos homens
E do homem que aqui nos junta
Em escuta e luta.

Eu te saúdo, corpo sem origem,
Que em sua fraca figura
Não busca aplauso na
Pausa.
Eu te saúdo, lugar de raiz,
Onde os filhos se confundem
E malham no ferro frio das manhãs
Por vezes também no corpo
Enquanto está quente.

Fonte: Casa da Achada

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Cântico a Cabo Verde


quem foi que semeou estes pedaços
de áfrica no mar?
alguém que desejou fundir áfrica e europa
no mesmo sonho, no mesmo abraço,
na mesma voz, no mesmo olhar...

cabo verde, cabo verde,
arquipelago das ilhas encantadas
no meio do mar atlântico
por mãos sagradas...
vem do fundo das ilhas esse cântico
que flui dentro de nós nas noites de luar!

são vicente, santiago,
santo antão, fogo, brava...
a velha canção escrava,
sepultada nas ilhas outrora,
ressuscita liberta nas mornas.
(saudade minha, porque te adornas
com o pranto das lendas que trago
no meu lirismo de agora?)

cabo verde, cabo verde,
terra onde o amor se perde
e se redime na paixão ardente...
- vou cantar as tuas mornas,
na saudade da gente
e de todos os seres
que vivem nas tuas ilhas,
onde em sonhos eu sou...
e quero amar em ti as formosas mulheres
nascidas do teu ventre, as tuas filhas
encantadas que só o amor desencantou.

cabo verde, cabo verde,
ilha das ilhas prenhes de beleza e de dor,
paraíso crioulo que se perde
e se redime no amor!

Fonte: Blogue "Angola: os poetas", post de 27Ago2012.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Eu queria tanto


Eu queria tanto
Que o sonho que me atormenta
Fosse real, fosse verdadeiro

Eu queria voltar
A encontrar a paz que havia
A Pátria pluriracial
Honrar os heróis verdadeiros
Que lutaram e ganharam
A guerra que nos fizeram

Eu queria tanto
Voltar e encontrar
As picadas sem morte
As sanzalas escondidas
As jangadas e pontes de madeira
Os rios pacíficos e despoluídos
As igrejas com gente a cantar

Eu queria tanto
Voltar ás baías de Moçâmedes e de Benguela
Cheirar o mar de Luanda
E as flores das chanas das Terras do Fim do Mundo

Eu queria tanto
Voltar a ser um povo unido
Sem memória
Nem desonra do abandono e da derrota
Sem lembrança
Da cobarde descolonização

Eu queria tanto
Que o meu sonho de criança
Voltasse a ser tão forte e presente

Eu queria tanto
Voltar a ser a Pátria grande
Que não se interrompesse aquele sonho de criança
A Pátria de Moçamedes e de Benguela
Do Rovuma e do Maputo
De Bonomaro, das bolanhas da Guiné
Da cidade de Pemba
Da ilha de Moçambique

Eu queria tanto
Sentir orgulho nas caravelas
E nos cantos que nos embalaram
Em séculos de encontros

Eu queria tanto
Voltar a sentir a Pátria e o Império
Como coisa nossa
Como sentia em criança

Rui Moio. 11Abr2008. 

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Loucos e Santos


Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.

A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.

Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.

Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.

Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.

Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que “normalidade” é uma ilusão imbecil e estéril.

Fonte: Blogue "História Vava, post de 27Ago2012.

Related Posts with Thumbnails