Beijo pouco, falo menos ainda.
Mas invento palavras
que traduzem a ternura mais funda
E mais cotidiana.
inventei, por exemplo, o verbo teadorar.
Intransitivo
Teadoro, Teodora.
Petrópolis, 25 de Fevereiro de 1947
Fonte: Brasil Escola - post "Criações lexicais"
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Neologismo
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
AS GAROTAS DO MAR
Todos ficaram sabendo
que assim mesmo é que isto é,
contra as garotas do Mar
é remar contra a maré...
Vencemos em toda a linha!
Foi vitória das mais lindas,
pois nós ganhamos a todas,
Preciosas, Caraslindas...
Contra o que muitos pensavam
nós vencemos o despique,
pois entre ondas de beleza
não podemos ir a pique.
Que as moças iam vencer
era aqui por nós sabido,
pois o Namibe jamais
em beleza foi vencido!
Ninguém nos pode tirar,
cá nesta terra angolana
no campeonato das lindas
a posição soberana.
Todos queriam com bairrismo,
do fundo do coração,
neste Concurso famoso,
a bela repetição.
Lurdes tu és segunda
(Riquita foi a primeira)
e as Miragens do Deserto
hão-de indicar a terceira.
Em loucura colectiva,
no momento final,
a alegria sem limites
dominou a Areal.
Muitos cortejos de carros!
Bancos, pretos... Da cama,
homens, mulher's, crianças,
vêm pr'a rua de pijama!
As Welwistchias ajudaram,
com mil palmas prazenteiras,
que deram com frenezi,
as mil palmas das palmeiras!
E o bom Mar que é nosso Amigo,
em vozes portentosas,
bradou logo o mundo inteiro:
-São nossas as mais formosas!
Fonte: Blogue "GENTE DO MEU TEMPO" - post de 18Out2011
domingo, 23 de outubro de 2011
RECADO
Viver a vida a sorrir,
sem travar receios...
acreditar no provir,
sem olhar a meios...
um fugaz recado...
um ténue raio de luz,
duma auréloa, pressuposta,
à jornada, que conduz,
com ou sem mácula-pecado,
ao túnel duma resposta...
encontros de sabores...
viagem ou pura jornada,
curta ou larga d'amores,
numa vontade pujada...
réstea de luminosidade,
desventrando espaço tal,
a dar eco à AMIZADE...
acre-doce... ou sabor-sal
em caminhos cruzados,
a dar rumo, projectar,
em passos desusados
viver... O VIVER a sonhar!!!
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Cristalizações
Faz frio. Mas, depois duns dias de aguaceiros,
Vibra uma imensa claridade crua.
De cócaras, em linha os calceteiros,
Com lentidão, terrosos e grosseiros,
Calçam de lado a lado a longa rua.
Como as elevações secaram do relento,
E o descoberto Sol abafa e cria!
A frialdade exige o movimento;
E as poças de água, como um chão vidrento,
Reflectem a molhada casaria.
Em pé e perna, dando aos rins que a marcha agita,
Disseminadas, gritam as peixeiras;
Luzem, aquecem na manhã,
Uns barracões de gente pobrezita
E uns quintalórios velhos, com parreiras.
Não se ouvem aves; nem o choro duma nora!
Tomam por outra parte os viandantes;
E o ferro e a pedra - que união sonora! -
Retinem alto pelo espaço fora,
Com choques rijos, ásperos, cantantes.
Bom tempo. E os rapagões, morosos, duros , baços,
Cuja coluna nunca se endireita,
Partem penedos. Voam-lhe [sic] estilhaços.
Pesam enormemente os grossos maços,
Com que outros batem a calçada feita.
A sua barba agreste! A lã dos seus barretes!
Que espessos forros! Numa das regueiras
Acamam-se as japonas, os coletes;
E eles descalçam com os picaretes
Que ferem lume sobre pederneiras.
E neste rude mês, que não consente as flores,
Fundeiam, como esquadra em fria paz,
As árvores despidas. Sóbrias cores!
Mastros, enxárcias, vergas! Valadores
Atiram terra com as largas pás...
Eu julgo-me no Norte, ao frio - o grande agente!
Carros de mão que chiam carregados,
Conduzem saibro, vagarosamente;
Vê-se a cidade, mercantil, contente:
Madeiras, águas, multidões, telhados!
Negrejam os quintais; enxuga a alvenaria;
Em arco, sem as nuvens flutuantes,
O céu renova a tinta corredia;
E os charcos brilham tanto que eu diria
Ter ante mim lágoas de brilhantes!
E engelhem muito embora, os fracos, os tolhidos,
Eu tudo encontro alegremente exacto,
Lavo, refresco, limpo os meus sentidos.
E tangem-me, excitados, sacudidos,
O tacto, a vista, o ouvido, o gosto, o olfacto!
Pede-me o corpo inteiro esforços na friagem
De tão lavada e igual temperatura!
Os ares, o caminho, a luz reagem;
Cheira-me a fogo, a sílex, a ferragem;
Sabe-me a campo, a lenha, a agricultura.
Mal encarado e negro, um pára enquanto eu passo;
Dois assobiam, altas as marretas
Possantes, grossas, temperadas de aço;
E um gordo, o mestre, com ar ralaço
E manso, tira o nível das valetas.
Homens de carga! Assim as bestas vão curvadas!
Que vida tão custisa! Que diabo!
E os cavadores descansam as enxadas,
E cospem nas calosas mãos gretadas,
Para que não lhes escorregue o cabo.
Povo! No pano cru rasgado das camisas
Uma bandeira penso que transluz!
Com ela sofres, bebes, agonizas;
Listrões de vinho lançam-lhe divisas,
E os suspensórios traçam-lhe uma cruz!
De escuro, bruscamente, ao cimo da barroca,
Surge um perfil direito que se aguça;
E ar matinal de quem saiu da toca,
Uma figura fina, desmboca,
Toda abafada num casaco à russa.
Donde ela vem! A actriz que tanto cumprimento
E a quem, à noite, na plateia, atraio
Os olhos lisos como polimento!
Com seu rostinho estreito, friorento,
Caminha agora para o seu ensaio.
E aos outros eu admiro os dorsos, os costados
Como lajões. Os bons trabalhadores!
Os filhos das lezírias, dos montados:
Os das planícies, altos, aprumados;
Os das montanhas, baixos, trepadores!
Mas fina de feições, o queixo hostil, distinto,
Furtiva a tiritar em suas peles,
Espanta-me a actrizita que hoje pinto,
Neste Dezembro enérgico, sucinto,
E nestes sítios suburbanos, reles!
Como animais comuns, que uma picada esquente,
Eles, bovinos, másculos, ossudos,
Encaram-na, sanguínea, brutamente:
E ela vacila, hesita, impaciente
Sobre as botinas de tacões agudos.
Porém, desempenhando o seu papel na peça,
Sem que inda o público a passagem abra,
O demonico arrisca-se, atravessa
Covas, entulhos, lamaçais, depressa,
Com seus pezinhos rápidos, de cabra!
Nota: neste poema Cesário Verde homenageia o calceteiro.
Fonte: Rua da Poesia
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Minha Terra Longe
Infinitamente
Observo o Sul
e imagino-me na Minha Terra Longe
A minha Terra Longe
Está para além do mar
E de todo um continente
Imagino-me nela, penetro nela mas...
não encontro a escola que frequentei
as ruas que percorri
as casas que habitei
as cidades onde brinquei
não vejo os amigos
não encontro os vizinhos
Reconheço os lugares
pelos espectros do que a minha Terra foi
Há lá uma outra gente, uma outra humanidade
Gente que nada me diz
A minha terra Longe
Já não a reconheço
Não tenho chão, apagam-se as raízes
Resta a saudade da Pátria que foi
E a mágoa e a dor da Pátria que perdi
Rui Moio - 28Set2004
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Sentir o Império
No Rossio
No terreiro do Palácio de Almada
Era assim na minha Terra
E em todo além-mar
Onde havia Portugal
Cheira a Império
No centro de Odivelas
Nos autocarros, no metro
À noite
Aos Sábados, aos Domingos.
A qualquer dia e hora
No colorido das pessoas
No vozear misturado
Nas roupagens exóticas...
Cheira a Império
No Restelo, nos Anjos
Nos nomes das ruas e praças
No olhar o Tejo
Nos Olivais
E em tantos outros bairros
Cheira a Império
Nas obras a fazer
E nos monumentos construídos
Há tantas pedras que nos falam dele
As dos Jerónimos, as da Torre de Belém
As estradas, as pontes, os palácios
O Jardim Colonial e tanta outra coisa mais
Cheira a Império
no aeroporto
Com tanto viajante
De outros continentes
que chegam e partem
a todo o momento
Cheira a Império
Na polícia, no exército, na marinha
No desporto
Na CP, nos eléctricos
Na Justiça
Na Câmara de Lisboa
Mas,
O Império descasou-se
Já não existe mais
Dantes o nome Portugal
Era em todo o mundo
Agora,
Neste vazio de derrota
há uma amostra
do Império todo
No pequenino Portugal
Ainda bem que assim é
Para todos
Para a última geração do Império
A que não traíu e foi tão sacrificada
pela outra parte dela
Que matou a Pátria e a Nação.
Nota. Poema concebido a 03Maio2008.
sábado, 2 de julho de 2011
Sentires Sentidos - visitas por países de Mai2009 a Jul2011
Fonte: estatistica do Blogger.com
quarta-feira, 29 de junho de 2011
As visitas ao Sentires Sentidos por mês de Mai2009 a 28Jun2011
Fonte: estatisticas do Blogger.com




