segunda-feira, 25 de julho de 2011

Minha Terra Longe

Infinitamente
Observo o Sul
e imagino-me na Minha Terra Longe

A minha Terra Longe
Está para além do mar
E de todo um continente

Imagino-me nela, penetro nela mas...
não encontro a escola que frequentei
as ruas que percorri
as casas que habitei
as cidades onde brinquei

não vejo os amigos
não encontro os vizinhos

Reconheço os lugares
pelos espectros do que a minha Terra foi

Há lá uma outra gente, uma outra humanidade
Gente que nada me diz

A minha terra Longe
Já não a reconheço
Não tenho chão, apagam-se as raízes
Resta a saudade da Pátria que foi
E a mágoa e a dor da Pátria que perdi


Rui Moio - 28Set2004

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Sentir o Império

Cheira a Império
No Rossio
No terreiro do Palácio de Almada


Era assim na minha Terra
E em todo além-mar
Onde havia Portugal


Cheira a Império
No centro de Odivelas
Nos autocarros, no metro 
À noite
Aos Sábados, aos Domingos.
A qualquer dia e hora
No colorido das pessoas
No vozear misturado
Nas roupagens exóticas...


Cheira a Império
No Restelo, nos Anjos
Nos nomes das ruas e praças
No olhar o Tejo
Nos Olivais
E em tantos outros bairros


Cheira a Império
Nas obras a fazer
E nos monumentos construídos
Há tantas pedras que nos falam dele
As dos Jerónimos, as da Torre de Belém
As estradas, as pontes, os palácios
O Jardim Colonial e tanta outra coisa mais


Cheira a Império
no aeroporto
Com tanto viajante
De outros continentes
que chegam e partem
a todo o momento


Cheira a Império
Na polícia, no exército, na marinha
No desporto
Na CP, nos eléctricos
Na Justiça
Na Câmara de Lisboa


Mas,
O Império descasou-se
Já não existe mais
Dantes o nome Portugal
Era em todo o mundo
Agora,
Neste vazio de derrota
há uma amostra
do Império todo
No pequenino Portugal


Ainda bem que assim é
Para todos
Para a última geração do Império
A que não traíu e foi tão sacrificada
pela outra parte dela
Que matou a Pátria e a Nação.

Nota. Poema concebido a 03Maio2008.

sábado, 2 de julho de 2011

Sentires Sentidos - visitas por países de Mai2009 a Jul2011

Clica na Imagem para a ampliar

Nota:
1 - O Brasil é 100 vezes maior que a ex-metrópole, ou seja, é 100 vezes maior que o Portugal actual. Assim, não admira que dali venha o maior parte das visitas. As visitas oriundas do Brasil são em dobro das que vieram de Portugal continental e ilhas adjacentes - 14 823 do Brasil e 7 672 de Portugal.

2 - Por ordem decrescente os visitantes do Sentires Sentidos são oriundos do Brasil, Portugal, Estados Unidos, Suécia, Alemanha, Angola... 
Curioso o posicionamento dos Estados Unidos. Julgo que isto se deve à grande comunidade de língua portuguesa que vive na América.
A Suécia aparece em 4º. lugar, depois dos Estados Unidos. Ora, na Suécia não há uma grande comunidade de portugueses nem há tradição histórica de relações próximas entre a Suécia e  Portugal. Este posicionamento não será devido a, eventualmente, haver naquele país uma grande comunidade de falantes de português e isto devido ao incremento das trocas comerciais entre a Suécia e os novos países da CPLP?

3 - Angola aparece em 6º. lugar, bem à frente de qualquer outro país da comunidade lusófona, à excepção do Brasil e do Portugal actual.

Rui Moio
Fonte: estatistica do Blogger.com

quarta-feira, 29 de junho de 2011

As visitas ao Sentires Sentidos por mês de Mai2009 a 28Jun2011


Clique na imagem para a ampliar

Nota: O gráfico desenha o número de visitas realizadas ao Sentires Sentidos por mês desde Mai2009 a 28Jun2011. Abaixo indico alguns dados numéricos referentes a dois meses:

Jul2010         -  3036
1-28Jun2011 -  3281

Os países que mais visitaram o Sentires Sentidos foram o Brasil, seguido de Portugal Continental. Em menor número o Sentires Sentidos recebeu as visitas dos Estados Unidos da América, Angola, Rússia...
Rui Moio
Fonte: estatisticas do Blogger.com

terça-feira, 28 de junho de 2011

As visitas do mundo ao Sentires Sentidos - De 28Mai2008 a 27Jun2011


Clique na imagem para a ampliar

Nota: Neste gráfico mostram-se os países de todo o mundo que visitaram o Sentires Sentidos de 28Mai2008 a 27Jun2011. A mancha verde cobre quase todo o planisfério. Todas as parcelas do mundo lusófono já o visitaram.
Rui Moio

Fonte: Google Analitycs

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Balanço

Contei meus anos
e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente
do que já vivi até agora.


Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas.
As primeiras, ele chupou displicente, mas
percebendo que faltam poucas, rói o caroço.


Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram,
cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis,
para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias
que nem fazem parte da minha.


Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas,
que apesar da idade cronológica, são imaturos.
Detesto fazer acareação de desafectos que brigaram pelo
majestoso cargo de secretário geral do coral.
As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência,
minha alma tem pressa...


Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana,
muito humana; que sabe rir de seus tropeços,
não se encanta com triunfos,
não se considera eleita antes da hora,
não foge de sua mortalidade.


Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,
O essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial (...)

Fonte. Blogue "A Lua some e o Sol volta novamente" - post de 24Jan2011

domingo, 26 de junho de 2011

O Banquete

Pela manhã sem dores
Nem afazeres de urgência
Tenho um mata-bicho de garfo.
Um ovo estrelado
Embebido em açucar e azeite
Pão quentinho, tiborna
Torradinhas pequeninas ou de pão de forma
Queijinho da serra
Manteiga com sal
Leite creme com chocolate
Chouriço quente acabadinho de assar
Chouriço negro, broa de milho
Queijinho fresco às fatias
Com pimenta e sal refinado
Uma gemada
Com muito açúcar
Linguiça assada e quentinha.
Numa tacinha
Salgadinhos de ginguba e castanha assada.


Ao almoço com a barriga vazia
Sai um caldo verde
Com um fio de azeite e rodelas de chouriço.
Segue-se um bife com todos
Batatinhas quentes, arroz, fiambre
Molho de tomate
Ou à Portugália
Um pires com polvo em molho de vinagrete
Ou camarão descascado em molho de tomate
Entradas em toda a parte
Ovos cozidos com pimenta
Pastelinhos de nata com canela
Pedacinhos de omeleta em palito
Azeitonas verdes de cortar à faca
Pistachos, Ginguba e caju
Regado com vinho de várias marcas
Verde e fresquinho.


À sobremesa
Um pudim de leite
Mousse de chocolate, brigadeiros
Leite creme com farófias
Papas de milho
Café quentinho com um cheirinho
E Tudo ao som de marchas
Que fazem saltar as emoções
E ficar com pele de galinha.

Rui Moio, 18 de Abril, às 17h30 na cervejaria Aguiar & Almeida

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Onde está DEUS?


Passavam carregados os camiões
Levavam carga pesada
Emparedada em grades.
Rangeres de carroçaria denunciavam
Na noite escura
Que a carga se movimentava.

Que carga era? perguntava.

Aproximei-me,

Eram animais brancos,
Bois ou porcos,
Não sei.
Na carroçaria de dois andares
Apertados, lado a lado,
De traseiras para fora,
Escondiam-se os olhos da estrada.

No andar superior,
Uns olhos
Acompanhavam-me tristes,
Talvez a suplicar
Um carinho, um milagre,
Ou então…
Já sabidos do destino
Perguntavam-me,
Onde está DEUS?

E eu, negro,
Relembrei com amargura
O meu viver de séculos.
Era assim no barco negreiro.

Eles não comem o pó da estrada
e eu não conheci o sabor do sal do mar.

Nessa altura
Com olhos mudos e tristes
Eu perguntava
A padres
e a meninas de bem,
Onde está DEUS?

Tal como estes
que agora são transportados
também fomos levados
sem alma
medidos pela carcaça
por partes ou por inteiro.

Rui Moio entre as 24h00 e a 1h00 da madrugada de 22Agosto de 2007

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