quarta-feira, 14 de julho de 2010

És pequenina e ris... A boca breve


via Sedimentos... by teca on 7/10/10
És pequenina e ris...A boca breve
É um pequeno idílio cor-de-rosa...
Haste de lírio frágil e mimosa!
Cofre de beijos feito sonho e neve!
Doce quimera que nossa alma deve
Ao céu que assim te fez tão graciosa!

Palácio do Hidalcão!

Palácio do Hidalcão!
Vazio de corpos e almas,
Os Vice-Reis já lá não estão.
Foram levados nos caixilhos dourados,
Foram dispersos nas telas restauradas,
Foram banidos, sem gala, da sala de recepção!
Palácio do Hidalcão!

As tábuas de sândalo chorarão monções
Nos maviosos móveis criminosos
Daqueles que as arrancaram,
As roubaram por despojos
Das suas ocultas ambições.
Palácio do Hidalcão!

Vazio, lúgubre e sombrio,
Testemunha de sofrimentos, choros e suores,
Talvez um dia longe, muito longe,
A luz do sol doire as entradas pobres
Por onde entrarão os teus senhores,
Palácio do Hidalcão!

Agora… o tempo que faz é outro,
E outra a vida diferente.
Fantasmas escorrem de tuas paredes
Pedindo aos céus, aos oceanos, às gaivotas,
Que levem saudades de outros tempos,
De outros senhores capitães-generais,
De outra gente…
Palácio do Hidalcão!
Chaga rasgada ao pé do coração!

Fonte: Livro "Não Posso Dizer Adeus Às Armas" de Amândio César, Págs. 81 e 82

terça-feira, 6 de julho de 2010

DEIXA ACONTECER

via Sedimentos... by teca on 7/5/10
foto: internet

Ah, não tente explicar
Nem se desculpar
Nem tente esconder
Se vem do coração
Não tem jeito, não
Deixa acontecer

O amor é essa força incontida
Desarruma a cama e a vida
Nos fere, maltrata e seduz
É feito uma estrela cadente
Que risca o caminho da gente
Nos enche de força e de luz

Vai debochar da dor
Sem nenhum pudor
Nem medo qualquer
Ah, sendo por amor
Seja como for
E o que Deus quiser

Vinícius de Morais/Toquinho

domingo, 4 de julho de 2010

No teu colo

via Escritas da Alma by Helô Strega on 7/3/10

O teu colo é o meu lugar.
É nele que a menina vira mulher,
que o riso vira suspiro,
que a brincadeira vira coisa séria,
e que as palavras se transformam em gemidos.
É nele que a linguagem
passa a se chama: tesão.

No teu colo eu aprendo
uma outra forma de comunicação.
Nele a gente inventa uma outra língua:
aprimoram-se
as formas de comunicação.

Helô na Janela

via Escritas da Alma by Helô Strega on 7/3/10

sábado, 3 de julho de 2010

Como uma onda

via Sedimentos... by teca on 7/1/10


Como Uma Onda Lulu Santos / Nelson Motta

Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa
Tudo sempre passará
A vida vem em ondas
Como um mar
Num indo e vindo infinito
Tudo que se vê não é Igual ao que a gente
Viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo
No mundo
Não adianta fugir
Nem mentir
Pra si mesmo agora
Há tanta vida lá fora
Aqui dentro sempre
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar

SAUDADE...

via Sedimentos... by teca on 6/30/10

foto: internet

Saudade é um pouco como fome.
Só passa quando se come a presença.
Mas às vezes a saudade é tão profunda
que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda.
Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira
é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Houve um tempo em que minha janela se abria

via Meu universo de Felicidade by ...MEU UNIVERSO DE FELICIDADE on 6/30/10
Houve um tempo em que minha janela se abria
sobre uma cidade que parecia ser feita de giz.
Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada,
e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde,
e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas.
Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse.
E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas.
Avisto crianças que vão para a escola.
Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.
Ás vezes, um galo canta.
Às vezes, um avião passa.
Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,
que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem,
outros que só existem diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.

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