segunda-feira, 31 de maio de 2010

O Sol da minha terra

via Angola eu te amo by José Sousa on 5/30/10
Quando o despertador da selva
Nos fazia acordar,
Por traz dos morros eu via...
Raios de sol a brilhar.

Quem vivesse dentro da selva
Ainda teria de esperar,
Que o cacimbo por lá existente
...Tivesse que levantar.

Ai que cacimbo tão gostoso!
Sua essência perfumada,
Com perfume tão exótico...
Que nos lembrava a nossa amada.

E o sol ia subindo
E o cacimbo desaparecendo,
Sol e nuvens á mistura...
Sem contarmos… estava chovendo.

Mínima 15, máxima 30
Era a temperatura no Amboim,
Enchendo-nos de alegria
Onde tudo o que existia... era para mim.

Cai a noite... e no horizonte
Savana e céu se misturavam
Céu cinzento, azul avermelhado,
Rugia o Lião... lá longe irado.

Na minha terra é só magia
Sentia-a como um perfeito jardim,
Por todo o lado em que olhava
Via tudo sorrindo... só para mim.

Sou suspeito por assim falar
Daquela terra tão querida,
Mas não quero nem saber...
Em mim viverá para toda a vida!

vocabulário: "Morros" = Montanhas. "Cacimbo" = Nevoeiro. "Amboim" = Nome da região onde eu vivia.

sábado, 29 de maio de 2010

CONFISSÃO

via Sedimentos... by teca on 5/27/10

Que esta minha paz e este meu amado silêncio
Não iludam a ninguém
Não é a paz de uma cidade bombardeada e deserta
Nem tampouco a paz compulsória dos cemitérios
Acho-me relativamente feliz
Porque nada de exterior me acontece...
Mas,
Em mim, na minha alma,
Pressinto que vou ter um terremoto!

quinta-feira, 27 de maio de 2010

SONS DE ANGOLA DENTRO DE MIM

Nota
Descobri encantado um homem interessante!... Bebeu a água do Kuanza e fez-se poeta. Falo de José Sousa. Para os exilados de África ou de Angola, ou de Moçambique, ou da Guiné, ou de Cabo Verde, ou de São Tomé e até de Timor ou de Macau... como caiem fundo estas palavras: "Sons de Angola dentro de mim"!...
Rui Moio

via Angola eu te amo by José Sousa on 5/26/10

Tenho os sons de Angola
Dentro de mim...

Quando a noite cai
Chegam-me ecos
de Katxa-Katxas
e Reco-Recos
Mpwitas e Tchingufos
E mãos voando
Sob a força de Marufos.
Chegam-me sons...
De Marimbas
Cruzando com Kissanges

Tenho os sons de Angola
Dentro de mim...

E quando
O Grande Tocador me chamar
Irei, de guizos nas mãos
De boca sorridente
Juntar-me... aos meus irmãos
Na Grande Festa
Na Angola mais Deserta.

Retalhos

Serras, veredas, atalhos,
Estradas e fragas de vento,
Onde se encontram retalhos
De vidas em sofrimento

Retalhos fundos no rostos,
Mãos duras e retalhadas
Pelo suor do desgosto,
que talha as caras fechadas

O caminho que seguiste,
Entre gente pobre e rude,
Muitas vezes tu abriste
Uma rosa de saúde

Cada história é um retalho
Cortado no coração
De um homem que no trabalho
Reparte a vida e o pão

As vidas que defendeste,
E o pão que repartiste,
São a água que tu bebeste
Dos olhos de um povo triste

E depois de tanto mundo,
Retalhado de verdade,
Também tu chegaste ao fundo
Da doença da cidade

Da que não vem na sebenta,
Daquela que não se ensina,
Da pobreza que afugenta
Os barões da medicina

Tu sabes quanto fizeste,
A miséria não se cura,
Nem mesmo quando lhe deste
A receita da ternura

Cada história é um retalho
Cortado no coração
De um homem que no trabalho
Reparte a vida e o pão

As vidas que defendeste,
E o pão que repartiste,
São a água que tu bebeste
Dos olhos de um povo triste


quarta-feira, 26 de maio de 2010

Sonho Pagão

De noite,
Nessas noites mornas e lentas,
Iluminadas pela lua sensual,
Quando as flores se abrem languescentes,
De corolas abertas, carnais,
Como corpos que se entregam
Vou, como uma deusa pagã em desvario,
De narinas dilatadas,
Procurar o excitante odor da tua pele.
A boca sedenta, quer beber-te no ar em brasa…
Ávido o olhar, busco encontrar-te
Nas trevas que m’envolvem…
Vejo-te em cada sombra que se adensa…
Ouço no canto das fontes,
A tua voz, que desconheço…
Tem o langor deste desejo que voa até ti…
Quebro de raiva os ramos que me ferem,
sôfrega dos teus beijos…
Piso…Mastigo as folhas secas que m’acolhem
Com a ilusão de morder-te a carne ardente…
Depois, caída na realidade da minha solidão,
Clamo por ti…
Berro na noite teu nome d’amor…
Aperto em meus braços a forma do teu corpo
E mergulho meus lábios nessa imagem,
Soltando uivos de prazer e desespero…

terça-feira, 25 de maio de 2010

A letra do Hino Nacional foi actualizada...

via QUERIASERSELVAGEM by José Sousa on 5/10/10

DESTINO.NACIONAL

Heróis do mal
Pobre Povo
Nação doente
E mortal
Expulsai os tubarões
Exploradores de Portugal
Entre as burlas
Sem vergonha
Ó Pátria
Cale-se a voz
Dessa corja tão atroz
Que há-de levar-te à miséria
P'ra rua, p'ra rua
Quem te está a aniquilar
P'ra rua, p'ra rua
Os que só estão a chular
Contra os burlões
Lutar, lutar !

Soneto do amigo

Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...

O Aterro

via Fernanda de Castro by António Quadros Ferro on 5/21/10

Fernanda de Castro, Contemporânea nº10 (1920), via Hemeroteca Digital

Nota: Para ampliar clique sobre a imagem.
Rui Moio

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