quarta-feira, 29 de abril de 2009

De Santa Maria de Belém para Santa Maria da Vitória

Quem, do alto
de tanta sela
e montada,
tanta vez, em sobressalto,
pôs Castela
em debandada...,

— ...pode lá ver, pela frente
pode lá ter, por diante
(sem que se exalte e se zangue
o seu rompante guerreiro)
, apenas gente aparente... gente
de sangue rafeiro?!...

Na imagem de vitral 
do espiritual cavaleiro —
medalhão medieval,
aos pés do qual
me consterno...
—, está ou não PORTUGAL
DE PORTUGAL?...
Está ou não PORTUGAL, inteiro,
e eterno?!...

É mister que, aferro e fogo,
quase tudo, aqui, de novo,
como novo se consagre...

De tal sorte que este povo
possa pôr cobro ao malogro
e opere, em Si, o milagre!

(— Assim nos valha
uma outra
batalha
d’Aljubarrota...)

A coroa da descrença
não há fronte que a suporte
da nascença
até à morte.

(Quanta vez o simples brado
d’uma voz d’além, remota,
tem tirado de cuidado
todo este Povo — e arredado,
do espírito mais crispado,
o espectro da derrota?!...

— Foi, ou não foi, ao mandado
de certa força ignota
que a gente formou quadrado
nos campos d’Aljubarrota?...)

Sob o alto e estuante historial
deste Mosteiro —
Mosteiro de pedra e cal,
perante o qual
me prosterno...
—, está ou não PORTUGAL
DE PORTUGAL?...
Está ou não PORTUGAL inteiro e
eterno?!...

... Mas, enquanto a esperança
não se abre ou entreabre,
dia-a-dia se agiganta
a abadia da memória
— à luz da lança
com que o Santo Condestabre
talhou Santa Maria
da Vitória!...

E ali, é que eu a mim me reúno,
debaixo daquela antiga bandeira
que me quis sagrar aluno
de D. Nuno
Álvares Pereira.

Do alto, lá do Seu posto,
atenda Ele, ao recado
que me foi lançado em rosto,
derramado o Seu desgosto
sobre a data já remota.
— Dia 14 d’Agosto:
Quadrado
d’Aljubarrota!

Quem já deu como morto
o Condestável,
esqueceu que o Seu corpo
é insepultável!...

Esqueceu que d’Ele descendo;
e que o fogo que ora acendo,
e em mais peitos vai ardendo,
só não passa a lume brando
— porque eu d’aqui me encomendo,
outra vez, ao Seu comando!

E a façanha que, de longe,
se desenha para hoje,
traça ali todo um roteiro
— que une a estamenha
do monge
à couraça do guerreiro!

Saia, de novo, a terreiro
— d’atalaia
e a dar ajuda —
todo o povo. O povo inteiro
outra vez contra o estrangeiro
nos acuda:
ponha a andar d’aqui o Andeiro
a tal arraia-miúda!

Arraial, Arraial
(de porrada)
Por PORTUGAL
— e mais nada.

Que sinal d’orfandade
sinal te amarfanha,
Orfeu ofendido?...

— ...Ou sempre é verdade
que a teia d’aranha
que ganha a cidade
te deixa transido?!...

Rodrigo Emílio - In Poemas de Braço ao Alto, 1982, págs. 543/557

Hino ao Beato Nuno de Sata Maria

Coro:

Herói e Nuno, Nuno imortal,
Herói e Nuno, Nuno imortal,
Valei à terra de Portugal!

(Bis)

I

Dom Nuno Alvares Pereira
Nosso encanto e nossa glória,
Retomai vossa Bandeira
E levai-nos à vitória.

II

Carmelita e Cavaleiro,
Abraçando a Cruz da Espada,
Mostraste ao mundo inteiro
O valor da Pátria Amada.

In Iconografia Condestabriana,
Bernando Xavier Coutinho, Instituto de Alta Cultura, p. 309,1971.


Língua-mãe

Volto a ser pequeno
como dantes para ir para a escola
onde aprendi os números e as letras
as ciências e as línguas.
mas desta vez não aprenderei
nem letras nem línguas
nem ciências nem números.

aprenderei a ouvir o povo das sanzalas
dos dongos dos rios das canoas do mar,
nos musseques e no morro da Maianga
as velhas contando coisas doutras eras.

que me interessa saber a língua de voltaire,
de Goethe e shakspeare,
se não sei o cantar das glebas negras?

se não sei o dizer dos marimbeiros,
os tocadores de tchingufos e kisanjis
quando entro calado pelos quimbos?

e o dizer compassado dos batuques
os cantos ritmados das massembas
as histórias do povo e as lendas do passado?


Vai Alta no Céu

 Vai alta no céu a lua da Primavera
Penso em ti e dentro de mim estou completo.
Corre pelos vagos campos até mim uma brisa ligeira.
Penso em ti, murmuro o teu nome; e não sou eu:
sou feliz.
Amanhã virás, andarás comigo a colher flores pelo campo,
E eu andarei contigo pelos campos ver-te colher flores.
Eu já te vejo amanhã a colher flores comigo pelos campos,
Pois quando vieres amanhã e andares comigo no campo a colher flores,
Isso será uma alegria e uma verdade para mim. 


segunda-feira, 27 de abril de 2009

Quem disse que eu me mudei?

Quem disse que eu me mudei?
Não importa que a tenham demolido:
A gente continua morando na velha casa em que nasceu.


domingo, 26 de abril de 2009

É proibido chorar sem aprender - Tradução para português do "QUEDA PROHIBIDO!"

É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.

É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,

Não transformar sonhos em realidade.
É proibido não demonstrar amor
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.
É proibido deixar os amigos

Não tentar compreender o que viveram juntos
Chamá-los somente quando necessita deles.
É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,
Fingir que elas não te importam,

Ser gentil só para que se lembrem de você,
Esquecer aqueles que gostam de você.
É proibido não fazer as coisas por si mesmo,
Não crer em Deus e fazer seu destino,

Ter medo da vida e de seus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.
É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,

Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se
desencontraram,
Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.
É proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,

Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.
É proibido não criar sua história,
Deixar de dar graças a Deus por sua vida,

Não ter um momento para quem necessita de você,
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.
É proibido não buscar a felicidade,

Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores,
Não sentir que sem você este mundo não seria igual.

Nota: Tradução para português por autor desconhecido

Identidade

via ALMA PÁTRIA - PÁTRIA ALMA de Vítor Ramalho em 25/04/09

Um poema, que tanto nos diz, de António Manuel Couto Viana e que se recomenda na voz (um tanto silenciada, muito convenientemente...) de José Campos e Sousa:

O que diz Pátria mas não diz glória
Com um silêncio de cobardia,
E ardendo em chamas, chamou vitória,
Ao medo e à morte daquele dia

A esse eu quero negar-lhe a mão,
Negar-lhe o sangue da minha voz,
Que foi ferida pela traição
E teve o nome de todos nós

O que diz Pátria sem ter vergonha
E faz a guerra pela verdade
Que ama o futuro, constrói e sonha
Pão e poesia para a cidade

A esse eu quero chamar irmão
Sentir-lhe o ombro junto do meu
Ir a caminho de um coração
Que foi de todos e se perdeu

Autor do poema: António Manuel Couto Viana


sábado, 25 de abril de 2009

Se tu me amas, ama-me baixinho

Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...


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