Oh, velho, disforme, cambuta, retorcido, feio-
-maravilhoso cajueiro da minha infância!
Vem de longe estender tua sombra amiga
Sobre meu corpo longo de suor e desespero...
Traz-me a carícia de tuas folhas-
-paraus de piratas nas lagoas da chuva
(Estou longe, quero regressar à minha terra...)
O suave aroma de teus ramos de pele encarquilhada, resinando,
Os esconderijos de teus braços nos cigarros proibidos.
Vem de longe, desse fundo sem eco da distância,
E traz-me a doce fragrância de um só caju maduro
Marcado com meu nome e data
E que os outros não descobriram...
Oferece-me a última vez que seja na vida
Teus ramos tenros para marinhar
Acrobacias impossíveis:
- Énu mal'ê! Énu mal'ê
Fonte: Blogue "AMORE" - post de 02Dez2008
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Cajueiro plantado no cérebro
Welwitchia Mirabilis
Como esquecidos esqueletos
dormindo...
Na poeira de oiro desbotado
pedras brancas
alvejadas na triste secura do chão.
Formas estranhas de gravetos
cheios de quebras e espinhos
negrejam de quando em vez
neste chão viúvo de caminhos.
Crucificada
numa encruzilhada que não existe
a forma triste e estatelada
duma Welwitchia sem cor
marca o lugar do encontro
do nada com o esquecimento.
O céu cor de cinza, carregado
de destino
olha para o quadro deserto
Fechado...
A coisa não merece céu aberto...
Com ar desconsolado
de quem já não vale a pena.
Estou ali também--- sentado
sou o toque de humano e pungente
naquela paisagem do deserto.
A. Neves de Sousa, In Batuque
Blogue: "AMORE" - post de 02Dez2008
Poemas para um tocador de quissanje
Leio nos teus olhos
a minha infância
como quem olha um retrato
envelhecido e mudo...
Os teus olhos parados
claros de luas passadas
não são mais que pedras frias
onde perpassam cacimbos...
... no entanto leio neles
todo esse mundo querido
de mistérios
assombrações
e receios
claras manhãs de Janeiro
calor de todos os jangos
verdes capins sorrindo...
Falam de noites da vida
vidas da vida falando
na linguagem de um quissanje
2
Eras o maior
dos tocadores de quissanje...
Vinham gentes
e paravam...
ao luar de frios ventos
de jangos mudos
e as mulembas
não embalavam
as folhas...
Na longa noite do tempo
inda se escutam e choram
teus acordes de quissanje
mensagens de além perdido.
3
... e vinham
das distâncias
eram das terras da lunda
e os regressados das ilhas
e as crianças que não iam
muito p'ra além dos luandos
e das portas
e eram velhas
cachimbando
junto às fogueiras
sem lenha
e vinham todos...
Alongava-se na noite
canto de escravos passados
vozes de contratados
o teu quissanje dolente...
4
... as velhas já não choravam
filhos perdidos no mar
e as crianças não choravam
a fome dos ventres grávidos
e as mulheres já não choravam
homens levados de noite
em cargas silenciosas...
e as lavras já não choravam
e as estradas
e os mares
suor dos ombros cansados
e os homens
já não choravam
já não choravam
já não choravam
Calavam.
5
Havia conchas de mar
múcuas e pitangueiras
falas de gentes quiocas
vozes de terras ganguelas
gritos de homens cuanhamas
ó amor de jovens luenas
e lendas de mucubais
inconformadas presenças
pairando em cada silêncio
em cada vagem que seca
como promessas de pão feitas fome
na realidade diária.
Havia
havia
havia
humanidades de espera
como promessas de pão.
Fonte: Blogue "AMORE" - post de02Dez2008
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
A la Patria
Composición recitada por una niña en Tacubaya de los Mártires, el 11 de septiembre de 1873.
de aquella noche sagrada
en que la patria alherrojada
rompió al fin su esclavitud;
ante la dulce memoria
de aquella hora y de aquel día,
yo siento que en el alma mía
canta algo como un laúd.
Yo siento que brota en flores
el huerto de mi ternura,
que tiembla entre su espesura
la estrofa de una canción;
y al sonoroso y ardiente
murmurar de cada nota,
siendo algo grande que brota
dentro de mi corazón.
¡Bendita noche de gloria
que así mi espíritu agitas,
bendita entre benditas
noche de la libertad!
Hora del triunfo en que el pueblo
vio al fin en su omnipotencia,
al sol de la independencia
rompiendo la oscuridad.
Yo te amo... y al acercarme
ante este altar de victoria
donde la patria y la historia
contemplan nuestro placer,
yo vengo a unir al tributo
que en darte el pueblo se afana
mi canto de mexicana,
mi corazón de mujer.
Fonte: Blogue "Poemas del Alma"
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
ES OLVIDO
Juro que no recuerdo ni su nombre,
Mas moriré llamándola María,
No por simple capricho de poeta:
Por su aspecto de plaza de provincia.
¡Tiempos aquellos!, yo un espantapájaros,
Ella una joven pálida y sombría.
Al volver una tarde del Liceo
Supe de la su muerte inmerecida,
Nueva que me causó tal desengaño
Que derramé una lágrima al oírla.
Una lágrima, sí, ¡quién lo creyera!
Y eso que soy persona de energía.
Si he de conceder crédito a lo dicho
Por la gente que trajo la noticia
Debo creer, sin vacilar un punto,
Que murió con mi nombre en las pupilas.
Hecho que me sorprende, porque nunca
Fue para mí otra cosa que una amiga.
Nunca tuve con ella más que simples
Relaciones de estricta cortesía,
Nada más que palabras y palabras
Y una que otra mención de golondrinas.
La conocí en mi pueblo (de mi pueblo
Sólo queda un puñado de cenizas),
Pero jamás vi en ella otro destino
Que el de una joven triste y pensativa
Tanto fue así que hasta llegué a tratarla
Con el celeste nombre de María,
Circunstancia que prueba claramente
La exactitud central de mi doctrina.
Puede ser que una vez la haya besado,
¡Quién es el que no besa a sus amigas!
Pero tened presente que lo hice
Sin darme cuenta bien de lo que hacía.
No negaré, eso sí, que me gustaba
Su inmaterial y vaga compañía
Que era como el espíritu sereno
Que a las flores domésticas anima.
Yo no puedo ocultar de ningún modo
La importancia que tuvo su sonrisa
Ni desvirtuar el favorable influjo
Que hasta en las mismas piedras ejercía.
Agreguemos, aún, que de la noche
Fueron sus ojos fuente fidedigna.
Mas, a pesar de todo, es necesario
Que comprendan que yo no la quería
Sino con ese vago sentimiento
Con que a un pariente enfermo se designa.
Sin embargo sucede, sin embargo,
Lo que a esta fecha aún me maravilla,
Ese inaudito y singular ejemplo
De morir con mi nombre en las pupilas,
Ella, múltiple rosa inmaculada,
Ella que era una lámpara legítima.
Tiene razón, mucha razón, la gente
Que se pasa quejando noche y día
De que el mundo traidor en que vivimos
Vale menos que rueda detenida:
Mucho más honorable es una tumba,
Vale más una hoja enmohecida.
Nada es verdad, aquí nada perdura,
Ni el color del cristal con que se mira.
Hoy es un día azul de primavera,
Creo que moriré de poesía,
De esa famosa joven melancólica
No recuerdo ni el nombre que tenía.
Sólo sé que pasó por este mundo
Como una paloma fugitiva:
La olvidé sin quererlo, lentamente,
Como todas las cosas de la vida.
Fonte. Blogue "Poemas del Alma"
domingo, 4 de janeiro de 2009
Um Poema
Não tenhas medo, ouve:
É um poema
Um misto de oração e de feitiço...
Sem qualquer compromisso,
Ouve-o atentamente,
De coração lavado.
Poderás decorá-lo
E rezá-lo
Ao deitar
Ao levantar,
Ou nas restantes horas de tristeza.
Na segura certeza
De que mal não te faz.
E pode acontecer que te dê paz...
Fonte: Blogue "O Lupango da Jinha" - post de 30Dez2008
Receita de Ano Feliz
Pegue 12 meses inteiros.
Limpe-os bem, tirando toda a amargura,
ódio e inveja.
Deixe-os tão limpos quanto possível.
Depois corte cada mês em 2 8, 30 ou 31
partes diferentes, mas não pegue todas
de uma vez só.
Prepare-as pouco a pouco, atento aos ingredientes.
Misture bem em cada dia uma porção de fé,
uma porção de paciência, uma porção de coragem
e uma porção de trabalho.
Adicione uma parte de esperança, lealdade,
generosidade, meditação e boa vontade.
Tempere tudo com pitadas de espiritualidade,
diversão, um pouco de brincadeiras
e um copo cheio de bom humor.
Despeje tudo isso numa tigela de amor.
Cozinhe bem, com muita alegria,
e enfeite com um sorriso.
Depois sirva tranquila, desapegada e carinhosamente.
Fonte: Blogue "O Lupango da Jinha" - post de 01Jan2009
Eu Creio
Eu Creio
Creio em mim mesmo.
Creio nos que trabalham comigo,
creio nos meus amigos e creio na minha família.
Creio que Deus me emprestará
tudo que necessito para triunfar,
contanto que eu me esforce para alcançar
com meios lícitos e honestos.
Creio nas orações e nunca fecharei
meus olhos para dormir,
sem pedir antes a devida orientação
a fim de ser paciente com os outros
e tolerante com os que
não acreditam no que eu acredito.
Creio que o triunfo é resultado de esforço inteligente,
que não depende da sorte, da magia,
de amigos, companheiros duvidosos ou de meu chefe.
Creio que tirarei da vida exactamente o que nela colocar.
Serei cauteloso quando tratar os outros,
como quero que eles sejam comigo.
Não caluniarei aqueles que não gosto.
Não diminuirei meu trabalho por ver
que os outros o fazem.
Prestarei o melhor serviço de que sou capaz,
porque jurei a mim mesmo triunfar na vida,
e sei que o triunfo é sempre resultado
do esforço consciente e eficaz.
Finalmente, perdoarei os que me ofendem,
porque compreendo que às vezes
ofendo os outros e necessito de perdão.
Fonte: Blogue "O Lupango da Jinha" - post de 01Jan2009


