Folha de hera perdida,
a marcar a página das horas
que não findaram,
no bate-compasso-certo, da Vida!
Folha de hera perdida...
Por causa de ti,
o livro abriu-se na página marcada...
e os versos falaram de destinos belos
confundidos,
tão incertos,
mas tão sentidos.
Folha de hera,
verde-triste,
verde-escura,
a envelhecer com doçura...
Só a página dos versos
e dos meus anseios,
é sempre a mesma, marcada,
aberta no mesmo sítio,
crucificada em teus veios...
Folha de hera! Folha d' hera!...
Mesmo que o vento te leve,
será sempre Primavera...
Mesmo que o vento te leve,
o livro se encherá sempre
duma presença encantada...
E se abrirá sempre, sempre,
nessa página marcada!..."
Fonte: Blogue "Lupango da Jinha" de 29Jul2008
quinta-feira, 31 de julho de 2008
Página Marcada
quarta-feira, 30 de julho de 2008
A Caminho
Vai Amigo...
Vai, e não esperes por mim...
Ao longe, fica a estrada,
talvez certa,
talvez bela.
É tua esta jornada.
Já passas a cancela...
Porque olhas para trás?...
Vai Amigo...
Amanhã, voltarás.
É longo o meu adeus.
Estão tristes os meus olhos.
Por tudo,
eles me estão tristes
neste fim...
Mas vai,
que a hora é breve...
Não esperes por mim...
Fonte: Blogue "Lupango da Jinha" - post de 30Jul2008
Angola é Nossa
Imagina, camarada, que a nossa Pátria ainda existe... Tem esperança que um dia ainda vamos ter de novo o Nosso Portugal, o único que existe e que é o que vai do Minho a Timor.
Rui Moio
segunda-feira, 28 de julho de 2008
Para MACONGE
Neste reino de sonho e fantasia
Com ideais eternos de amizade
Que ninguém altere nunca a harmonia
Da lealdade e afecto de verdade.
Nossa saudade é bela, é de alegria
Os que se ausentam vivem em pensamento
Por nossa terra de além-mar em nostalgia
Não choramos pois está em nós cada momento.
Marcadores: 2008, Jovita Nóbrega
Fonte: Blogue "PoeMaconge"
domingo, 27 de julho de 2008
Trecho de (...) Sertão em Flor
Vassuncês diga o que é
Vassuncês diga o que é
Um coração de home véio
Que quanto mais véio fica,
Mais aprecia uma muié!
Vassuncês ri? Falo sério.
O coração do home véio
é um burro véio trotando,
dáqui e dali trupicando
na derradeira viage,
que faz lá prô cimitério,
comendo pelos caminhos
um resto seco de espinho
que vae topando no chão ,
bebendo uns pingo de orváio
dos óios – as duas cacimbas
da fonte do coração! ....
Em riba dúma cangáia
duas muié carregando
cum o peso todo da idade:
uma, já morta: a Esperança,
outra, inda viva: a Saudade,...
Até cair cum a Esperança
e o cadáver da Saudade
e os frutos podre dos anos
que ele leva no jacá,
prá arrecebê, afiná,
o beijo de amô da boca
da namorada dos véios,
que toda mágua alivia,
que toda a pena consola!...
A Morte, patrão, a Morte!
essa cabloca fié!
Muda... Surda...Cega e fria,
que depois de uma viola,
é a mais mió das muié.
Fonte_ Grupo Yahoo Observatório Sociológico - post de Rui Mendes de 27Jul2008
sábado, 26 de julho de 2008
O Feiticeiro do Nameculungo
das margens deste Arade:
vós que hoje me chamastes
por vontade de Soba crente,
aqui voluntário me tendes,
mais do que por bondade.
Venho à Ceia de Maconge,
não costumo ser convidado;
sou estranho e amaldiçoado,
mas é estreia. Venho de longe...
Venho de terras longas, distantes.
Lá, onde abundam os imbondeiros gigantes;
lá, onde guardam mistério os elefantes,
podeis me encontrar...
Perto do grande rio do Sul,
num oco tronco me abrigo da noite fria.
Não temais a solidão, nos dias quentes da procura.
Chegados, vereis que o tempo vos sobra...
Aqui, os tempos são eternos, para longas caminhadas...
Logo entenderão, porque a velha Gagula de Sabá era minha tia...
Oh! incrédula gente! Gente sem fé!
Vinde, como Duparquet veio;
caminhai comigo ao longo do Cunene,
descalços, até onde as grandes águas se estreitam entre rochas,
e aí repousai, meditando...
Aguardai pelo ocre do ocaso, pela vertigem das cores...
Ouvi ao longe o batuque dos vossos corações...
Suku Yanguê!
A Marcelírica: poema de Tomaz de Figueiredo e de Goulart Nogueira
Das Neves Alves Caetano.
Das Neves rima com greves
E Caetano com magano
E José, José, José
Rima bem com cambapé
Cambapé é uma rasteira
Igualzinha à tua asneira
Quiseste passá-la ao Botas,
Mas só achaste derrotas.
Apoiaste o reviralho,
Ó meu cara de trabalho,
Aumentaste a confusão,
Foste um doce pré traição.
Marcelo, mar de marmelo,
Marmelada de chinelo.
O chinó pré-contrabandista
Pré careca comunista.
Mais vale sê-lo, mais sê-lo
Que parecê-lo, Marcelo!
E tu, tens de cor velha,
Puseste a sala vermelha.
E selo, leva-o tu
Com pontapés no -ú-ú-ú
Sabes com que rima Alves?
Rima, Caetano, com talves.
Talves te espremas, marmelo,
Meu vento pífio amarelo.
Talves te sumas, ó Neves
Marcelo José das greves.
Talves te mirres, marmelo
Talves te rasgues, Marcelo,
Talves te cosas, ó Alves
Talves te escorras, talves,
Ó chupista ambicioso,
Ó presuroso inditoso,
Oportunista grevista,
O que tu queres é alpista.
Já te conhecem, Marcelo,
Melro de bico amarelo,
Ó candidato a chefinho,
Caneca de água com vinho.
Meu meias-tintas, bufão,
Catão-cotão, aldrabão.
Ó Neves, ó Neves, ó Neves
Dos graves modos, das greves,
Vê a asneira que cometes!
Não paras nessas retraites.
Tu vais caindo, caindo.
E vais aí ter! Que lindo!
Talves te desfaças todo,
A abrires-te desse modo.
Talves, talves, talves, talves.
Das Neves Marcelo Alves
Ó Alves José das Neves,
Alves Caetano das greves,
Marcelo Neves José
Lava a cara no bidé,
E onde hás-de lavá-la tu,
Ó Neves cara de Ubu?
Já te chamaram terrífico
Os que te chamam magnífico.
Hoje é a traição que te invoca,
Marcelo galinha choca.
Cacareja, à estudantada!
Que grande cacarejada!
Do arejo sai um odor
Cada vez pior, pior.
É cheiro russo e vermelho
E chamusco de chavelho.
É cheiro de foge o pé,
De escorregar, José,
De José Alves Marcelo,
E de foice com martelo,
De José Alves Caetano
De ratazana de cano
De Caetano Alves das Neves,
Dos passos falsos e breves,
Das breves podres carreiras,
Das moscas e das asneiras.
Carreiras ou correrias
Pra nos trazer porcarias,
Pra nos trazer – o doutor! –
Este cheirete, este odor.
Ó Caetano Alves das Neves,
Marcelo José das greves,
Das Neves Alves Caetano,
Ó Alves José do engano,
Marcelo, burro com sela,
Tóchinha, pequena vela,
Toucinho, magro presunto!
Marcelo cheira a defunto,
Marcelo cheira a grevista,
Cheira a peste, cheira a pista.
Depois de posta mamada,
Pões as mamas de criada,
Vais servir o comunismo,
Marcelo José Cinismo,
Marcelo José Compota,
Meu marmelada, anedota.
Pata, pita, peta, pé,
Marcelo Alves José,
Marcelo José Caetano,
Caetano José marçano,
Tanto importa, tanto faz,
Dito da frente pra trás,
Dito de trás pra diante,
É sempre o mesmo tratante.
Caetano José das Neves,
Castanha chulé das greves,
Alves Caetano Marcelo,
Alças de pano de adelo,
Das Neves Alves Caetano,
Comes-e-bebes, tutano,
Tétano, Alves e Calvos,
Marcelo, mas de papalvos,
Marcelo, chá de macela,
Macela, massa, mistela,
Maçudo, um, mamarracho,
Maço, mula, mala, tacho,
Alves Caetano das Neves,
José Marcelo das greves,
Marcelo Caetano Alves,
Talves que te sumas, talves.
Tomaz de Figueiredo e Goulart Nogueira.
sexta-feira, 25 de julho de 2008
Pregões de Lisboa
Manhã cedo. O Sol dourado
A tudo vai dando cor;
Há já vida na cidade,
Já nela se ouve rumor
Vendedores ambulantes
Começam a aparecer.
Vamos lá ver, ó freguesas,
O que trazem p’ra vender
Oito horas. À nossa porta
Passa agora a tia Chica.
Com sua voz compassada
Apregoa: “Fava rica”.
Lá vem também a peixeira
Com seu trajo pitoresco,
Dizendo: “Oh ! vida da costa”
Ou então: “Carapau fresco”.
E agora, de toda a parte
Se ouve gente que apregoa,
Gritando : “Quem quer laranja,
Quem compra laranja boa ?”
"Merca o cabaz de morangos ...”
“Século. Noticias. Voz ...”
“Oh ! boa amora da horta ... “
“Quem quer amêijoas p´ra arroz ? “
“Erre,Erre, mexilhão ...”
“Oh! Pescadinha marmota ...”
“Compra raminho de flores ...”
“Oh ! figos de capa rota ...”
E com a lata no braço,
Fresquinha qual fresco arroio,
Passa a linda vendedeira,
Cantando : Oh ! queijo saloio ...”
E tudo lá vão deixando,
P’la cidade, os vendedores.
Mas, para ganhar a vida
Que canseiras, que suores !
Lupango da Jinha - post de 24Jul2008


