quarta-feira, 16 de julho de 2008

Poetas de Maconge

via PoeMaconge by noreply@blogger.com (José Jorge Frade) on 7/14/08
Hoje lembrarei
Alguns mui finos
Bem dados à grei,
Bardos Maconginos.

D. Rui Ferreira Coelho,
D. Cesar Paulo da Silva,
Gloriosos e de selho,
Da epopeia viva.

Que as Macongíadas
Desses Principes dos Poetas
Ao Povo sejam lidas,
Lhes sejam descobertas.

D. Jorge Arrimar,
Em "Trovas do Exílio",
Quão fino relatar
De poeta exímio.

Bardo do Reino,
Há tempos ungido,
Verseja com treino
Em jeito antigo.

Emílio Leite Velho,
Digno Cantor Real,
É assunto sério,
Macongino leal.

E outros tantos
De quem vou falar,
Poetas quantos
Me possa lembrar.

O Paiva de Carvalho
Ilustra os poemas
Em telas de trabalho
Sublime... apenas.

Poeta Zé Frade,
Tanto p'ra dizer,
Tem musicalidade,
Sabe bem escrever.

José Luis Higino,
Versada escorreita.
É um desatino,
Fá-la bem feita.

Henrique (Higino) Vieira,
Rico Soba de Faro,
De rima verdadeira,
Em poeta mui raro.

Esperança Traguedo,
Das terras do Quipungo,
Troxe-nos folguedo
De amar o mundo.

Maria Teresa Marques,
Em sua "Quitandeira":
Som, odor e cor; artes.
Canta, de que maneira...

Adriana Nobre Simões,
Poemas disfarçados,
Sentir de corações,
Muito, muito amados.

D. Carlos Painho,
João Manjericão,
Um é trovadorinho,
Outro um poetão.

Inês Sousa Gomes,
Dito assim, quem é?
Se Maria do Céu pomos,
Geo. prof. pois é.

Necas, o Soba,
Suzete poetisa.
Dos dois a obra?
Muito bem, trisa.

O Pipo - João Simões,
O Timam - T. Homem,
"Nos capim danadões"
As musas não dormem.

Hugo de Sousa,
Rui Correia de Freitas,
Dum, fados que ousa,
Doutro, rimas bem feitas.

Da Adélia Vaz,
Que bela poesia.
Da Maria da Paz,
Sublime melodia.

Da Nélia Godinho,
Rimas de carinho.
Da Graça Arrimar,
Amar de mansinho.

Poetas há, muitos mais,
De pena singela.
São em nossos anais,
De poética mui bela.

E dos que não falei,
Puro esquecimento
Dos nomes, não sei,
P'ra meu tormento.

Viva Maconge,
Viva Huila,
Viva longe
Se não é Muhuila.

Requerimento para D. Necas Carvalho

via PoeMaconge by noreply@blogger.com (José Jorge Frade) on 7/14/08
Na Austrália está a Geninha a resmungar,
Em Luanda a Té e o Zito, zangados,
Em Toronto, o Pintor-Mor a praguejar,
Na Huíla, o Funka e o Ramiro, passados.

-Então esse Necas, lá no Puto,
Que raio de máquina arranjou?
-É máquina bestial, ou de bruto?
-Em que feira é que a comprou?

O Higno no "site" botou a prosa,
E as fotos nunca mais aparecem,
Será que o rôlo saiu côr de rosa?

Dom Necas: P'rós que esmorecem
Trate lá das fotos p'rá Galeria
Para verem, da Ceia do Porto, a alegria.

Al otro lado

Al otro lado me dijeron
los viejos se van convirtiendo en árboles
viejos también sin hojas en el lado del sol
aguardando sin saber qué, mudos.

Pero súbitamente un árbol cualquiera
siente subir dentro de él la savia de un sueño
al borde de la muerte ya, pero todavía
tibio como la leche de la madre.

El sueño va subiendo por las venas del árbol
una vida entera que pasa
hasta hacerse pájaro en una rama
un pájaro que recuerda, canta y se marcha
poco antes de que todos los árboles mueran.

Si yo me hago árbol viejo al otro lado del río
y me toca ser el árbol que recuerda y sueña
puedes estar bien segura que soñaré contigo

con tus ojos grises como el alba
y con tu sonrisa
con la cual se vistieron los labios de los rosales
en los días mas felices.

Fonte: Blogue "Poemas del Alma"

terça-feira, 15 de julho de 2008

A Sá da Bandeira



Fonte: Real República de Maconge
http://www.geocities.com/SouthBeach/Jetty/9543/


A Sá da Bandeira

Detenho-me a cismar e nunca mais atino
Porque há contradições de forma singular;
Como o tempo veloz, a ti, faz remoçar
E a mim me torna velho, a mim que era menino.

Chorava qulaquer outor a lei deste destino
Mas eu juro que não, talvez por te adorar.
Queor ver-te crescer, formosa, de encantar
Assim moça gentil, de trato lhano e fino.

Hei-de sempre sentir a sombra dos teus passos
Até que a morte venha desfaz
Que unem alma e corpo e dão expressão à vida!

Se a cidade puder levar nos olhos meus
Não háde custar tanto o derradeiro adeus,
Não háde ser tão triste a nossa despedida

Angola, 1957

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Gostava de vos falar / dos esquecidos

Gostava de vos falar
dos esquecidos,
dos heróis que a história
não narra,
que as viúvas choraram
mas já não recordam,
daqueles
que nem tempo tiveram
de ter filhos
que os amassem,
descendentes
que os lembrassem,
daqueles
que nunca tiveram
o dia do pai,
vítimas de guerras
que não inventaram,
em tempo que já lá vai;
falar deles é prevenir,
se bem que de nada lhes valha,
de guerras que possam vir,
geradas pela ambição
dos que nunca morrerão
num campo de batalha.

[s/d nem local, possivelmente escrito em Mampatá, no sul da Guiné, c.1972/74]
Fonte. Blogue "Luís Graça e Camaradas da Guiné" - post de 10Jul2008

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Um sorriso...mãe

Mãe
se não regressar
lembra-te do meu sorriso
aquele sorriso malandro
a mendigar o perdão
para me não castigares
por ter faltado às aulas
para ir p'ró rio nadar
oh
como era bom nadar
da fraga do cavalo saltar
o Douro atravessar
e as uvas apanhar
e depois
chegar a casa
com um sorriso para te dar.

Mampatá 1973

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Viagem

Aparelhei o barco da ilusão
E reforcei a fé de marinheiro.
Era longe o meu sonho, e traiçoeiro
O mar...
(Só nos é concedida
Esta vida
Que temos;
E é nela que é preciso
Procurar
O velho paraíso
Que perdemos.)

Prestes, larguei a vela
E disse adeus ao cais, à paz tolhida.
Desmedida,
A revolta imensidão
Transforma dia a dia a embarcação
Numa errante e alada sepultura...
Mas corto as ondas sem desanimar.
Em qualquer aventura,
O que importa é partir, não é chegar.

Fonte: Blogue "Hipnoz" - post de 07Jul2008

domingo, 6 de julho de 2008

ORILLAS DEL SAR

A través del follaje perenne
Que oír deja rumores extraños,
Y entre un mar de ondulante verdura,
Amorosa mansión de los pájaros,
Desde mis ventanas veo
El templo que quise tanto.

El templo que tanto quise...
Pues no sé decir ya si le quiero,
Que en el rudo vaivén que sin tregua
Se agitan mis pensamientos,
Dudo si el rencor adusto
Vive unido al amor en mi pecho.

Fonte: Blogue "Poemas del Alma"

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