terça-feira, 20 de maio de 2008

Gracias A La Vida com interpretação de Mercedes Sosa


Gracias A La Vida
Composion: Violeta Parra

Gracias a la vida, que me ha dado tanto
Me dió dos luceros que cuando los abro
Perfecto distingo lo negro del blanco
Y en alto cielo su fondo estrellado
Y en las multitudes el hombre que yo amo


Gracias a la vida, que me ha dado tanto
Me ha dado el oído, que en todo su ancho
Traba noche y dia grillos y canarios
Martirios, turbinas, ladridos, chubascos
Y la voz tan tierna de mi bien amado

Gracias a la vida, que me ha dado tanto
Me ha dado el sonido y el abecedario
Con él las palabras que pienso y declaro
Madre, amigo, hermano y luz alumbrando
La ruta del alma del que estoy amando

Gracias a la vida,que me ha dado tanto
Me ha dado la marcha de mis pies cansados
Con ellos anduve ciudades y charcos
Playas y desiertos, montañas y llanos
Y la casa tuya, tu calle y tu patio

Gracias a la vida, que me ha dado tanto
Me dió el corazón que agita su marco
Cuando miro el fruto del cerebro humano
Cuando miro el bueno tan lejos del malo
Cuando miro el fondo de tus ojos claros

Gracias a la vida, que me ha dado tanto
Me ha dado la risa y me ha dado el llanto
Así yo distingo dicha de quebranto
Los dos materiales que forman mi canto
Y el canto de ustedes que es el mismo canto
Y el canto de todos que es mi propio canto
Gracias a la vida

Font: Blogue: "Meu Universo em Prosa e Poesia" - post de 19Mai2008

sábado, 17 de maio de 2008

É tempo de regressar

É tempo de regressar
às minhas parras coloridas
e ver a água a gelar
esquecer mágoas e feridas
e a todos abraçar
olho por cima dos ombros
vejo a mata, lembro Amadú
e nem tudo são escombros
há a ilha de Bolama
há Susana, há Varela
as ilhas de Bijagós
e a vida pode ser bela
se nunca estivermos sós
houve prazer e amor
em terras de Mampatá
senti a raiva e a dor
saudades do lado de lá
a distância e tanto mar
mas não há ódio ou rancor
e um dia... vou voltar.

Bissau 1974

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Cantiga do Soldado

Eu hei d’ir de Serra em Serra
Nossa Bandeira mostrar;
Havemos de ser na terra
O que já fômos no mar.

Ninguém me peça que fique
Que eu não quizera ficar;
Sol que brilhaste em Ourique
Tornas de novo a brilhar.

Hei-de levar ao meu lado
A guitarra sensual
Que vencer cantando o fado
E’ fado de Portugal

O’ soldados, a Ventura
Ha de ser nossa irmã;
Que depois da noite escura
Nasce o sol pela manhã.

Já diviso os arreboes
D’ um sol distante que vem
Mostrar que netos d’heroes
Hão de ser heroes também.

E se eu morrer não se zangue
Minha mãe… não leve a mal;
Tem sido feita com sangue
A história de Portugal!

Vou partir, vou para a guerra,
A todo o mundo mostrar
Que havemos de ser na terra
O que já fomos no mar!

Fonte: Blogue "A Voz Nacional" - post de 15Mai2008

quinta-feira, 15 de maio de 2008

O Poeta

Ninguém contempla as cousas, admirado.
Dir-se-á que tudo é simples e vulgar...
E se olho a flor, a estrela, o céu doirado,
Que infinda comoção me faz sonhar!

É tudo para mim extraordinário!
Uma pedra é fantástica! Alto monte
Terra viva, a sangrar como um Calvário
E branco espectro, ao luar, a minha fonte!

É tudo luz e voz! Tudo me fala!
Ouço lamúrias de almas no arvoredo,
Quando a tarde, tão lívida, se cala,
Porque adivinha a noite e lhe tem medo.

Não posso abrir os olhos sem abrir
Meu coração à dor e á alegria.
Cada cousa nos sabe transmitir
Uma estranha e quimérica harmonia!

É bem certo que tu, meu coração,
Participas de toda a Natureza.
Tens montanhas na tua solidão
E crepúsculos negros de tristeza!

As cousas que me cercam, silenciosas,
São almas, a chorar, que me procuram.
Quantas vagas palavras misteriosas,
Neste ar que aspiro, trémulas, murmuram!

Vozes de encanto vêm aos meus ouvidos,
Beijam os meus olhos sombras de mistério.
Sinto que perco, às vezes, os sentidos
E que vou flutuar num rio aéreo...

Sinto-me sonho, aspiração, saudade,
E lágrima voando e alada cruz...
E rasteirinha sombra de humildade,
Que é, para Deus, a verdadeira luz.

Fonte: Blogue "Nova Águia" - post de 14Mai2008

Voltei /Ao casarão velho

Voltei
ao casarão velho,
onde já tudo morreu...
Tirei
a venda ao espelho,
e olhei. Olhei, recuei.
Recuei, gritei:
- Era EU!

quarta-feira, 14 de maio de 2008

A NAVE DE ALCOBAÇA

Vazia, vertical, de pedra branca e fria,
longa de luz e linhas, do silêncio
a arcada sucessiva, madrugada
mortal da eternidade, vácuo puro
do espaço preenchido, pontiaguda
como se transparência cristalina
dos céus harmónicos, espessa, côncava
de rectas concreção, ar retirado
ao tremor último da carne viva,
pedra não-pedra que em pilar's se amarra
em feixes de brancura, geometria
do espírito provável, proporção
da essência tripartida, ideograma
da muda imensidão que se contrai
na perspectiva humana. Ambulatório
da expectação tranquila.
Nave e cetro,
e sepulcral resíduo, tempestade
suspensa e transferida. Rosa e tempo.
Escada horizontal. Cilindro curvo.
Exemplo e manifesto. Paz e forma
do abstracto e do concreto.
Hierarquia
de uma outra vida sobre a terra. Gesto
de pedra branca e fria, sem limites
por dentro dos limites. Esperança
vazia e vertical. Humanidade.

Araquara, 27/11/1962

Fonte: Blogue: "Fora de Cena" - post de 07Set2007

MOSCA

Poisa na merda e no chocolate
poisa na pêra e no abacate
salta qual pulga em qualquer balança
salta de Espanha e pula pra França
cruza Alentejo e logo se abeira
dum litoral ou dum interior
veste de preto e é varejeira
ou faz-se roxa e multicolor
há uma - a té - que transmite o sono
molhando a asa no morno charco
foi à Madeira valha-nos Zarco
e de avião de carro e de barco
sabe mais que o céu a seu dono
voa baixinho no seu Outono
não toma banho e gosta de praia
pica na areia e nos pinheirais
gosta de campo e adora animais
pica os avós filhos netos pais
pica o Barredo e pica Cascais

poisando poisando zumbindo zumbindo
lá vai tão certeira tão cantando e rindo
té que a mão ligeira ou o DDT
a pá de plástico ou o jornal dobrado
chega do destino com o bruto recado
chega de mansinho e a faz em puré

(Analogia e Dedos, 2006)
Fonte: http://www.arscives.com/pedrotamen/poemas10.asp

domingo, 11 de maio de 2008

Poesia

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