sábado, 26 de janeiro de 2008

Escrever é vencer a morte

Escrever é projectar-se além da Vida,
É vencer a Morte.
Um dia esta virá, de surpresa, ou tardia,
Mas uma coisa não levará, não reduzirá a cinzas,
e sobre ela a sua álgida mão não terá poder.

Ó Morte, eu sei que tu me aniquilarás,
Mas não destruirás está página
em que escrevo o teu nome,
O teu nome odiado e cruel.
Quantos seres derrubaste em volta de mim!
A todos apavoras.
mas outras vidas há que não estão à tua mercê,
e essas, que nós criámos
Com a música das nossas palavras,
Com a febre do nosso espírito,
Com a ambição do nosso sonho,
essas - sobreviver-nos-ão
e o teu amplaxo não as envolverá.

O que fica do artista, para além dele, não te pertence;
Basta que nós te pertençamos.

Fonte. Poemas Imperfeitos, páf. 140

Primeiras praias de África visionadas...

Parti da rua velha e suja,
da casa apalaçada, fria e bafienta,
Do jardim sem graça e mal cuidado
Que era o presunçoso parque da minha infância.

Parti; tudo deixei diluído
nessas primeiras memórias confusas
Dos seres que nos rodeiam,
De carinhos que nos atormentam,
de castigos que nos flagelam.

E os doces, e os beijos lambusados,
e as teimas cegas,
E as antipatias escondidas de criança,
E as primerias curiosidades,
E os olhos para tudo abertos,
sem nada compreenderem.

Tudo deixei para trás, nessa lembtrança confusa
Da primeira meninice que findava
e da vida nova que surgia.
Parti! Pelo monótono mas da monótona viagem,
Longos dias iguais, primeiras horas
dos primeiros tédios a despontar!

E o comandante que metia medo,
e o navio sempre a balouçar como um brinquedo,
E os sustos quaqndo o menino desaparecia,
e a história do tubarão e da carne tenra do menino
que caiu ao mar...

Primeira ilha descoberta,
Rumo de descobridores.
Primeira névoa,
Primeira visão larga do mundo,
Outras ilhas, outras praiais, outros mares.
Primeira praia de África a distância,
Pretos no areal.

Mas o menino ficou prisioneiro no navio,
Porque o mar encapelado podia tragar o menino.
e depois disso ele ficou sempre prisioneiro,
para que ios mares encapelados não o tragassem.
Mas não foi mais do navio que ficou prisioneiro,
Foi daquels praiais vistas a distância
quando era pequenino,
Daqueles vultos vistos a distância,
Da vida,
Do mundo,
De si próprio.

Primeiras praias de África visionadas,
Primeira sombra de palmar...

Fonte: Poemas imperfeitos

Reencontro

A velha ponte-cais de traves carcomidas,
O morro triste, a antiga fortaleza,..
o deserto a avançar sobre o mar
e a polvilhar a cidade pobre
da sua poeira amarela...
O deserto a sepultar a cidade pobre...

As hortas do Giraul, mancha tímida
e verde no areal.
O jardim emurchecido, queimado
e ressequido pelo sol de África,
- Parque frondoso que a memória guardou,
Imagem que a vida destruiu neste reencontro,
o jardinzinho da cidade,
Já sem o coreto para a música,
Mas com a fileira dos espectros...

A longa, a interminável fileira dos espectros...
A Miss Blond a acompanhar os meninos a passeio,
O Tigre, pachorrento e mansarrão.
Os pretos, o olhar submisso e espantado,
Com as correntes aos pés,
Na rua de casas térreas e de piso mole.
A Miss Blond deixou de acompanhar
os meninos a passeio,
O Tigre, erguido a cão nobre,
morreu de velho,
Os pretos quebraram as correntes,
Só os espectros ficaram, pávidos,
Onde os havia deixado;
Só eles povoam a lembrança,
Habitam a cidade;
Só as suas vozes ecoam no deserto,
As vozes estremecidas,
As vozes perdidas
Na casa desabitada que a poeira do deserto cobriu,
Na vida, que a poeira do tempo cobriu,
Na morte, na saudade, na morte...

Baía de Moçâmedes, 8 de Dezembro de 50.
Fonte: Poemas Imperfeitos

Com o tempo...

Com o tempo…

Você aprende que estar com alguém só porque esse alguém lhe oferece um bom futuro, significa que mais cedo ou mais tarde você irá querer voltar ao passado...

Com o tempo…

Você se dará conta que casar só porque “está sozinho(a)”, é uma clara advertência de que o seu matrimónio será um fracasso...

Com o tempo…

Você compreende que só quem é capaz de lhe amar com os seus defeitos, sem pretender mudar-lhe, é que pode lhe dar toda a felicidade que deseja...

Com o tempo…

Você se dará conta de que se você está ao lado de uma pessoa só para não ficar sozinho(a),com certeza uma hora você vai desejar não voltar a vê-la...

Com o tempo…

Você se dará conta de que os amigos verdadeiros valem mais do que qualquer montante de dinheiro...

Com o tempo…

Você entende que os verdadeiros amigos se contam nos dedos, e que aquele que não luta para os ter, mais cedo ou mais tarde se verá rodeado unicamente de amizades falsas...

Com o tempo…

Você aprende que as palavras ditas num momento de raiva, podemcontinuar a magoar a quem você disse, durante toda a vida...

Com o tempo…

Você aprende que desculpar todos o fazem, mas perdoar, só as almas grandes o conseguem...

Com o tempo…

Você compreende que se você feriu muito um amigo, provavelmente a amizade jamais será a mesma...

Com o tempo…

Você se dá conta de que cada experiência vivida com cada pessoa, é irrepetível...

Com o tempo…

Você se dá conta de que aquele que humilha ou despreza um ser humano, mais cedo ou mais tarde sofrerá as mesmas humilhações e desprezos, só que multiplicados...

Com o tempo…

Você aprende a construir todos os seus caminhos hoje, porque o terreno de amanhã é demasiado incerto para fazer planos...

Com o tempo…

Você compreende que apressar as coisas ou forçá-las para que aconteçam, fará com que no final não sejam como você esperava...

Com o tempo…

Você se dará conta de que, na realidade, o melhor não era o futuro, mas sim o momento que estava vivendo naquele instante...

Com o tempo…

Você aprende que tentar perdoar ou pedir perdão, dizer que ama, dizer que sente falta, dizer que precisa, dizer que quer ser amigo...
...junto de um caixão...
...deixa de fazer sentido...

Com o tempo…

Por isso, recorde sempre estas palavras:
“O homem torna-se velho muito rápido e sábio demasiado tarde”.
Exatamente quando:
“JÁ NÃO HÁ TEMPO!”

OBS: Enviado pela Rosaria por e-mail

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Oi

Oi a você...
Que está cansado.
Que trabalhou.
Que deu duro.
Que nem teve tempo,
hoje, para sonhar um
pouco.

Se tudo que queria agora
era um carinho.
Ou um copinho de café
de uma mão amiga.
Um bilhete dizendo o
quanto é especial...
Oi!

Se seus olhos estão secos
mas gostaria de chorar.
Se queria um abraço
sem segundas intenções.
Se os seus pés doem.
Se está cansado demais
para ler um livro
ou tomar um chá.
Oi

De tempos em tempos,
a vida recua, na esperança
de que tomemos posse
dela com mais ânimo.

É o clamor de um
coração paciente, que
espera nada do que
compra o dinheiro.
Espera a doce paz do
reconhecimento...

Por isso hoje vim para
dizer...Oi!

Oi você que é tão
especial...
Que tem tantos talentos.
Tanta sensibilidade.
Um sorriso bonito.
Que tem dons
maravilhosos!

Oi você que dribla e
vence todos os
problemas.
Que pensa em mudar e
melhorar alguma coisa.
Que merece carinho, que
merece atenção.

Oi você que é uma
fagulha divina.
Que é amado(a) e que
ama.Que tem mais
qualidades que defeitos.
Que tem mais acertos
que erros.
Que a cada dia desperta
mais belo(a)!

Oi amigo(a).
A vida é assim.
Às vezes o coração dói
na falta não sei de quê.
Nada tão grande.
Talvez algumas migalhas
de amor e de carinho...

Por isso hoje lhe trago a
parcela do meu afecto.
Pois você faz a diferença
em minha lista de
momentos felizes, de
pessoas bondosas, de
personalidades
maravilhosas.

Você é uma gota do meu
oceano de amor e ânimo,
do meu antídoto contra
a dor de uma vida
acelerada e por demais
exigente.

Você é dádiva que o
tempo jamais vencerá.
É bênção que não se
repetirá.
É raio exclusivo do sol
da amizade.
De tempos em tempos a
vida se espanta de ver
quanto amor encerra um
simples...
Oi!

Fonte: Enviado a 24Jan20089 pela Rosário por e-mails. Autor desconhecido

Olá para ti - adaptação ao português de Portugal do poema "Oi"

Olá para ti...
Que estás cansado.
Que trabalhaste.
Que deste duro.
Que nem tiveste tempo,
hoje,
para sonhar um pouco.

Se tudo o que tu querias agora
era um carinho.
Ou uma chávena de café
de uma mão amiga.
Um bilhete dizendo o
quanto és especial...
Olá!

Se os teus olhos estão secos
mas gostarias de chorar.
Se querias um abraço
sem segundas intenções.
Se os teus pés doem.
Se estás cansado demais
para leres um livro
ou tomares um chá.
Olá

De tempos a tempos,
a vida recua,
na esperança
de que tomemos posse dela
com mais ânimo.

É o clamor de um
coração paciente,
que nada espera do que
compra o dinheiro.
Espera a doce paz do
reconhecimento...

Por isso hoje vim para te
dizer...
Olá!

Olá para ti
que és tão especial...
Que tens tantos talentos.
Tanta sensibilidade.
Um sorriso bonito.
Que tens dons
maravilhosos!

Olá para ti
que vences todos os problemas.
Que pensas em mudar e
melhorar alguma coisa.
Que mereces carinho,
que mereces atenção.

Olá para ti
que és uma fagulha divina.
Que és amado(a) e que amas.
Que tens mais qualidades que defeitos.
Que tens mais acertos que erros.
Que a cada dia despertas
mais belo(a)!

Olá amigo(a).
A vida é assim.
Às vezes o coração dói
na falta não sei de quê.
Nada tão grande.
Talvez,
algumas migalhas
de amor e de carinho...

Por isso hoje te trago a
parcela do meu afecto.
Pois tu fazes a diferença
na minha lista de
momentos felizes,
de pessoas bondosas,
de personalidades maravilhosas.

Tu és uma gota do meu
oceano de amor e ânimo,
do meu antídoto contra
a dor de uma vida
acelerada e por demais
exigente.

Tu és a dádiva
que o tempo jamais vencerá.
És bênção que não se
repetirá.
És raio exclusivo do sol
da amizade.
De tempos a tempos a
vida se espanta de ver
quanto amor encerra um
simples...
Olá!

Fonte: Enviado a 24Jan20089 pela Rosário por e-mail. Poema de autor desconhecido
Adaptação de Rui Moio do brasileiro para o Português de Portugal

A minha pátria alçou o braço

via MANLIUS by José Carlos on 1/24/08


Início dos anos 50, com a farda da Mocidade Portuguesa em Tetuão


1976 - Couto Viana na trincheira da Rua, semanário que crismou e que ajudou a criar

“A minha pátria alçou o braço
(Pátria pacífica e pequena).
Baixou-o logo, de cansaço.
Foi pena!

(…)
Cedo se calou o ousado brado
Que unia as almas e as bandeiras
Numa velada de soldado
Junto de tendas e fogueiras.

Cedo arrasou a altiva torre
Que ergueram todos de mão dada.
(Agora sei como se morre
Por nada!)
António Manuel Couto Viana
em “Pátria Exausta”

domingo, 20 de janeiro de 2008

BILHETE

Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...

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