terça-feira, 28 de junho de 2011
As visitas do mundo ao Sentires Sentidos - De 28Mai2008 a 27Jun2011
domingo, 26 de junho de 2011
O Banquete
Pela manhã sem dores
Nem afazeres de urgência
Tenho um mata-bicho de garfo.
Um ovo estrelado
Embebido em açucar e azeite
Pão quentinho, tiborna
Torradinhas pequeninas ou de pão de forma
Queijinho da serra
Manteiga com sal
Leite creme com chocolate
Chouriço quente acabadinho de assar
Chouriço negro, broa de milho
Queijinho fresco às fatias
Com pimenta e sal refinado
Uma gemada
Com muito açúcar
Linguiça assada e quentinha.
Numa tacinha
Salgadinhos de ginguba e castanha assada.
Ao almoço com a barriga vazia
Sai um caldo verde
Com um fio de azeite e rodelas de chouriço.
Segue-se um bife com todos
Batatinhas quentes, arroz, fiambre
Molho de tomate
Ou à Portugália
Um pires com polvo em molho de vinagrete
Ou camarão descascado em molho de tomate
Entradas em toda a parte
Ovos cozidos com pimenta
Pastelinhos de nata com canela
Pedacinhos de omeleta em palito
Azeitonas verdes de cortar à faca
Pistachos, Ginguba e caju
Regado com vinho de várias marcas
Verde e fresquinho.
À sobremesa
Um pudim de leite
Mousse de chocolate, brigadeiros
Leite creme com farófias
Papas de milho
Café quentinho com um cheirinho
E Tudo ao som de marchas
Que fazem saltar as emoções
E ficar com pele de galinha.
Rui Moio, 18 de Abril, às 17h30 na cervejaria Aguiar & Almeida
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Onde está DEUS?
El-Rei D. Sebastião
Jovem e belo
Com o seu séquito luzidio
Veio a mim
Em seu cavalo branco
El-Rei D. Sebastião
Visitou-me como súbdito
Entrou no meu cantinho
Sentou-se diante de mim
E perguntou:
Como vai Portugal?
Eu não contava
Que El-Rei me falasse assim.
Refeito do choque
Aquietado pela serena quietude
Deste Rei-Deus
Balbuciei palavras sem nexo
Pensando que ele não soubesse
Como vai o nosso País.
Mas, El-Rei serenou-me:
- Eu vim aqui dizer-te
Que não te amoles
Se puderes alerta o nosso povo
De que eu ainda não morri.
Lembra-lhes a nossa História
Fala-lhes de Alcácer-Quibir
E tenham fé, tenham esperança
Porque quando o tempo chegar
Eu vou estar convosco, aí.
Rui Moio – 24Jan2008. Elaborado pelas 20h00 no café Skipper, em Odivelas.
quinta-feira, 23 de junho de 2011
Esta tábua velha...
É dum vermelho vivo
Pela primeira vez pintada à pistola
Com a cor do sangue da bandeira
E do vigor da resistência
Veio de África
Por sorte não ficou na estrada
Subiu ao convés do último navio
Não é de madeira tropical
É de tábuas e aglomerado
Foi embrulho dos restos de três gerações
De militares e governadores
Saiu-se bem
Não se esfrangalhou
No embrulho pregado à pressa
E não se estragou das chuvas de dois invernos
Foi bancada
Nela mediram-se resistências e tensões
Em África e no exílio
Mostrou força e engenho
Agora o resto da tábua
Que tanta História tem
Vai ser prateleira e estante
De recortes de notícias
Com três e 4 décadas de passado
Desde o tempo
Que de repente
Serviu de tábua de salvação
Dos restos de três gerações
Nota: Poema elaborado pelas 18h45 de 02 de Junho de 2008 no café Latina Real, na Avenida 5 de Outubro, em Lisboa.
terça-feira, 21 de junho de 2011
Chipala
Havia cabelos, olhos em perfil
Nariz, boca.
Era uma presença.
Pensei que fosse para sempre
Que estava ali,
E eu, descuidado, não guardei.
Um dia
A chipala foi-se
Desapareceu
Deixámos de a ver.
Sei, sabemos que está lá.
Ficou a presença
Na forma de um girassol.
Irremediavelmente
E para sempre
Eu,
Nós todos,
Perdemos a chipala
Já não a vemos mais.
OBS: Chipala significa cara ou face em língua Nhanheca (sul de Angola).
segunda-feira, 7 de março de 2011
O Senhor Administrador
Balalaika amarela com bolsos largos,
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Banho no Cubanguí
É Domingo
Tronco nu, toalha a tiracolo
Sabão macaco
Vão todos ao banho
Pr´á ponte do Cubanguí
Lá, onde 6 ou 7 já são multidão
É Domingo.
È festa! Há banho
Na ponte do Cubanguí
Todos espreitam para as águas mansas
Lá no fundo, só areia
Mais além, é escuridão
Esconderijo do jacaré
Quem se atreve?
O mais afoito
Da prancha da ponte
Atira-se de chapa
E chapinha furiosamente
Com medo do jacaré
Seguem-se os outros
Um a um
E chapinham furiosamente
Todos com medo do jacaré
Depois, julgando-se seguros
Alguns ensaboam-se num cantinho
outros chapinham furiosamente
Todos com medo do jacaré
É domingo, é festa
Há banho na ponte do Cubanguí
Alguns, em canoa de tronco de árvore grande
Descem o rio
Olham o fundo
Todos com medo do jacaré.
Rui Moio – 13Out2004
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Escrever...
domingo, 11 de abril de 2010
Vila Arriaga

Medonho, assustador
Os meninos e os adultos
vivem temerosos
Das zangas do paredão
A qualquer momento
Podem chover sobre a vila
Toneladas de pedras
Toda a montanha
Quando chove
A mulola ruge
Como um trovão em contínuo
Ela leva as águas envenenadas
Na guerra dos mucubais
Vila de duas ruas,
Estação do caminho de ferro
Com hotel sem hóspedes
E pensão para gente de passagem
Tem laranjeiras grandes a meio da avenida
Escola primária com nome de escritora
Que no puto dá prémio de literatura
Quinta do administrador
Com árvores grandes e antigas
E tanque para a criançada malandra se banhar
Tem colina com miradouro
Com barulhentos lagartos de duas cores
Onde só os meninos lá chegam
Por falta de caminho bom
No sopé da colina, em casa pequenina
Habita o velho primo
Colono antigo de Vila Arriaga
Aos fins de tarde
Lá vai ele, pé ante pé
Juntar-se à cavaqueira
Com o Rocha Pinto e o Duarte
O Lauro, comerciante antigo
É o mais querido de todos
Vende fuba, peixe seco, remédios…
E um pouco de tudo o resto
Tem hospital grande
Casa do médico e do enfermeiro
E até uma ambulância desconcertada
Uma vermelha Harley com side car
Vila de gente festeira
Com muita rapariga casadoira
Tem recinto para festas
Com tecto de buganvílias em flor
Lá dentro há churrasco, rifas,
pista de dança animada com a manivela
de um velho gromofone
Ao lado do pau-bandeira
E diante da administração
É ver uma molemba grande
Que atapeta de vermelho todo o chão
Passou por lá um administrador
Fausto Ramos de seu nome
É dele a traça do clube
do parque infantil com piscina
E é dele a obra da horta e do tanque para a regar
Rui Moio – 18Out2004
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Numa paz podre / Parida na fuga e na cobardia
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Um Poema de Olhares
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Olhai que ledos vão
Olhai que ledos vãoOs nossos soldados
De blusa branca de comando
De botas e camuflado
G3 ao lado
Olhai que ledos vão
Os nossos soldados
Com vigor batem na calçada
Na cadência da marcha cantam
Cânticos de guerra de Cabinda
Do Rovuma, do Cumbidjã
Olhai que orgulhosos vão
Os nossos soldados
À frente os estandartes que servem
Numa profusão de vermelhos e verdes
Com o rufar dos tambores
Sonhamos glórias
Estamos certos
Temos razão, cheira-nos vitória
Milhares de guerreiros
A uma só voz
Como uma muralha
Infundem respeito
E gritam
Estamos aqui
Estes soldados
São o espelho
Da sociedade que somos e cremos
De todas as cores e sem raças
Sem egoísmos, sem fraquezas
São heróis
Da guerra e de princípios
Estes soldados
Somos NÓS
Rui Moio, 12Jun2008. Poema concebido e elaborado pelas 16h00 no café A Presidente na avenida Conde de Valbom em frente à galeria Valbom onde se expunham quadros de Malangatana.
Avenida Marquês de Tomar
É Verão.
Há sol e sombras
Há meninas e mulheres
Adolescentes e casadoiras
Que passam ligeiras.
Há soutiens apertados
E umbigos trementes
Calças e rebordos de lingerie.
Há verdura, jovialidade e encanto.
É meio dia.
As ruas enchem-se
De gente bonita, asseada.
São mais fémeas que machos
Vintonas e trintonas
Gente não apressada
Não há crianças
Não há ruídos ensurdecedores
Não há velhos entorpecidos.
Há burguesia.
À vista não há pobreza e coisas feias.
Automóveis novos, lavados
Em andamento moderado
De tintas mais cinzentas que coloridas
Há um nome de rua
Ou de avenida
Neste Bairro Novo
Não muito quadriculado
Com um toque de intimidade
De memória, de grandeza...
Habitualmente, sem sobressalto
Desfrutam-se as estruturas
Que os nossos avós nos deixaram.
Sem ameaças de as termos que defender
De inimigos usurpadores.
Há paz e normalidade
Vive-se, vivendo.
Vê-se, vendo.
Sonha-se, sonhando.
Ouve-se, ouvindo.
Pensa-se, pensando.
E isto existe
Vê-se, do Talismã
Na cidade capital
Da minha Lisboa.
Rui Moio, 19Jun2008. Poema Avenida Marquês de Tomar, elaborado pelas 13h15 na Pastelaria Talismã, sita na Avenida Marquês de Tomar, no Bairro das Avenidas Novas, em Lisboa.
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Rui Moio
De braço ao alto, quebrado




